Por Leo Capelossi, fundador da ambi., empresa portuguesa de recrutamento e inteligência de talent entre EUA, Reino Unido, Europa e Brasil
Se está a ler estas palavras neste momento, provavelmente estará a pensar: será que estou a usar o Linkedin da forma errada?
Entre no seu perfil e olhe bem antes de continuar esta leitura.
Se não actualiza o perfil há meses, entra de vez em quando para ler o feed, distribui alguns likes aleatórios e eventualmente até aplica para algumas posições que lhe parecem interessantes, temos muito o que conversar.
Agora se tem a certeza de que o seu Linkedin está “perfeito”, acompanhe-me nesta leitura para que possamos validar esta certeza juntos, ok?
A sua foto de perfil é recente, feita por uma câmara profissional. Já tem um bom headline e about, afiados com IA. Tem também todas as experiências relevantes listadas, com exemplos, resultados e números que os suportem, certo? Além disso, aplica apenas para as posições relevantes ao seu perfil, e ainda consegue manter um controlo paralelo sobre as vagas para as quais você aplica. Realmente, está muito acima da média do job seeker “normal”.
Tenho uma boa e uma má notícia.
A boa notícia é que tudo isto continua relevante, como era em 2016. A má notícia é que já não é o suficiente.
Em 2016, uma candidatura online tinha por volta de 15% de chance de ser convertida em entrevista. Hoje esse número gira em torno de 2 a 3%, segundo o CareerPlug. O LinkedIn recebe assustadoras 11 mil candidaturas por minuto (dados do LinkedIn via New York Times, 2025).
O que aconteceu: a IA tornou a aplicação para uma vaga, uma tarefa muito mais rápida e fácil. As ferramentas de auto-apply varrem a rede em pesquisa de posições e os candidatos aplicam em escala industrial para muito mais vagas ao mesmo tempo. E você compete com mais gente, que nem se deu ao trabalho de ler a descrição do cargo.
Faço aqui uma crítica e uma espécie de profecia pessimista: os profissionais estão a perder e perderão ainda mais a capacidade de pensar. E por consequência, de se diferenciar, criar, criticar e assim por diante.
Acredito que o uso exagerado de IA faz com que as pessoas percam potência na sua metacognição: capacidade de pensar sobre como pensamos: autocrítica. O mesmo mecanismo que nos faz ajustar o nosso discurso de acordo com as reacções de uma plateia, o que nos faz reler o capítulo de um livro quando nos damos conta de que nos distraímos e não absorvemos o conteúdo.
Os candidatos delegam o texto inteiro do seu perfil de Linkedin, o seu currículo, o texto ou respostas para a aplicação a uma vaga. Quando deixa a máquina pensar no seu lugar, perde a capacidade de avaliar o próprio contexto, entender o problema real da empresa e formular uma leitura crítica de negócio, além de não criar uma candidatura de facto interessante e verdadeira – sei disso, pois recebemos centenas de candidaturas semanalmente para os clientes da ambi, a minha empresa de recrutamento e muitas delas não só soam genéricas, como algumas ainda carregam placeholders como: (Nome da Empresa), ou (Inserir nome do cargo), ou então (Preencher com os resultados).
Não preciso nem dizer que delegar tudo para a IA é um tiro no pé.
É também importante observar que entre 70% e 80% das contratações seniores e estratégicas nunca chegam a virar um anúncio público de vaga no LinkedIn. Muitas posições críticas fecham por hunting activo, indicação directa, mapeamento prévio de mercado e redes de confiança fechadas. Quando uma vaga executiva vai a público, muitas vezes o processo já está na fase final.
Portanto, como driblar este emaranhado tecnológico complexo? Deixar de disputar a fila pública de 600 candidatos para uma vaga no Linkedin e aprender a existir no radar onde as decisões são tomadas antes do anúncio, além de melhorar as suas chances na própria rede.
Vamos lá, algumas dicas práticas:
- Ajustar o perfil para pesquisa e indexação: O perfil não é um currículo estático em PDF. O headline precisa responder claramente o que você resolve, para quem e com qual stack/expertise de negócio.
- Mapeamento cirúrgico de empresas e decisores: Listar 15 a 20 empresas em que de facto teria interesse em trabalhar e decisores na sua área, dentro destas organizações (fundadores, heads da área, recrutadores especializados). Interagir com eles, em vez de atirar para 300 empresas aleatórias.
- Comentários com substância (dar sinais): Em vez de postar frases feitas com IA ou apenas curtir, interagir nos posts dessas pessoas com as suas opiniões verdadeiras. É isso que treina o algoritmo a mostrar o seu perfil a quem de facto interessa e o coloca na memória de quem decide.
- Abordagem directa sem “textão”: Eliminar o textão formal com CV anexado que parece spam. Uma mensagem curta, humana, contextualizada sobre um desafio real da empresa ou um ponto de conexão genuíno e, com isto, passar a ser considerado não só por uma aplicação feita na secção de Jobs no Linkedin.
- Para quem ousa ir além, apostar na produção de conteúdo genuíno para reforçar autoridade e posicionamento no Linkedin.
O Linkedin consolidou-se e fortalece-se cada vez mais como a principal ferramenta na busca de oportunidades de trabalho no universo corporativo e também para gerar negócios B2B. É importante que aprenda a navegar a nova realidade deste canal, pois a sua experiência e potencial por si só, não serão visíveis se não houver acções estratégicas.
Muitas vezes, profissionais não tão experientes e qualificados como você, ficam com as posições que gostaria de ter. Só porque aparecem.
Não tenha vergonha, apareça também. Sugiro seguir o meu perfil no Linkedin (https://www.linkedin.com/in/leocapelossi/), posto dicas, vagas e melhores práticas semanalmente.


















