Tem agilidade mental? Pode impactar (de forma derterminante) a sua produtividade. A ciência explica

Sentir-se mentalmente “ágil” não é apenas uma questão de perspectiva, pode aumentar significativamente a sua produtividade, concluíram investigadores da Universidade de Toronto, no Canadá.

Human Resources
28 de Abril 2026 | 21:00
Tem agilidade mental? Pode impactar (de forma derterminante) a sua produtividade. A ciência explica

Um estudo da Universidade de Toronto Scarborough sugere que sentir-se mentalmente ágil pode aumentar significativamente o trabalho que realiza num dia. Os investigadores descobriram que, quando as pessoas pensam de forma clara e eficiente, o efeito pode equivaler a cerca de 40 minutos extra de trabalho produtivo.

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Publicada na “Science Advances”, a investigação acompanhou os participantes durante 12 semanas para compreender melhor porque é que as pessoas, por vezes, têm dificuldade em cumprir os seus planos. As descobertas apontam para as variações diárias na agilidade mental como um factor-chave. Nos dias em que os participantes se sentiam mais alerta mentalmente, eram mais propensos a definir objectivos e a cumpri-los, fosse lidar com tarefas escolares ou com tarefas diárias, como preparar o jantar.

«Alguns dias tudo corre na perfeição, e noutros dias parece que se está a atravessar um deserto. O que queríamos compreender era porque é que isto acontece e o quanto estes altos e baixos mentais são realmente importantes», revelou Cendri Hutcherson, professora associada do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto Scarborough e principal autora do estudo.

O que significa agilidade mental

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A agilidade mental refere-se à clareza, foco e eficiência do pensamento de uma pessoa num determinado momento. Quando está elevada, as pessoas tendem a concentrar-se mais facilmente, a tomar decisões mais rápidas e a concluir tarefas. Quando está baixa, até as actividades simples podem parecer difíceis.

Em vez de comparar pessoas diferentes, a equipa de investigação acompanhou os mesmos indivíduos ao longo do tempo. Isto permitiu-lhes ver como as mudanças numa única pessoa influenciavam o seu sucesso ou dificuldades diárias.

Os participantes, todos estudantes universitários, completaram testes diários curtos que mediam a rapidez e a precisão com que conseguiam pensar. Reportaram também os seus objectivos, produtividade, humor, sono e carga de trabalho. Esta abordagem detalhada ajudou os investigadores a ligar a agilidade mental directamente aos resultados do mundo real, em vez de depender de médias gerais.

Os resultados mostraram um padrão claro. Nos dias em que os alunos estavam mais mentalmente ágeis do que o habitual, concluíam mais tarefas e, frequentemente, ambicionavam objectivos mais ambiciosos, especialmente em trabalhos académicos. Nos dias em que a sua agilidade mental diminuía, até as tarefas rotineiras se tornavam mais difíceis de completar.

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Estes efeitos foram consistentes independentemente dos traços de personalidade. Qualidades como a perseverança ou o autocontrolo influenciaram o desempenho global, mas não impediram as pessoas de terem dias menos produtivos.

Uma das descobertas mais surpreendentes foi a importância da agilidade mental em termos práticos. Ao analisar o desempenho cognitivo ao longo de horas de trabalho, os investigadores estimaram que estar acima ou abaixo do nível habitual de agilidade mental pode afectar a produtividade em cerca de 30 a 40 minutos num único dia. A diferença entre o melhor e o pior dia pode chegar a cerca de 80 minutos de trabalho.

O estudo também destaca o que impulsiona estas mudanças diárias. A agilidade mental não é fixa. Flutua com base em factores de curto prazo.

Os estudantes tenderam a ter um melhor desempenho depois de dormirem mais do que o habitual e mais cedo, com o desempenho mental a diminuir gradualmente mais tarde. Sentir-se motivado e focado também aumentou a agilidade mental, enquanto os estados de humor depressivos foram associados a níveis mais baixos.

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A carga de trabalho apresentou um efeito misto. Trabalhar mais horas num único dia foi associado a uma maior agilidade mental, sugerindo que as pessoas conseguem corresponder às exigências imediatas. No entanto, períodos prolongados de excesso de trabalho tiveram o impacto oposto, diminuindo a agilidade mental e dificultando a manutenção da produtividade.

«Essa é a contrapartida. Pode esforçar-se muito durante um ou dois dias e ficar bem. Mas se trabalhar sem pausas durante muito tempo, pagará o preço mais tarde», diz Hutcherson.

Dicas para manter a mente mais ágil

As descobertas apontam para formas práticas pelas quais as pessoas podem aumentar as suas hipóteses de ter dias mais produtivos.

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«A partir dos nossos dados, há três coisas que pode fazer para tentar maximizar a agilidade mental: dormir o suficiente, evitar a exaustão durante longos períodos e encontrar formas de reduzir as armadilhas da depressão», aconselha Hutcherson.

A investigadora também enfatiza a importância de ser paciente consigo mesmo quando não está no seu melhor. «Às vezes, simplesmente não é o seu dia, e está tudo bem.»

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