O novo Barómetro da Deco Proteste revela que mais de um quarto dos agregados familiares inquiridos referiram que o seu rendimento sofreu cortes iguais ou superiores a 25% e duas em cada três famílias portuguesas enfrentam dificuldades para suportar os custos inerentes ao dia-a-dia. O relatório ilustra, geograficamente, quais as áreas mais afectadas e quais as despesas mais pesadas para as famílias portuguesas neste novo contexto.
O Barómetro da DECO Proteste, que inquiriu 4690 agregados, mostra que 31% dos agregados situam-se no campo “conforto financeiro”, mostrando facilidade em pagar as suas contas, mas não mais do que isso. Partindo dos dados do Instituto Nacional de Estatística, no segundo trimestre de 2020, cerca de um milhão de pessoas estava a trabalhar a partir de casa, diminuindo as despesas com transporte e alimentação em restaurantes.
A nível de lazer, muitas salas de espetáculo e comércio funcionavam a meio gás, algumas viagens foram canceladas, contribuindo para a poupança dos portugueses. Esta situação fez com que as famílias em dificuldade diminuíssem em 2020, comparativamente com os dados apresentados em 2019, melhoria que reflecte apenas a redução de gastos.
De acordo com os dados do Barómetro, a necessidade de equipamento para as aulas a partir de casa é a explicação lógica para o acréscimo de dificuldade em honrar as despesas de educação, em 2020, em todas as regiões, à excepção de Lisboa e Vale do Tejo.
Enumerando, porém, as parcelas a que mais dificilmente as famílias conseguem fazer face, os gastos com o automóvel (combustível, manutenção e seguros) ocupam o topo da lista. Seguem-se as despesas com dentista, férias grandes (viagens e estadias), manutenção da casa (obras, pinturas, etc.) e óculos e aparelhos auditivos.
Porto, Vila Real, Setúbal e Aveiro são os distritos a Norte onde as famílias vivem com mais dificuldades. O Barómetro identificou o distrito de Vila Real com mais agregados em zona de desconforto (82%) e, no Centro, Aveiro (79 por cento). Em Leiria e Setúbal, as percentagens também andam na casa dos 70 por cento.
O barómetro indica ainda que nas regiões Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo, as despesas com o lazer são as referidas com maior frequência como as mais difíceis de pagar, embora também lhes seja atribuído menor valor. No segundo lugar dos gastos mais expressivos, posicionam-se os associados à saúde.
Por sua vez, é desigual o peso económico das despesas com a habitação e com a saúde. Revela-se mais pesado no Centro (42% de dificuldade), quando comparado com o Norte (32 por cento). Da mesma forma, é no Centro que os dispêndios com a mobilidade (automóvel e outros transportes) são mais acentuados.
Em Lisboa e Vale do Tejo, os custos com a alimentação e a educação têm menos força do que no Norte e Centro, regiões nas quais são maior fonte de preocupação no dia-a-dia.
No Sul e Ilhas, o Algarve e Madeira sofreram o maior impacto nos rendimentos. As actividades dependentes do turismo, quase congeladas, tiveram um papel a desempenhar no encurtamento da liquidez. Mais de 40% dos inquiridos no Algarve e na Madeira dão conta de um decréscimo do rendimento em 25% ou mais.
O estudo da DECO Proteste apurou que, na região mais a sul, no distrito de Faro, as dificuldades financeiras atingem mais de 80% das famílias. Em terras alentejanas, o cenário é um pouco melhor, mas, ainda assim, os dados são igualmente preocupantes. No distrito de Évora, contabilizaram-se 76% de agregados em esforço. E, na região dos Açores, identificada até há pouco tempo como a mais pobre de Portugal, o Barómetro detetou 75% das famílias em dificuldade.
As despesas com a habitação revelam-se mais difíceis de debelar na região algarvia (53%), em claro contraste com o Alentejo ou com Lisboa e Vale do Tejo, onde se identificou uma inacessibilidade financeira de 34 por cento. É igualmente no Algarve (46%), mas também nos Açores (43%), que os custos com o lazer são mais difíceis de suportar.
Na Madeira, ficam-se pelos 30 por cento. Já este arquipélago é a única região onde a saúde é o gasto mais problemático, à frente das despesas com a habitação, que lideram as dificuldades nas outras zonas. A mobilidade (automóvel e outros transportes) é, em regra, a terceira despesa mais desafiante para os orçamentos familiares.














