
Uma visão da primeira pandemia global do século XXI, vista do futuro
«Hoje, em 2025, ninguém tem dúvidas sobre o papel disruptivo que as pessoas tiveram no “reset” global que se seguiu àquele ‘annus horribilis’ de 2020».
Por Tiago Brandão, director-geral da The Browers Company
«Porto, Junho de 2025. Celebram-se hoje 15 anos desde a primeira edição da Human Resources, a reputada revista do Multipublicações Media Group. Pelas responsabilidades que, honrosamente, desempenhei no Conselho Editorial desta publicação durante alguns anos, faço questão de ditar ao meu assistente digital de texto este curto excerto, para que o transcreva e envie à direcção editorial. Espero que estas palavras sirvam o meu propósito de reconhecimento, retrospectiva e elogio à Human Resources.
Faz agora cinco anos, enquanto ainda vivíamos a primeira pandemia global do século XXI – a COVID-19 –, que o “Reset” foi elevado a tema da 19.ª Conferência da Human Resources. Foi um evento excelente, como habitual: discutiram-se novas competências; novas ferramentas digitais para os processos de trabalho, novas práticas para mitigar riscos de contaminação nas empresas. Debateram-se também as medidas para fazer frente ao desemprego que a pandemia viria a ampliar, globalmente.
Nesse evento, que foi aliás o último realizado com intervenções exclusivamente presenciais, ficou-me na memória uma conclusão (ou terá sido uma “visão”?) que emergiu do discurso de um dos oradores: “o impacto da COVID-19 será tão relevante para o modelo de governo das organizações que, daqui a cinco anos, estaremos a concluir que originou o novo paradigma da Gestão de Recursos Humanos”.
Muitos se entreolharam! Os 10 anos anteriores a 2020 tinham sido muito incrementais (ou pouco disruptivos) em termos de práticas de gestão de Recursos Humanos. Viveu-se uma época de reforço das competências soft, em detrimento das hard, que exigiu dos directores RH a aposta em modelos de gestão de capital humano ágeis e menos burocráticos. A adaptabilidade das pessoas fora “lei”, o achatamento das hierarquias uma “regra”, a liderança de equipas talentosas a competência que distinguiu sucesso de … extinção!
Foram 10 anos em que os directores RH actuaram mais “just in time”, procurando responder de modo eficaz e célere a desafios que as novas “gerações world wide web” (Z, Millennials) colocavam à gestão do talento. Adaptaram-se os modelos de Compensação e Benefícios, flexibilizaram-se horários de trabalho e os regimes de contratação, individualizaram-se planos de formação, (re)construíram-se equipas mais centradas na colaboração e menos na hierarquia e voz de comando. Apareceu o “propósito” e a “sustentabilidade”. Esmoreceu a “carreira” e a “estabilidade”.
Nesse Julho de 2020, no final daquela 19.ª Conferência da Human Resources, à saída d’O Clube – Monsanto Secret Spot, todos se interrogaram sobre esse “novo paradigma”: qual seria e como se manifestaria?
Com efeito, era claro para todos que os tempos que se seguiriam à pandemia teriam um impacto socioeconómico atroz: gestores antecipavam as transformações nos modelos de negócio das empresas; directores RH anteviam a aceleração imposta ao desenvolvimento de competências digitais das suas pessoas; governos nacionais e mundiais testavam medidas de emergência para evitar recessão e depressão longas. Porém, ninguém conseguia ter resposta objectiva para as questões acima mencionadas sobre o tal “novo paradigma”.
Pois bem, passados cinco anos sobre esse momento “visionário” da XIX Conferência da melhor publicação portuguesa sobre Recursos Humanos, a comunidade de leitores da Human Resources tem finalmente as respostas que procurava: o “novo paradigma” da Gestão de Recursos Humanos denomina-se “#error_001#”! *
Hoje, em 2025, ninguém tem dúvidas sobre o papel disruptivo que as pessoas tiveram no “reset” global que se seguiu àquele ‘annus horribilis’ de 2020, nem do papel central que as pessoas estão a ter no tal “novo paradigma” que vivemos.
Parabéns Human Resources por mais este aniversário!
* o assistente digital de texto não encontrou qualquer palavra ou expressão na sua base de dados correspondente ao som de comando emitido pelo autor
Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Julho (n.º 115) da Human Resources.