A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) e a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) concordam que o turismo está a funcionar como motor da economia, mas lamentam que o Estado não esteja a cumprir a sua parte para melhorar «condições ao sector».
Em declarações à Lusa, Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, realçou que «não é a primeira vez nem a segunda nem a terceira que [o turismo] é apontado como sendo um sector fundamental», indicando que «já o era pelo peso que tem na economia e na balança de serviços e exportações» e pelo «que traz também em cadeia para os outros sectores económicos», acrescentando que os hoteleiros têm «uma previsão muito optimista daquilo que pode ser o papel do turismo na recuperação da economia portuguesa».
Por sua vez, Francisco Calheiros, presidente da CTP, realçou, em resposta por escrito, que «o turismo é sem dúvida um motor da economia portuguesa, reconhecido pela própria Comissão Europeia». Além disso, referiu, «os vários governos assim o afirmam, mas é necessário criar as condições para que tal continue a ser uma realidade, sobretudo tendo em conta a actual conjuntura económica e social».
O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, disse em 16 de Maio que a reabertura do turismo externo contribui para a projecção de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal este ano de 5,8%, o mais alto da União Europeia.
Segundo Francisco Calheiros, «as empresas do turismo continuam a lutar pela retoma da actividade turística», referindo que «os empresários continuam com vontade de ultrapassar os desafios, mas o Estado tem de ser mais activo no apoio à actividade turística».
«Em termos estruturais, a capitalização e a redução da carga fiscal são as maiores necessidades das empresas, que continuam a não ver as ajudas públicas há tanto prometidas», disse Calheiros, destacando que «é urgente que o Estado desburocratize os financiamentos às empresas, para que os fundos de apoio cheguem de forma mais célere e acessível».
«Por outro lado, também o Estado deve decidir reduzir a carga fiscal que recai sobre as empresas, para que estas consigam continuar a investir e criar emprego», rematou.
Para Cristina Siza Vieira, o que está a preocupar o setor neste momento, sendo «uma crise grande que o turismo está a atravessar em todo o mundo ocidental, é a questão do emprego».
«Consideramos que há muito mais que o Estado poderia fazer», referiu, destacando a falta de evolução das medidas que poderiam desburocratizar a vinda de imigrantes da CPLP, Marrocos e Índia para Portugal.
Esta quinta-feira, a AHP apelou à intervenção do primeiro-ministro na desburocratização da imigração dos países da CPLP, Índia e Marrocos, após uma reunião com a secretária de Estado, da qual os hoteleiros vieram «desapontados».
Também Francisco Calheiros disse que para que o sector «possa crescer ainda mais de forma sustentável» é necessário «criar condições para que as empresas possam recapitalizar-se; encontrar as melhores soluções para a falta de mão-de-obra que a actividade enfrenta e dar prioridade à construção do novo aeroporto na região de Lisboa», referindo que é «uma questão que se arrasta há mais de 50 anos e que continua a ser sucessivamente adiada, mas que é cada vez mais urgente resolver, porque o crescimento do Turismo em Portugal tem de ser acompanhado por infraestruturas que respondam ao aumento da procura».
Questionada sobre o impacto da inflação no sector, Cristina Siza Vieira admitiu um aumento de preços nos próximos meses. «Na pandemia o que se sacrificou foi a taxa de ocupação e menos o preço médio», indicou, destacando que a hotelaria não tinha procura porque as pessoas não podiam viajar.
«Neste momento, obviamente, a inflação tem de ser reflectida sobre o cliente final, não faz sentido que o preço do custo acrescido dos factores de produção não seja reflectido ao consumidor, é assim em qualquer indústria, na nossa também», destacou.
Além disso, «efectivamente estamos a ter uma muito boa procura e este ajuste também leva a um aumento relativo de preços. Não é muito, mas seguramente vai acompanhar a inflação», indicou a dirigente associativa.
Francisco Calheiros, por sua vez, disse que «não se vislumbra que a questão dos preços esteja a afectar a procura de Portugal por parte dos turistas», referindo que houve uma «Páscoa com ocupações hoteleiras acima dos 80%», contando com «um verão já praticamente igual ao de 2019».
«A procura vai ser grande, mas, inevitavelmente, os preços vão ser mais elevados devido não só à inflação, mas também a outros custos de contexto, que afectam toda a cadeia económica, como o preço da energia ou dos combustíveis», indicou.














