O Talent Trends 2025, estudo global sobre tendências de talento, da Michael Page, revela que cerca de 45% dos profissionais portugueses utilizam a IA nas suas rotinas de trabalho, sendo que 82% tem uma utilização frequente, mais do que uma vez por semana.
Os dados revelam ainda um aumento de 50% de profissionais que utilizam a IA no seu ambiente de trabalho relativamente ao ano passado. No entanto, estes profissionais manifestam falta de orientação por parte das suas organizações relativamente à utilização da IA, e apontam a necessidade de maior clareza.
O verdadeiro desafio, como conclui o estudo, está em preparar os líderes para reconhecer a sua responsabilidade na gestão da transformação da IA e comunicar de forma estratégica, ética e alinhada às necessidades reais das empresas.
O estudo destaca que a maioria dos inquiridos tem uma opinião positiva sobre o impacto das ferramentas de IA no trabalho. Cerca de 75% reconhece melhorias na produtividade e na qualidade do trabalho com recurso à IA, enquanto 71% considera que é uma ferramenta útil para impulsionar a eficiência e a produção, o que resulta em benefícios claros para as empresas. Mais de metade (56%) afirma ainda que a utilização da GenAI no local de trabalho permite que se concentrem em tarefas mais gratificantes.
No entanto, embora o uso da IA esteja a crescer de forma acelerada no ambiente de trabalho, acompanhar a velocidade desta transformação tem-se revelado um desafio para os gestores. Segundo os dados obtidos no Talent Trends, existe uma lacuna crescente entre a utilização da IA por parte dos profissionais e as políticas e directrizes das organizações. Essa disparidade cria novos desafios empresariais para os líderes e exige que alinhem as equipas, enfrentem os obstáculos de IA e reestruturem as suas empresas para a mudança.
Os dados mostram ainda que os profissionais estão mais preparados para adoptar a IA no local de trabalho, estão mais familiarizados com as ferramentas de IA e gostariam de ter mais apoio e formação por parte das empresas. Um em cada três colaboradores utiliza as suas próprias ferramentas de IA em vez de utilizar as fornecidas pela sua organização.
Os profissionais solicitam mais orientações sobre como utilizar a IA de forma eficaz, mas os seus comportamentos indicam que não estão a receber essas directrizes. Esta discrepância levanta questões essenciais acerca da supervisão, segurança dos dados, conformidade com a regulamentação e ética empresarial. Conforme apontado pelo estudo, cerca de 50% dos inquiridos não acredita que a sua empresa os esteja a preparar de forma adequada para integrar a GenAI no trabalho.
«A adopção da GenAI como ferramenta estratégica está a ganhar expressão entre os profissionais, que a identificam como um instrumento determinante para optimizar o desempenho individual. Paralelamente, as organizações que integram a GenAI nos seus modelos operacionais e processos de negócio estão a obter ganhos significativos em termos de agilidade, inovação e posicionamento competitivo», esclarece Sílvia Nunes, Senior director da Michael Page, Portugal.
«Num cenário em que a literacia tecnológica é cada vez mais valorizada pelas novas gerações, a atractividade das empresas passará não apenas pela sua capacidade de acompanhar o ritmo acelerado da transformação digital, mas sobretudo pela clareza e coerência com que definem, comunicam e implementam a sua visão estratégica relativamente à utilização responsável e eficaz da GenAI», acrescenta.
O estudo conclui que a clareza é o novo diferencial competitivo para as organizações. Desde a IA a outras questões estruturais, como a política salarial, a flexibilidade, os valores e a cultura organizacional, os profissionais exigem respostas inequívocas.












































































































































































































