O teletrabalho tem vindo a aumentar, permitindo melhorar o equilíbrio com a vida familiar. Se é o seu caso, relembre o que diz a lei e quais os cuidados a ter quando está fora da empresa.
Um em cada cinco trabalhadores portugueses aderiu ao teletrabalho, que realiza em casa, em espaços de coworking ou onde lhe é mais conveniente. Apesar de algumas empresas ainda torcerem o nariz a esta solução, outras já perceberam as suas vantagens e incorporaram-na na sua estratégia.
O teletrabalho continua a aumentar em Portugal
Desde a pandemia que o teletrabalho tem conquistado cada vez mais espaço, obrigando os departamentos de recursos humanos a adaptarem processos internos, políticas e modelos de gestão. Um aspeto importante, quer para os trabalhadores quer para as empresas, é que o exercício da atividade à distância deve ser validado por um acordo escrito.
O Código do Trabalho prevê o que deve constar desse documento. Por exemplo:
- O local habitual de prestação do trabalho
- O período normal do trabalho diário e semanal
- A atividade contratada, com indicação da categoria correspondente
- A periodicidade e o modo de concretização dos contactos presenciais
Muitos conflitos entre as empresas e os colaboradores poderiam ser evitados se estas condições fossem absolutamente claras desde o início.
O que um profissional remoto deve garantir
Se está a trabalhar remotamente ou prestes a entrar neste regime de atividade, há algumas ferramentas que deve garantir (além do contrato, como referido). Cada caso é um caso, mas considere que, além de um computador portátil, irá precisar de:
- ligação estável à internet, com VPN
- autenticação de dois fatores
- backups automáticos
- ambiente de trabalho adequado
- ligação móvel segura através de um eSIM
Este último caso é particularmente relevante se trabalha em mobilidade ou viaja frequentemente. Para quem não sabe ainda o que é um eSIM, trata-se de uma alternativa digital ao cartão SIM tradicional. Evita custos elevados com o roaming e permite manter acesso permanente à internet sem a dependência de redes wi-fi públicas.
As empresas são responsáveis pelas condições de trabalho
Mesmo fora do escritório, as empresas mantêm obrigações legais relacionadas com segurança, privacidade e boas condições de trabalho, o que passa por disponibilizar equipamentos, garantir soluções de comunicação e proteger os dados profissionais.
Em muitos casos, as organizações também suportam despesas relacionadas com a internet, a eletricidade ou a utilização de equipamentos próprios. Por estes motivos, o teletrabalho continua a contar-se entre os benefícios mais valorizados pelos profissionais portugueses, sobretudo nas áreas tecnológica e financeira.
O recrutamento exige novos cuidados
Como muitos responsáveis de RH sabem, o aumento do trabalho remoto veio alterar profundamente os processos de recrutamento. Muitas organizações contratam profissionais fora das grandes cidades e até de Portugal, o que reforça as bolsas de talento.
No entanto, para aquelas que exigem trabalho presencial (parcial ou totalmente), também se verifica que uma parte substancial dos candidatos não está interessada ou exige benefícios complementares. Afinal, ficar parado no trânsito todos dias tem um custo pessoal que muitos não estão dispostos a pagar.
O trabalho remoto no estrangeiro continua a levantar dúvidas
Uma das situações mais discutidas atualmente é o chamado “workation”: trabalhar remotamente a partir de outro país durante alguns dias ou semanas. Muitos estrangeiros escolheram Portugal como destino, e Lisboa encontra-se entre as dez melhores cidades do mundo para aliar o trabalho às férias, de acordo com o barómetro Work from Anywhere.
Se pretende deslocar-se para fora do território nacional e aproveitar esta modalidade, tenha atenção às questões relacionadas com residência fiscal, proteção de dados e cobertura legal. E, se faz parte do departamento de RH de uma empresa, peça a colaboração do departamento jurídico para uma avaliação completa deste cenário.













