Três passos (simples) para assegurar um maior equilíbrio entre a vida profissional e pessoal

A forma como os colaboradores se reveem está a tornar-se cada vez mais dependente do trabalho que fazem – estes atribuem cada vez mais da sua identidade ao papel que têm na vida profissional. “Eu não trabalho como consultor, eu sou um consultor. Não trabalho como enfermeiro, eu sou um enfermeiro. Não trabalho como contabilista, eu sou um contabilista”.

 

Por João Carvalho, head of SAP Concur | Southern Europe and Africa

 

A dicotomia homem/trabalho é tão premente que muitas vezes nos faz sentir que, ao não sermos bem-sucedidos no trabalho, também não o somos na nossa vida pessoal. Isto torna-se particularmente evidente para os empresários que muitas vezes investem não só tempo e energia, como também toda a sua riqueza na empresa – se não o fizerem, pode significar tanto perdas financeiras (pessoais e corporativas) como autoestima e orgulho. Para assegurar que o bem-estar pessoal não anda de mãos dadas com o desempenho financeiro da empresa, as estruturas de benefícios (existentes, mas muitas vezes inactivos) devem começar a ser postas em práctica em prol dos colaboradores (e de si, naturalmente).

Se é um empreendedor ligado a startups terá a grande vantagem de ser não só o pioneiro de todo o processo como ser a pessoa que o implementa. É claro que pode parecer avassalador e como, se na maior parte do tempo, fosse retirado daquele que sente ser o seu “verdadeiro” trabalho – o estar envolvido na actividade diária da sua empresa. Mas há aqui uma oportunidade incrível de obter uma perspectiva tão holística quanto esta realmente proporciona – ser capaz de analisar os do’s e os dont’s, actualizar-se e, mais tarde ver in-loco, e em primeira mão, os efeitos. Não duvide que terá os pré-requisitos necessários para assegurar o equilíbrio entre a sua vida profissional e pessoal e, claro, a dos seus colaboradores – algo que se torna cada vez mais importante à medida que a fronteira entre a vida privada e a vida profissional se torna mais ténue.

A digitalização criou oportunidades para os trabalhadores beneficiarem da sua estrutura de proximidade e de identificação, activando os benefícios que anteriormente eram impossíveis. Para assegurar que todos beneficiam e ganham liberdade no seu trabalho, existem passos simples que devem ser dados para tornar estes benefícios ainda mais acessíveis.

E não se esqueça que é simultaneamente um decisor e um executor e é, por isso, que pode definir o tom e liderar via exemplo. Desta forma, empresas de maior dimensão, onde a distância entre decisores e administradores é grande – terão de seguir os seus passos. A missão de ajudar colaboradores de outras empresas a terem mais liberdade pode parecer contraproducente, mas se seguir as dicas abaixo todos sentir-se-ão parte integrante e fundamental de qualquer empresa:

1. Aproveite os ecossistemas existentes
Gerir um negócio significa investimento, decisões e passar, muitas vezes, noites e fins-de-semana a trabalhar. Quando o tempo é a comodidade mais valiosa, o mesmo deve ser gasto de forma sensata. Assim, e para garantir que todos vivem o equilíbrio ideal vida-trabalho, é crucial utilizar os ecossistemas existentes que minimizem a necessidade de contributos de outras pessoas em processos mais administrativos e menos estimulantes. Tecnologias inteligentes como a automação e a IA podem acelerar drasticamente os processos. Para dar prioridade ao que é necessário implementar, pense nas suas actividades diárias e quais delas beneficiarão mais com o uso da tecnologia.

 

2. Esteja pronto para dar as boas-vindas ao lazer empresarial
Assegurar uma relação bidireccional entre o seu “eu” pessoal e profissional e deixar que o seu trabalho faça algo por si. Se estiver numa viagem de negócios, não deixe de dedicar algum tempo à descoberta da cidade em que se encontra. Visite um museu, jante num restaurante local, ou melhor ainda – estenda a viagem para incluir um ou dois dias de tempo para si. Proporcione a si mesmo experiências e perspectivas únicas que, acredite, podem ajudá-lo mais tarde no seu trabalho. Abrace o conceito “bleisure”, onde você e os seus colaboradores combinam o trabalho e vida privada.

 

3. Tenha um olhar crítico no que ao crescimento pessoal diz respeito
Como empresário, já tem muito a defender “apenas” para manter o seu negócio saudável. Infelizmente, isto leva a que frequentemente exista pouco tempo para uma reflexão pessoal, o que torna ainda mais difícil manter viva a paixão pelo negócio e envidar esforços para evitar um burnout. Se não estiver bem de e para o seu negócio, o mesmo também não irá fluir – é assim na vida pessoal e acredite que no mundo empresarial também. Um cliché? Sem dúvida, mas não faz com que seja menos verdade. Por isso mesmo deve investir e criar oportunidades para o crescimento dos seus colaboradores e dar espaço a si mesmo para se dedicar ao que realmente interessa para fazer crescer o seu negócio.

Facto: investir no crescimento dos seus colaboradores implica naturalmente algum risco, no sentido em que estes se tornarão atractivos para outros empregadores. Mas, agora, imagine o que poderá acontecer se não investir no seu capital humano, o seu bem mais precioso, e eles ficarem? Como ficará o seu negócio? Deixo a reflexão.

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