Estes modelos apresentam também níveis mais elevados de alinhamento com os valores da organização e de significado e propósito no trabalho.
No entanto, esta melhoria na percepção de equilíbrio não se traduz numa redução do desgaste. Os modelos híbridos e remotos apresentam níveis mais elevados de stress diário (49% e 55%, respectivamente) face ao trabalho presencial imposto (46%), impactando o sentimento global de bem-estar destes trabalhadores.
Neste contexto, é importante que as organizações complementem a flexibilidade destes modelos, com medidas de gestão da carga de trabalho, uma maior clareza de objectivos e iniciativas de apoio ao bem-estar mental. Caso contrário, o teletrabalho não reduz o desgaste real sentido, apesar de melhorar a percepção de equilíbrio.
Os elevados níveis de stress impactam também o sentimento geral de satisfação e fidelização dos trabalhadores em modelos híbridos e remotos. Nestes casos observam-se os níveis mais baixos de fidelização à empresa actual, com 50% dos trabalhadores em modelos remotos e 45% dos trabalhadores em modelos híbridos a consideram mudar de emprego nos próximos seis meses. Existe igualmente uma maior percepção de instabilidade laboral, já que 46% dos primeiros e 35% dos segundos manifestam um sentimento de insegurança quanto ao seu emprego actual.
Assim, ao impacto dos níveis de stress acresce igualmente uma menor ligação à organização, fruto da distância física, com impacto directo no engagement e na retenção. Para enfrentar este desafio, é importante que as empresas promovam momentos presenciais com um propósito claro de colaboração e reforço cultural, evitando que a distância física se traduza em distância emocional ou organizacional, comprometendo a ligação entre as equipas.
Paralelamente, os modelos híbridos e remotos são os que apresentam os valores mais elevados no sentimento de confiança dos trabalhadores, sendo este sentimento suportado maioritariamente pela percepção de oportunidades de desenvolvimento de carreira (70% e 69%, respectivamente) e de desenvolvimento de competências (83% e 80%). Nestes modelos, a confiança nas oportunidades de carreira situa-se mesmo 18 pontos percentuais acima dos modelos presenciais impostos.
Por outro lado, num momento em que muitos trabalhadores revelam uma redução na sua confiança no uso das tecnologias mais recentes e da IA, os trabalhadores em modelos híbridos e remotos são os que caem menos e destacam-se pela maior confiança, reflectindo a maior exposição a estas ferramentas e tecnologias, possivelmente associada à natureza das funções que desempenham. Os dados mostram também que os modelos totalmente presenciais, quando impostos, apresentam fragilidades relevantes ao nível da experiência do colaborador.
Estes trabalhadores registam níveis mais baixos de confiança, com um índice de 64%, nove pontos percentuais abaixo da média global. Apenas 50% afirmam confiar na sua capacidade para utilizar tecnologia no trabalho, enquanto 51% identificam oportunidades para atingir os seus objectivos de carreira. Embora apresentem maior percepção de segurança no emprego e menor predisposição para procurar novas oportunidades, estes profissionais revelam menor confiança nas suas lideranças directas e menor alinhamento com a organização.
Do mesmo modo, é nestes modelos que o sentimento de bem-estar é mais baixo (63%), com a percepção de equilíbrio vida-trabalho, alinhamento de valores e sentido de propósito a revelarem desvios de até 16 pontos percentuais face aos modelos híbridos.
Este cenário reforça uma conclusão crítica: embora nem todos os trabalhadores e empresas possam adoptar modelos híbridos e remotos, a flexibilidade e autonomia que permitam um maior equilíbrio na vida dos profissionais é hoje um factor fundamental de satisfação e algo que as empresas devem procurar integrar na sua experiência de talento.
Os dados do Global Talent Barometer 2026 mostram que nenhum modelo de trabalho é, por si só, uma solução perfeita. O teletrabalho melhora o equilíbrio, mas não reduz o stress nem garante retenção. O presencial assegura maior estabilidade, mas pode comprometer bem-estar e confiança.
O estudo Talent Barometer 2026 é uma ferramenta que mede o bem-estar e a satisfação profissional dos trabalhadores com base em 12 indicadores-chave, agrupados em três índices: Bem-Estar, Satisfação no Trabalho e Confiança. A pesquisa envolveu 13.918 trabalhadores a nível global, em 19 países.














