Em Dezembro de 2022, várias agências governamentais dos Estados Unidos começaram a proibir o TikTok nos dispositivos dos seus colaboradores. A app, criada pela empresa chinesa ByteDance, tem estado no radar das autoridades americanas há muito tempo devido aos seus inúmeros problemas relacionados com a privacidade. Mais recentemente, em Fevereiro, foi a vez de a Comissão Europeia e o Conselho da União, em Bruxelas, adoptarem a mesma medida relativamente aos seus colaboradores.
Com isto em mente, Adrianus Warmenhoven, consultor de cibersegurança da NordVPN, explica cinco maneiras de o TikTok violar a privacidade dos seus 3,24 milhões de utilizadores portugueses.
1. Algoritmo orientado por dados e rastreamento intrusivo
Uma razão para o sucesso da app é que ela pode fornecer aos utilizadores conteúdo altamente individualizado. Cada utilizador tem o seu próprio feed exclusivo baseado nos seus interesses e preferências. Mas por trás dessa abordagem individual está a prática de recolher grandes quantidades de dados do utilizador dentro e fora da aplicação.
Assim que o utilizador começa a usar o TikTok, a empresa começa a construir um perfil sobre ele, incluindo os seus interesses, tendências políticas, sexualidade e todas as outras variáveis que podem afectar a selecção dos vídeos a que ele assiste. O TikTok também recolhe informações sobre os padrões de pressionamento das teclas, informações de localização, histórico do browser e até informações biométricas (impressão facial e de voz) dos utilizadores.
O problema de tudo isto não é só o facto de uma grande empresa ter informações tão detalhadas sobre os seus utilizadores e poder mais tarde usá-las para fins de marketing. É também a possibilidade de ser necessária apenas uma violação de dados para que essas informações caiam nas mãos erradas. Os hackers estão ansiosos por roubar dados valiosos de empresas online e usá-las depois para os seus próprios fins maliciosos.
2. Desrespeito pelos direitos de privacidade dos jornalistas
No final de Dezembro de 2022, a Reuters informou que a ByteDance, a empresa responsável pelo TikTok, despediu quatro colaboradores por terem obtido dados de dois jornalistas americanos. Isto aconteceu durante a investigação mal sucedida do TikTok sobre violações de dados que aconteceram com a empresa no ano passado.
Embora o TikTok tenha despedido os colaboradores, o facto de eles terem conseguido obter tais informações demonstra a falta de segurança dos dados na empresa. Além disso, mostrou que a empresa não deixa anónimos os endereços IP, localizações e histórico de navegação. Tal significa que tudo o que uma pessoa faz na app é directamente vinculado ao endereço IP do utilizador. Manter as informações de navegação privadas é importante para todos os utilizadores, especialmente para grupos vulneráveis como activistas, jornalistas ou políticos.
3. Browser na app do TikTok
O TikTok usa um browser integrado na própria app. Isto significa que, quando os utilizadores tentam navegar fora do TikTok através de um anúncio ou link na bio, eles na verdade permanecem na aplicação. Em vez de mudar para o Chrome ou Safari, os utilizadores vêem as páginas através do próprio navegador do TikTok.
O navegador interno permite à empresa monitorizar o comportamento em sites e páginas que um utilizador pode assumir não estar ao alcance do TikTok. Este tipo de monitorização é outra área em que os utilizadores podem acabar por expor mais informações pessoais do que pretendem.
4. ByteDance e o Partido Comunista Chinês (PCC)
O TikTok é propriedade da ByteDance, uma empresa com sede na China. De acordo com a lei chinesa, é necessário partilhar os dados de utilizadores com as autoridades, caso tal lhe seja solicitado.
O TikTok também é, compreensivelmente, incentivado a permanecer alinhado com a política do Partido Comunista Chinês, que alguns dizem ter levado a empresa a suprimir vídeos que discutiam abusos aos direitos humanos contra muçulmanos uigures na província chinesa de Xinjiang.
Embora seja difícil validar a posição do TikTok sobre estes assuntos, o facto de a ByteDance trabalhar sob a autoridade do PCC deve levantar preocupações sobre a privacidade do utilizador.
5. Configurações de privacidade
Ao criarem uma conta no TikTok, os utilizadores concordam que os seus dados sejam recolhidos e usados para publicidade direccionada. Se um utilizador não quiser anúncios personalizados, pode desactivá-los nas configurações. Esta é uma das duas configurações de privacidade que o TikTok permite. A segunda deixa que os utilizadores tornem as suas contas privadas.
À parte do mencionado, a política de privacidade do TikTok permite que a app recolha todo o tipo de informações sobre o seu utilizador sem a possibilidade de desactivação.














