D’Accord: Trabalho temporário ganha peso estratégico num mercado mais exigente

O trabalho temporário está a evoluir para um modelo mais estratégico, exigindo maior rapidez, proximidade e capacidade de execução.

Human Resources
8 de Junho 2026 | 13:40

O trabalho temporário está a evoluir para um modelo mais estratégico, exigindo maior rapidez, proximidade e capacidade de execução.

A D’accord atravessou, em 2025, um período exigente que acabou por funcionar como um verdadeiro teste à robustez da sua operação e à capacidade de adaptação a um mercado particularmente volátil e competitivo. Depois de um início de ano aquém do ritmo inicialmente projectado, sobretudo no segundo trimestre, a empresa viu-se confrontada com a necessidade de ajustar rapidamente a sua forma de actuar, num contexto marcado pela expansão da operação no sul do País e por limitações ao nível da dimensão das equipas operacionais.

Perante este cenário, a prioridade não passou por rever a estratégia, mas sim por optimizar a execução. A empresa reforçou a proximidade com clientes, acelerou processos internos e descentralizou a tomada de decisão, aumentando a autonomia das equipas no terreno. Estas medidas permitiram uma resposta mais ágil às exigências do mercado e uma maior capacidade de adaptação a contextos de elevada pressão. Os efeitos começaram a tornar-se visíveis na segunda metade do ano, com uma recuperação consistente e uma superação expressiva dos objectivos definidos para os últimos meses.

Este desempenho surge também na sequência da reestruturação organizacional e estratégica implementada em 2024, que começou a produzir resultados mais sólidos ao longo do ano seguinte. O crescimento da facturação, o aumento do número de clientes e candidatos e o reforço da notoriedade da marca no mercado são alguns dos indicadores dessa evolução. Ainda assim, a empresa sublinha que o impacto mais relevante foi interno. «Mais do que os números, foi um ano em que ganhámos maturidade, consistência e maior controlo sobre a operação», refere Dídio Baptista, Operations manager da D’accord, evidenciando uma maior estabilidade e capacidade de planeamento.

Para 2026, a D’accord assume um posicionamento focado na consolidação e na expansão sustentada. Estão previstas novas aberturas em Aveiro, Setúbal e Leiria, numa estratégia que visa reforçar a proximidade ao tecido empresarial e aumentar a capacidade de resposta em diferentes regiões do País. Esta expansão geográfica surge acompanhada por uma ambição clara de posicionamento: integrar o Top 20 das empresas nacionais na área dos Recursos Humanos. Ainda assim, o crescimento não é encarado apenas em termos quantitativos. «Queremos melhorar margens, reforçar a estrutura e garantir maior eficiência operacional », afirma o responsável, destacando a importância de um crescimento equilibrado e sustentado.

Continue a ler após a publicidade

Num mercado em transformação, o papel do trabalho temporário tem vindo a evoluir de forma significativa. Tradicionalmente associado a respostas pontuais e de curto prazo, este modelo assume hoje uma função mais estratégica, funcionando frequentemente como etapa intermédia para integrações definitivas. As empresas utilizam cada vez mais o trabalho temporário como um período de avaliação alargado, que permite testar competências técnicas, comportamento em contexto real e alinhamento cultural antes de avançar para uma contratação efectiva.

Em paralelo, a crescente escassez de talento tem impulsionado a procura por soluções de cedência directa, sobretudo em funções onde a necessidade de estabilidade é maior desde o início. Neste contexto, a D’accord posiciona-se como um parceiro capaz de adaptar soluções às necessidades concretas de cada cliente, combinando diferentes modelos de recrutamento. «Não trabalhamos apenas necessidades: trabalhamos soluções ajustadas ao momento e à estratégia de cada cliente», explica Dídio Baptista, sublinhando uma abordagem consultiva e orientada para resultados.

Os indicadores operacionais reflectem essa capacidade de execução. Em projectos de curta duração, a empresa alcança taxas de colocação próximas dos 98%, enquanto em projectos de média duração os valores rondam os 85%, fixando a média global em cerca de 91%. Estes números mostram não só eficiência, mas também consistência na resposta, mesmo em contextos de elevada exigência e pressão temporal.

Continue a ler após a publicidade

A redução do peso do trabalho temporário no mercado nacional é vista de forma pragmática. «É um desafio para quem não se adapta, mas uma oportunidade clara para quem executa bem», defende o responsável. Num contexto em que as organizações valorizam cada vez mais a rapidez, a fiabilidade e a proximidade, a diferenciação passa pela capacidade de resposta no terreno. É neste ponto que a estrutura da D’accord assume particular relevância.

