UE enfrenta desafios no recrutamento de 100 mil militares

A União Europeia procura mobilizar cerca de 100 mil soldados para responder a uma possível ameaça russa, mas enfrenta graves problemas de recrutamento e retenção de efectivos. Especialistas alertam para a necessidade de reformas e melhorias nas condições dos militares.

Human Resources
24 de Agosto 2026 | 12:50
UE enfrenta desafios no recrutamento de 100 mil militares

A União Europeia está a tentar reforçar as suas forças armadas com o recrutamento de cerca de 100 mil militares, numa resposta à crescente ameaça russa. Segundo a Euronews, o comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, referiu que a Europa deve conseguir mobilizar rapidamente este número de soldados para dissuadir um eventual ataque.

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Desafios no recrutamento e retenção

Apesar do aumento dos investimentos, que incluem um plano de 800 mil milhões de euros para o rearmamento, as forças armadas europeias enfrentam dificuldades significativas para recrutar e manter efectivos. Emmanuel Jacob, presidente da Organização Europeia de Associações e Sindicatos Militares (EUROMIL), afirmou que «no fim de contas, precisamos de ter pessoas suficientes para acompanhar estes investimentos» e que a urgência deste problema tem vindo a crescer.

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Jacob sublinhou que o problema não é novo, mas a dimensão dos efectivos necessários é inédita. O comissário Kubilius alertou que, se em 2030 a Rússia concentrar 100 mil soldados na fronteira da União Europeia e da NATO, seria necessário mobilizar um número semelhante de militares e equipamento.

O Parlamento Europeu já tinha manifestado preocupações quanto à falta de efectivos, aprovando em 2024 um relatório que alertava para «graves problemas de recrutamento e de retenção de pessoal» nas forças armadas europeias. Os eurodeputados solicitaram ao antigo chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que investigasse a escassez e propusesse soluções, mas a Comissão Europeia indicou que esta responsabilidade pertence a cada Estado-membro.

Factores que dificultam o recrutamento

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Um inquérito da EUROMIL, realizado junto de associações militares de 11 países, incluindo Portugal, revelou que o recrutamento é considerado “problemático” e a retenção “problemática” ou “crítica”. Os militares tendem a abandonar as forças armadas após cerca de dez anos de serviço.

Entre os obstáculos ao recrutamento destacam-se a concorrência do sector privado, os baixos salários e os requisitos físicos exigidos. Para a saída dos militares, apontam-se os baixos vencimentos, o fraco equilíbrio entre vida profissional e pessoal e outras condições de trabalho.

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O inquérito recomenda aumentos salariais e de pensões, melhores condições de trabalho e limites ao horário laboral para atrair e reter efectivos.

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Complexidades do sistema de reservistas

Steven Everts, director do Instituto da União Europeia para Estudos de Segurança (EUISS), afirmou que o recrutamento e retenção são questões complexas. Destacou a dificuldade em alargar a bolsa de reservistas, que inclui especialistas em cibersegurança, logística e saúde, e que podem ser chamados apenas alguns meses por ano.

Everts referiu que o impulso de rearmamento não tem sido acompanhado pelas reformas organizacionais necessárias. Questionou a disponibilidade das empresas privadas para libertar trabalhadores para as forças armadas, salientando que «é difícil concretizar, também em termos organizacionais, o rearmamento de que tanto falamos».

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