O estudo “Leading without a landing” da H/Advisors, em parceria com a YouGov revela que três em cada quatro líderes das empresas portuguesas (75%) dizem que o ritmo de mudança acelerou no último ano; mais de oito em cada dez (82%) esperam aumentar a escala das iniciativas de mudança nos próximos 12 meses; e a maioria (74%) considera que a sua organização mudou mais do que o sector no último ano.
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O estudo, realizado no final de 2025, analisa o que está a impulsionar estas mudanças, de onde vem a pressão e até que ponto os líderes e as organizações estão preparados para ter sucesso, e revela que a mudança está a chegar de todas as direcções, simultaneamente. Os líderes atribuem esta aceleração a uma combinação de factores, incluindo desenvolvimentos tecnológicos (77%), IA (75%), condições económicas (69%) e expectativas crescentes dos clientes (66%). Os líderes não estão a passar por uma única mudança, mas por ondas simultâneas de mudança.
As fusões e aquisições são um ponto cego crítico. Apesar das previsões de aumento da actividade de fusões e aquisições, apenas 10% dos líderes consideram este domínio um desafio futuro significativo, o mais baixo de todos os obstáculos enumerados. Esta discrepância sugere uma potencial subestimação da perturbação relacionada com as transações.
Existe uma discrepância de confiança no âmbito da liderança. Os CEOs são os mais optimistas quanto à preparação das suas organizações para a mudança (8,4/10), enquanto os directores de RH são os menos optimistas (7,5/10). A divergência aponta para um desalinhamento entre a ambição estratégica e a capacidade operacional.
O maior risco não é a resistência, mas sim a confusão. O planeamento deficiente, a estratégia pouco clara e a comunicação inconsistente estão entre os obstáculos mais significativos para uma mudança bem-sucedida. Os dados sugerem que a ambiguidade na fase inicial, e não a resistência dos funcionários – é a verdadeira ameaça à transformação.
Em Portugal, o estudo traça o retrato de uma mudança contínua nas empresas portuguesas: três em cada quatro líderes (75%) dizem que o ritmo acelerou no último ano; mais de oito em cada dez (82%) esperam aumentar a escala das iniciativas de mudança nos próximos 12 meses; e a maioria (74%) considera que a sua organização mudou mais do que o sector no último ano.
Portugal, a par da UAE, destaca-se dos demais na importância atribuída à comunicação nestes processos de mudança (com uma valorização de 9,1 em 10) mas, tal como os demais mercados, os inquiridos assumem continuar a tratar a comunicação como secundária, esperando que os recursos e o orçamento actuais deem resposta a estes desafios adicionais, o que representa um risco.
A importância da formação está também em destaque entre os inquiridos portugueses, nomeadamente em IA e nas skills de comunicação. Enquanto um líder na área de pessoas afirma que é essencial a «formação adequada a lidar com os desafios que a Inteligência Artificial coloca na gestão de recursos humanos», um COO menciona o risco que são “os líderes sem formação” na comunicação apropriada e consistente de mensagens, o que pode levar a uma discrepância, e portanto, um risco, entre a comunicação interna e externa.
A investigação insere-se num contexto global mais amplo, definido pela aceleração das mudanças tecnológicas, pelo aumento da fragmentação geopolítica e pela mudança das prioridades empresariais. No centro desta aceleração está a IA, cujos progressos rápidos estão a moldar as indústrias a um ritmo mais veloz do que a maioria das organizações consegue absorver. Com a IA não só a automatizar tarefas, mas também a redefinir modelos de negócio inteiros, as organizações estão a ser forçadas a adaptar-se continuamente e a um ritmo sem precedentes, acrescentando novas camadas de complexidade, pressão e urgência às operações empresariais correntes.
O estudo baseia-se em insights quantitativos e qualitativos de executivos seniores no Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Singapura e Emirados Árabes Unidos em nove grandes indústrias.














