De acordo com o estudo, os modelos de trabalho mais flexíveis podem gerar ganhos significativos de produtividade ao ajudar as empresas a atrair e reter talento e a preservar conhecimento crítico.
Num contexto em que as empresas procuram por competências cada vez mais especializadas e ambicionam aumentar a produtividade, a atracção e retenção dos profissionais certos tornou-se uma prioridade crescente para as organizações. A análise permite dimensionar o valor económico que pode estar associado a uma maior capacidade de retenção de talento. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a retenção de colaboradores poderá representar, por si só, ganhos de produtividade de cerca de 204,7 mil milhões de dólares e 10,8 mil milhões de libras, respectivamente, ao longo de cinco anos.
Embora estes valores digam respeito especificamente aos dois mercados analisados, ajudam a ilustrar o potencial impacto económico de estratégias de trabalho que contribuam para reter profissionais mais experientes.
Estudos efectuados pela IWG revelam ainda que 81% dos directores de Recursos Humanos (CHRO) consideram o trabalho híbrido fundamental para reter os melhores talentos, enquanto 86% identificam a flexibilidade como o benefício mais procurado pelos candidatos. Nos Estados Unidos, mais de um terço dos profissionais aponta já o trabalho remoto como o principal factor na escolha de um novo emprego, à frente da remuneração.
Quase três quartos dos líderes empresariais (72%) consideram que oferecer modelos de trabalho híbridos ou flexíveis é essencial para atrair líderes mais jovens, que reconhecem que é possível trabalhar com o mesmo nível de produtividade, ou até superior, sem a necessidade de realizar diariamente longas deslocações.
O trabalho híbrido é também a estratégia mais utilizada para competir pelos melhores profissionais do setor tecnológico, apontada por 37% dos líderes empresariais, à frente da remuneração competitiva, referida por 35%. Mais de três quartos (78%) acreditam que as organizações que oferecem modelos de trabalho híbridos ou flexíveis têm uma clara vantagem face às que não disponibilizam essa possibilidade.
Esta valorização da flexibilidade é também evidente em Portugal. Um estudo da Hays realizado em 2026 concluiu que 87% dos profissionais consideram o modelo de trabalho – presencial, remoto ou híbrido – uma prioridade máxima ou um fator muito importante na avaliação de uma nova oportunidade profissional. No setor tecnológico, a flexibilidade assume igualmente um papel relevante na atração e retenção de talento: segundo o Experis Tech Talent Outlook relativo ao segundo trimestre de 2026, uma maior flexibilidade de horários é a medida mais referida pelos empregadores do sector em Portugal (35%), à frente dos aumentos salariais (30%), enquanto 28% apontam uma maior flexibilidade relativamente ao local de trabalho.
Ao eliminar barreiras geográficas e proporcionar maior flexibilidade, os modelos híbridos permitem às empresas alargar a sua base de recrutamento e desenvolver modelos de funcionamento mais eficientes. Esta realidade está no centro de uma nova equação do talento, em que flexibilidade, tecnologia e maior acesso a profissionais qualificados combinam para gerar valor em termos de produtividade.
















