Trabalhar em mobilidade num mundo pós-pandémico. E os desafios para os quais é preciso estar preparado

Por Carlos Cunha, director Comercial da Dynabook Portugal

 

A pandemia continua a evoluir e a influenciar o quotidiano das empresas. O desconfinamento progressivo, juntamente com a distribuição das vacinas, têm vindo, lentamente, a trazer alguma esperança, com os escritórios a abrir portas de novo e os colaboradores de volta às secretárias.

Quando o retorno ao local de trabalho começar em massa e a nova força de trabalho móvel emergir, falar sobre os novos puzzles de mobilidade empresarial será ainda mais importante. Os referidos puzzles são, contudo, cada vez mais complexos. No rescaldo da pandemia, as organizações terão de se debruçar sobre a mudança de expectativas das suas equipas, no que respeita as novas formas de trabalho, os novos requisitos de tecnologia e os desafios de adaptação que estas alteração trarão.

 

Gerir as expectativas dos colaboradores

O chamado ‘business as usual’ foi virado do avesso durante o último ano e exigiu uma redefinição do significado de equipas felizes. O tempo fora do escritório deu aos colaboradores uma oportunidade de repensar as suas prioridades e expectativas profissionais.

Mais recentemente, temos visto discussões sobre se as pessoas preferem voltar ao escritório ou continuar a trabalhar de casa – ou uma combinação de ambos. Em Julho de 2020, a propósito de um estudo sobre o teletrabalho, a Euractiv concluiu que 78% dos trabalhadores inquiridos preferiam trabalhar a partir de casa ocasionalmente, mesmo se não houvesse qualquer restrição imposta pelo governo. Trabalhar num ambiente flexível é, há já algum tempo, uma das opções profissionais mais apreciadas pelos colaboradores. E agora que enquanto sociedade provámos que é possível fazê-lo mantendo eficiência, este desejo amplificou-se ainda mais.

No topo da agenda não está apenas o trabalho remoto. A pandemia acelerou as mudanças de organização e localização dos locais de trabalho que estavam já em curso. Para comprovar isso, basta-nos olhar para a popularidade dos espaços de co-working antes da COVID-19. Novos padrões de trabalho significam que as empresas terão de reduzir o número de secretárias para dar espaço a áreas colaborativas flexíveis. No mesmo sentido, o desejo dos funcionários de estar em escritórios centrais e bem-localizados também se alterou. Olhando de fresco para a organização do espaço, muitos empregadores estão a apostar na criação de escritórios regionais que estejam mais próximos dos locais de residência. Entre os vários impactos da pandemia, pode estar incluída a divisão de operações entre várias localizações, em potencial benefício para os escritórios mais pequenos.

Além disso, as actuais circunstâncias alteraram naturalmente a forma como os colaboradores percepcionam os benefícios no escritório. Vantagens que requeiram o trabalho presencial serão menos relevantes no novo mundo empresarial. Como resultado, as empresas terão de trabalhar mais nas propostas de valor que trazem aos seus recursos humanos.

 

O papel da tecnologia

No centro das novas formas de trabalhar e do ajuste às expectativas dos colaboradores está a tecnologia. Para os millennials em particular, a tecnologia é já um factor definidor de uma boa experiência profissional. A pandemia veio evidenciar para todos os funcionários a importância de trabalhar com equipamentos fiáveis – especialmente quando falamos de dispositivos de utilizador final.

Algumas empresas apressaram-se a equipar as suas forças de trabalho com kits TI que permitissem o trabalho remoto. À medida que entram em fases de recuperação, terão não só de repensar as suas escolhas tecnológicas, como investir em inovações digitais que lhes permitam prosperar no ‘novo normal’.

Os computadores e os portáteis são os heróis pouco aclamados desta pandemia e continuarão a sê-lo no novo mundo do trabalho. Como tal, as empresas têm de garantir que investem em dispositivos leves e portáteis que, contudo, não abdiquem de poder e que se acomodem tanto ao trabalho remoto como ao escritório. Durabilidade que sustente a constante mobilidade e uma conetividade que possibilite o trabalho colaborativo sem barreiras são dois outros fatores a considerar.

Dito isto, não são só os dispositivos de utilizador final que desempenharão um papel crucial na facilitação do modelo ‘work-from-anywhere’. Já vivemos numa realidade em que o trabalho em equipa não requer a presença física. Outras tecnologias digitais como os wearables serão também importantes. Os smart glasses, por exemplo, permitem comunicar remotamente e de forma interativa – pondo as pessoas cara-a-cara com funções como a recuperação de documentos, instruções de trabalho em tempo-real e captação de dados no momento. O mercado global de wearables provou ser resiliente durante a pandemia, com a CCS Insight a prever que a venda destes dispositivos chegue aos 300 milhões de unidades em 2024.

 

Ultrapassar desafios tecnológicos com tecnologia

Um potencial obstáculo para qualquer negócio que decida adicionar à sua rede dispositivos conectados e novas soluções é a quantidade de dados que estes criam e a forma de os gerir e processar eficientemente e em segurança. A resposta: investir em tecnologia de próxima geração. Rever completamente as redes corporativas pode despender demasiado tempo e recursos, especialmente se falamos de empresas que navegam numa recessão. A computação edge é uma possível solução para este problema, uma vez que permite reduzir a sobrecarga da cloud, dando aos utilizadores a possibilidade de ser mais seletivos com os dados que enviam para o núcleo da rede.

Uma outra consideração a ter em conta é a segurança. Com mais e mais dispositivos a aceder à rede corporativa, dentro e fora do escritório, a superfície de ataque aumenta. De acordo com uma investigação recente, o número de ataques de ransomware reportados aumentou 485% em 2020, em comparação com o ano anterior. Dispositivos de utilizador final com funcionalidades de segurança integradas, como o reconhecimento facial ou a capacidade de armazenar credenciais em hardware, garantem uma abordagem de proteção face potenciais ciberataques, enquanto soluções zero client asseguram que os próprios dispositivos não retêm quaisquer informações críticas.

Mesmo enquanto continuamos a sofrer os impactos da pandemia, as conversações sobre a mobilidade empresarial numa fase pós-COVID já começaram. O mundo do trabalho alterou-se para sempre e com essa realidade vêm novas formas de trabalhar e expectativas diferentes às quais as empresas têm de se adaptar. Conseguir trabalhar em mobilidade no ‘novo normal’ vai exigir tempo, investimento e terá necessariamente de incluir a tecnologia do futuro.

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