O Doutor Finanças, empresa especializada em finanças pessoais e familiares, esclarece que, este ano, vão existir diversas alterações nos rendimentos, que irão abranger trabalhadores por conta de outrem, trabalhadores independentes, pensionistas e desempregados.
O aumento do salário mínimo para 760 euros, a subida do IAS, os novos limites de isenção do subsídio de alimentação, bem como a alteração das tabelas de retenção na fonte traduzem-se, naturalmente, em alterações nos rendimentos da maioria dos portugueses neste novo ano. Desta forma, o especialista avança o que vai mudar e como simular os rendimentos em 2023 para os diferentes perfis de trabalhadores.
Trabalhadores por conta de outrem
Considerando todas as alterações mencionadas, os rendimentos este ano podem sofrer alterações mais ou menos significativas. No entanto, para apurar o valor exacto precisamos de saber o valor do nosso salário bruto (valor do salário base); ter em conta a nossa situação familiar (solteiro, casado, um ou dois titulares); o número de dependentes a nosso cargo (nenhum ou o número de dependentes); o nosso subsídio de Natal e Férias; se temos ou não o subsídio de alimentação (valor do subsídio, método de pagamento que pode ser dinheiro, em vale/cartão refeição); e ainda ter em conta outros rendimentos sujeitos a IRS (retenção na fonte) e Segurança Social.
Como estas contas nem sempre são fáceis de fazer, o Doutor Finanças disponibiliza o Simulador do salário líquido em 2023, para ajudar a apurar os nossos rendimentos. Por outro lado, se estamos numa fase em que procuramos um novo emprego ou queremos renegociar o nosso contrato de trabalho, este simulador ajuda a simplificar todas as contas.
Pensionistas
Este ano, a maioria dos pensionistas verão o seu rendimento aumentar entre 3,89% e 4,83%. O aumento percentual aplicado à pensão depende do valor dos rendimentos.
Assim, a subida mais significativa é de 4,83% e abrange os pensionistas que recebem uma pensão até dois IAS (960,86 euros). Já para os pensionistas que recebem entre 960,86 euros e 2882,58 euros (entre dois e seis IAS) o aumento é de 4,49%. Por fim, quem recebe pensões mais elevadas, acima de 2882,58 euros e até 5765,12 euros, verá a sua pensão aumentar 3,89%.
Para termos uma noção, se recebermos uma pensão de 850 euros, os nossos rendimentos brutos sobem para 891,06 euros. Mas em termos líquidos, vão ser de 840,06 euros, pois é aplicada a taxa de retenção na fonte de IRS de 5,8%, que representa um desconto de 51 euros.
Em caso de dúvida, o especialista recomenda a utilização do Simulador de pensão Líquida 2023 que apura o valor que vamos receber em menos de um minuto.
Trabalhadores Independentes
Os trabalhadores independentes podem ou não aumentar os seus rendimentos em 2023. Com o aumento do IAS para 480,43 euros, a base de incidência contributiva sofre alterações. Logo, de acordo com o valor médio que ganha num trimestre, o valor das contribuições à Segurança Social pode alterar-se.
Por exemplo, se tivermos um emprego por conta de outrem e acumularmos actividade como trabalhador independente, o limite máximo para ficar isento de descontos à Segurança Social aumentou. Este ano, para ficar isento, a actividade por conta de outrem deve ter o valor da remuneração mensal média igual ou superior a 480,43 euros (1 IAS). Já o rendimento relevante mensal médio, que a Segurança Social apura de três em três meses, deve ser inferior a 1921,72 euros (4 IAS).
Caso sejamos um trabalhador independente abrangido pelo regime de contabilidade organizada, com o aumento do IAS, também veremos algumas alterações. Afinal, neste caso, a base de incidência mensal corresponde ao duodécimo do lucro tributável, tendo o limite mínimo de 1,5 IAS. Assim, o limite mínimo sobe para 720,65 euros (em 2022 era de 664,80).
Como nem sempre é fácil apurar qual o montante das contribuições à Segurança Social trimestralmente, podemos recorrer ao Simulador da Segurança Social Trabalhadores Independentes 2023 para confirmar o valor a descontar.
Desempregados a receber subsídio de desemprego
Dada a subida do IAS, existe a probabilidade de vermos os nossos rendimentos aumentarem se estivermos a receber o subsídio de desemprego, pois o valor deste subsídio corresponde no mínimo a 1,15 vezes e no máximo a 2,5 vezes o IAS.
Assim, o valor mínimo do subsídio de desemprego este ano sobe para 552,49 euros, o que representa um aumento de 42,81 euros, face a 2022 (509,68 euros). Quanto ao valor máximo, o subsídio de desemprego aumenta 93 euros, pois este ano o valor fixa-se em 1201,08 euros. Relembramos que, em 2022, o limite máximo deste subsídio era de 1108 euros.
No entanto, o valor do subsídio de desemprego costuma levantar várias dúvidas. Desta forma, o Simulador de subsídio de desemprego de 2023 ajuda a apurar o apoio que vamos receber este ano.














