Vai ser criada a primeira região inteligente de Portugal

Margarida Lopes
24 de Julho 2020 | 10:10

A Nova Information Management School (NOVA IMS), da Universidade Nova de Lisboa, e a Comunidade Intermunicipal do Oeste (CIM Oeste) preparam-se para criar a primeira região inteligente do país.

 

O ecossistema criado por esta parceria estratégica permite que a academia e a administração pública possam implementar modelos que ajudem o processo de tomada de decisão de políticas públicas e, simultaneamente, ajudem investidores e agentes económicos a desenvolver actividades económicas de efectivo valor acrescentado, baseado em dados factuais.

Para este fim, a NOVA IMS vai investir um milhão de euros para criar a primeira Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial Smart Region. O projecto piloto arranca no território da Comunidade Intermunicipal do Oeste (CIM Oeste) e terá a duração de dois anos, período após o qual a plataforma Smart Region ficará disponível para ser replicada em todo o território nacional, incluindo Madeira e Açores. Trata-se de um projecto colaborativo de co-criação de uma solução inovadora capaz de potenciar a economia da região assente no conceito de Smart Cities aplicada ao turismo inteligente e sustentável.

O projecto terá um investimento total de 999.843 euros, co-financiados em 57% (569.410 euros) pelo Fundo Social Europeu.  O potencial de retorno económico é calculado em 533.000 euros em 2021 e 2022, considerando a automatização de processos, cuja informação é actualmente recolhida de forma manual, poupanças com a deslocação aos municípios para esclarecimento de questões, redução da despesa com custos médios de comunicações móveis, entre outros.

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Tirando partindo do potencial de criação de capacidades analíticas gerado pelas iniciativas Wi-Fi dos Centros Históricos do Turismo de Portugal e WiFi4EU da Comissão Europeia, este projecto tem como objectivo geral criar a primeira plataforma analítica integrada de inteligência territorial que, numa abordagem de big data e ciência dos dados, oferecerá capacidades de recolha, armazenamento, processamento e análise dos dados provenientes dos sistemas operacionais e das redes de sensores municipais integrados com os dados gerados pelas redes Wi-Fi públicas dos municípios abrangidos.

Esta abordagem altera o paradigma de planeamento e gestão do turismo e hospitalidade à escala intermunicipal numa abordagem de Smart & Sustainable Tourism.

Através desta plataforma será possível compreender a interacção das pessoas, que vivem, trabalham ou visitam o território da CIM Oeste, com base nos dados do registo e utilização dos pontos de acesso Wi-Fi, envolvendo as dimensões espaço e tempo na análise. Por exemplo, conhecer o número e características de pessoas em eventos e locais, distinguir entre visitantes novos e recorrentes, estabelecer horas de ponta, traçar padrões de deslocação, marcar pontos de interesse.

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Em paralelo, irá permitir disponibilizar uma aplicação que melhora a experiência de quem visita a comunidade intermunicipal tirando partido do cruzamento de dados provenientes dos sistemas operacionais municipais com os dados originários das redes de Wi-Fi visando disponibilizar informação dinâmica no espaço e no tempo e suportando acções de marketing de contexto, isto é, entregar informação personalizada em função do momento e local onde a pessoa se encontra.

A Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial Smart Region visa aproveitar as tecnologias de informação e comunicação e, assente na identidade territorial, alavancar a geração de conhecimento para promover a regeneração económica, a coesão social, uma melhor administração do território e gestão das infraestruturas, passando de uma lógica de gestão urbana reactiva para uma lógica proactiva, suportada pela transformação digital e baseada no conhecimento, na disponibilização alargada de dados e na actualização permanente da informação.

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