A organização assenta num modelo de especialização de funções, onde consultores e team leaders estão totalmente focados no recrutamento e na relação com clientes e colaboradores. Paralelamente, áreas de suporte asseguram componentes administrativas, legais e contratuais, incluindo payroll e billing, garantindo rigor e conformidade. Esta divisão permite maior eficiência, redução de erros e aumento da velocidade de execução, factores críticos num sector onde o tempo de resposta é determinante.

A estrutura é complementada por area managers responsáveis pelo acompanhamento contínuo e pelo alinhamento estratégico com os clientes, permitindo uma leitura mais aprofundada das necessidades e uma maior capacidade de adaptação. O resultado traduz-se, por exemplo, num tempo médio de colocação de cerca de seis dias, mantendo elevados níveis de eficácia e satisfação.

A diversidade de sectores em que a empresa actua – da saúde à logística, passando pela hotelaria, indústria, construção civil, agricultura, retalho e serviços especializados – obriga a um elevado nível de organização interna. A resposta passa por equipas estruturadas por área geográfica, com consultores dedicados e suporte de backoffice, garantindo foco na execução e consistência na qualidade do serviço prestado.

A formação e o desenvolvimento de competências assumem também um papel relevante na estratégia. A D’accord envolve-se activamente em iniciativas formativas promovidas pelos clientes, valorizando todas as acções que contribuam para a qualificação dos colaboradores. Em alguns casos, este envolvimento traduz-se mesmo em compensações comerciais associadas ao investimento em formação. Paralelamente, existe um acompanhamento contínuo dos profissionais em contexto de trabalho, assegurando alinhamento com as exigências das funções e promovendo melhoria contínua.

Continue a ler após a publicidade

O acompanhamento após a colocação é, aliás, um dos elementos centrais da proposta de valor. A empresa mantém uma presença activa junto de clientes e colaboradores desde o primeiro dia, recolhendo feedback, identificando necessidades de ajustamento e intervindo sempre que necessário. «A integração não é deixada ao acaso: é trabalhada de forma contínua», sublinha o responsável, reforçando a importância da proximidade e do acompanhamento numa fase crítica do processo.

A tecnologia surge como um facilitador relevante, contribuindo para a optimização de processos e para a melhoria da experiência de todos os intervenientes. A adopção de contratos digitais, portais para clientes e candidatos e sistemas integrados de gestão permite maior transparência, rapidez e controlo. Ainda assim, a empresa mantém uma visão equilibrada sobre o papel da tecnologia. «A tecnologia potencia a operação, mas não substitui a decisão.»

O acompanhamento permanente do mercado, feito no terreno e em contacto directo com clientes e candidatos, permite à D’accord ajustar rapidamente processos e metodologias. Internamente, existe também um trabalho contínuo de análise e melhoria, garantindo que a organização evolui ao mesmo ritmo que as necessidades do mercado.

Olhando para os próximos anos, a escassez de talento continuará a ser um dos principais desafios. A resposta passará por reforçar a eficiência operacional, investir nas equipas e acompanhar a evolução tecnológica, nomeadamente ao nível da inteligência artificial. Esta deverá ter um papel crescente em áreas como triagem de candidatos, análise de dados e controlo operacional, contribuindo para aumentar a capacidade de resposta. Ainda assim, a empresa reforça a necessidade de equilíbrio: «O sector exige proximidade e sensibilidade humana. O equilíbrio entre tecnologia e pessoas será o que fará a diferença.»

Internamente, a aposta recai em perfis de consultores capazes de antecipar necessidades e agir com rapidez. «Um consultor de alto desempenho não espera, mas antecipa», descreve Dídio Baptista, valorizando a capacidade de decisão, o sentido de responsabilidade e a leitura de contexto. Esta cultura de execução é suportada por uma estrutura que garante cobertura contínua, incluindo fins-de-semana, assegurando resposta permanente às exigências dos clientes.

Os indicadores operacionais mais recentes reforçam esta dinâmica, com uma média de cerca de 14 contratos realizados por dia, uma taxa de colocação global na ordem dos 91% e um tempo médio de colocação reduzido. Estes números reflectem não apenas crescimento, mas também consistência, disciplina operacional e capacidade de adaptação.

A visão de futuro da D’accord materializa-se no trabalho diário das equipas, assente em três pilares fundamentais: proximidade, consistência e rapidez. «Queremos crescer, mas crescer bem. Queremos entregar soluções, criar oportunidades e reforçar relações de confiança», afirma, evidenciando ainda um compromisso claro com a qualidade da operação e com a construção de relações duradouras num mercado cada vez mais exigente.

Este artigo faz parte da edição de Maio (n.º 185) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

Partilhar


Mais Notícias