Um em cada quatro homens que não fala com ninguém quando se sente emocionalmente em baixo

Margarida Lopes
20 de Abril 2025 | 14:00

Falam os homens abertamente sobre as suas emoções? Metade dos inquiridos no mais recente estudo “O Autocuidado masculino em Portugal”, desenvolvido pela marca Dove Men+Care em parceria com a Netsonda, diz que isso só acontece raramente ou então nunca acontece.

 

E a análise explica porquê: os homens ainda têm tendência para resolver os seus problemas sozinhos e sentem-se socialmente pressionados a mostrarem-se fortes. Em consequência, muitos deles apenas se manifestam ou procuram ajuda quando já estão num ponto de ruptura.

«No que respeita às suas fragilidades, os homens são muito mais reservados do que as mulheres. Nós somos capazes de aproveitar um jantar para nos queixarmos dos maridos, dos filhos, do trabalho, abrimo-nos a temas privados. Os homens não. Falam de desporto, política, das notícias, mas é raro falarem de intimidades. Só quando já se encontram numa situação mais extrema é que procuram um amigo para desafabar», comenta Madalena Lupi, Técnica Qualitativa da Netsonda.

Quase um terço dos homens (31%) procura os amigos para expor os seus problemas, mas é no parceiro/a que a maioria (51%) encontra o principal suporte. Por outro lado, nem 10% recorre a um profissional de saúde e um em cada quatro diz que não fala com ninguém quando se sente emocionalmente em baixo.

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Analisando os principais stress triggers que preocupam os homens, o estudo evidencia o sucesso profissional/financeiro e a comparação com os pares, sendo que o receio de falhar, seja no contexto de trabalho ou na vida pessoal, é o que mais contribui para a perda de autoestima nos homens.

Para contrariar estes factores e reforçar a sua confiança, o sexo masculino pratica exercício físico (42%), adopta uma atitude pragmática para encontrar soluções para os seus desafios (30%) e cuida da sua aparência (28%). Para 94% dos inquiridos, o desporto desempenha um papel central e muito positivo no seu bem-estar emocional. Daqueles que praticam actividade física, quase dois em cada três fazem-no com bastante frequência – 2/3 vezes por semana.

No que respeita ao cuidado com a aparência, o mesmo estudo conclui que os homens dão hoje mais importância à sua imagem do que antes, estando muito mais empenhados no autocuidado. Em concreto, cerca de 80% dos inquiridos afirmam que cuidar da sua aparência aumenta a autoestima e contribui para melhorar o seu bem-estar emocional. Hoje em dia, só 15% dos homens considera negativo cuidar bastante do seu físico.

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Um dado que vem comprovar esta evolução de mentalidades é também o aumento do uso de produtos de higiene e beleza pessoal nos últimos cinco anos. Quase metade dos homens (48%) investe mais neste tipo de produtos do que antes, principalmente entre os 25 e 34 anos (68%). O shampoo, desodorizante, gel de banho e perfume são essenciais na rotina de cuidado masculina, mas não só: 52% já usa creme de rosto e 40% loção de corpo ou produtos específicos para a barba.

Embora se verifique uma evolução na mentalidade do sexo masculino em relação a alguns estereótipos, o estudo revela que há ainda um em cada quatro inquiridos que acredita que os homens não são tão capazes de cuidarem dos filhos como as mulheres ou que não devem mostrar sinais de fraqueza em público.

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