Para muitos jovens da Geração Z, a IA já faz parte da rotina diária. Quase metade dos inquiridos europeus desta geração (42%) utiliza a IA todos os dias ou quase todos os dias, a percentagem mais elevada entre todos os grupos demográficos. Entre estes, 51% utilizam-na para procurar informação, 46% para estudar, 39% para gerar novas ideias e 28% para trabalhar.
No entanto, a Geração Z não utiliza a IA apenas como uma ferramenta prática. Cerca de 19% dos inquiridos europeus afirma utilizá-la como um amigo — uma proporção superior à registada nas restantes gerações. Este dado aponta para uma mudança emergente no papel da inteligência artificial: de uma tecnologia a que as pessoas recorrem para tarefas específicas para uma tecnologia que também pode ser utilizada para conversar, para procurar apoio emocional ou para fazer companhia. Segundo este estudo, 29% dos inquiridos na Europa encara a IA como um especialista em inúmeras áreas – desporto, nutrição, coaching e psicólogo – enquanto 23% recorre a estas ferramentas para planear e organizar viagens.
A utilização da IA para questões pessoais demonstra a forma natural como os sistemas conversacionais se integram nos hábitos digitais da Geração Z. De acordo com o estudo, 23% dos inquiridos desta geração utilizam a IA para falar sobre questões pessoais que prefeririam não partilhar com outras pessoas. Isto pode fazer com que a IA pareça um espaço privado e emocionalmente seguro, mas não é um amigo humano: as suas respostas podem ser incorrectas ou inadequadas e os utilizadores podem revelar informação sensível com maior facilidade do que fariam num serviço online convencional.
Apesar do elevado nível de actividade e confiança online da Geração Z, muitos inquiridos europeus subestimam os riscos associados à inteligência artificial. Apesar de 90% dos utilizadores recorrerem à aplicação de medidas de protecção quando utiliza serviços de IA, apenas 35% o faz de forma consistente, o que inclui verificar a informação através de outras fontes fiáveis e evitar a partilha de dados confidenciais ou sensíveis. Os restantes utilizadores adoptam estas precauções apenas ocasionalmente (55%) ou não as adoptam de todo (10%).
Esta diferença é particularmente relevante à medida que a IA passa a estar cada vez mais presente na educação, na comunicação e na tomada de decisões pessoais. A informação incorrecta gerada por um sistema de IA pode afectar trabalhos académicos ou decisões do dia-a-dia, enquanto a informação partilhada numa conversa pode incluir documentos pessoais, passwords, dados financeiros, informação relacionada com a saúde ou mensagens privadas. Quanto mais pessoal for a interacção, mais importante é recordar que a informação introduzida num serviço de IA deve ser automaticamente tratada como não confidencial.
O estudo foi realizado pelo centro de estudos de mercado da Kaspersky em Março. Participaram no inquérito 7200 pessoas de 18 países (Brasil, China, Colômbia, Egito, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Malásia, México, Rússia, Arábia Saudita, Espanha, África do Sul, Tailândia, Turquia e Vietname).













