Um novo paradigma de liderança: pela primeira vez, o salário não é a principal preocupação

Tânia Reis
6 de Agosto 2025 | 10:10

A mais recente edição do relatório Talent Trends 2025, da Page Executive, é dedicada em exclusivo à liderança executiva e revela uma novidade surpreendente nas prioridades dos decisores de topo a nível global.

 

A Executive & Senior Leadership Edition mostra que, pela primeira vez, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal ultrapassa a remuneração e o progresso na carreira como principal preocupação dos líderes empresariais.

Baseado em mais de 4000 respostas de Executivos em seis continentes, incluindo 1500 na Europa, o estudo evidencia um novo paradigma de liderança, orientado por valores como clareza, propósito e inclusão, num contexto marcado pela disrupção tecnológica e pela transformação profunda das expectativas em torno do trabalho.

O estudo identifica quatro principais factores-chave:

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O equilíbrio assume o protagonismo: Para 25% dos executivos na Europa Continental, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal surge como a principal prioridade, superando a remuneração e a evolução da sua trajectória profissional. A média global atinge os 29%.

Adopção de IA acelera: 60% dos executivos afirmam recorrer à Inteligência Artificial Generativa, embora 19% revelem não se sentir devidamente preparados, apontando a formação insuficiente e a ausência de uma estratégia clara como principais obstáculos. Ainda assim, os líderes europeus demonstram um nível de confiança significativamente superior ao dos seus pares a nível global, entre os quais 32% reconhecem não estar devidamente preparados para integrar esta tecnologia.

Inclusão continua aquém: Apenas 41% dos inquiridos afirmam poder expressar-se de forma autêntica no local de trabalho, um valor ligeiramente acima da média global (38%). Apenas 26% consideram o seu ambiente profissional verdadeiramente inclusivo, valor em linha com o cenário global (27%).

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A confiança como factor determinante: Quase metade dos executivos europeus (45%) confia na capacidade da sua organização para equilibrar eficazmente as exigências do negócio com o bem-estar dos colaboradores, um valor ligeiramente abaixo da média global (49%). Em contrapartida, 19% referem níveis reduzidos ou inexistentes de confiança, face a 15% a nível mundial.

«A clareza deixou de ser um luxo para se afirmar como um verdadeiro factor de vantagem competitiva. Os líderes procuram hoje uma compreensão clara da sua posição, da direção que estão a seguir e da forma como os seus valores se alinham com a missão da organização», afirma Anthony Thompson, CEO da Page Executive.

Pedro Borges Caroço, head Page Executive Portugal e director na Michael Page, acrescentou: «Os líderes valorizam hoje contextos onde possam crescer com liberdade, equilíbrio e sentido de pertença. Cada vez mais, procuram empresas que ofereçam flexibilidade real, propósito claro e oportunidades de impacto, tanto local como global”.

O relatório aponta igualmente cinco prioridades para as organizações:

Promover o desenvolvimento de carreira e a mobilidade internacional

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Disponibilizar percursos estruturados de progressão e oportunidades de mobilidade internacional. Os executivos valorizam contextos que estimulem as suas competências e expandam a sua visão estratégica.

Alinhar cultura organizacional com os valores

Garantir que a cultura interna traduz, de forma autêntica, os valores que mobilizam a liderança, com destaque para a transparência, o propósito e a responsabilidade social.

Clarificar o papel da IA na liderança

Fornecer orientação estratégica e formação executiva sobre o potencial da IA como ferramenta de apoio à tomada de decisão e não como substituto da liderança.

Liderar com intenção e transparência

Comunicar de forma clara os objectivos estratégicos, os desafios e as expectativas organizacionais. A clareza e a transparência são fundamentais para reforçar a confiança e assegurar o alinhamento interno.

Integrar a inclusão de forma estrutural na liderança

Ultrapassar iniciativas simbólicas de diversidade, promovendo ambientes onde todos os líderes se sintam reconhecidos, escutados e genuinamente valorizados.

 

O relatório revela ainda um dado expressivo: mais de metade dos executivos inquiridos afirma que rejeitaria uma promoção caso esta comprometesse o seu bem-estar pessoal, uma preferência que se acentua entre as mulheres em funções de liderança, reforçando a primazia do propósito face ao prestígio.

«Reter talento de topo implica que as organizações incorporem, de forma consistente, equidade, clareza e confiança em todos os níveis da sua estrutura de liderança», sublinha Rani Nandan, directora de Cultura Inclusiva e Impacto Social da Page Executive.

Aceda ao relatório e à ferramenta interactiva, onde poderá ter acesso a dados adicionais e insights exclusivos, em: https://shorturl.at/q6uSE

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