O valor total de fusões e aquisições em Portugal no primeiro ano da pandemia COVID-19 aumentou 15%, cifrando-se em 17.178 milhões de euros, apesar de uma redução no número de transações, segundo um relatório divulgado.
O relatório M&A [Mergers and Acquisitions] em Portugal, da Abreu Advogados e da Transactional Track Record (TTR), refere que «a pandemia de coronavírus teve um forte impacto nas economias portuguesa e mundial» e que os mercados de M&A «reagiram de diversas formas, seja pelo cancelamento imediato de transações, suspensão de algumas, retomadas meses depois, e ainda o adiamento de outras».
«Este contexto levou a uma diminuição do número de transações em Portugal de 21% entre Abril de 2020 e Março de 2021 (primeiro ano de COVID-19) comparativamente a 2019, ano em que registou um aumento do volume de 26% relativamente a 2018», detalha o relatório.
No documento, os autores referem também que houve uma queda de 21% do número total de transacções entre 1 de Abril de 2020 e 31 de Março de 2021, contra o aumento de 26% em 2019.
As grandes transações corresponderam «a uma maior percentagem do volume total e a uma percentagem consideravelmente mais elevada do valor total de transações em Portugal» entre Abril de 2020 e Março deste ano.
As transações com um valor entre 100 milhões e 500 milhões cresceram 53%, enquanto a percentagem do valor acumulado e as de valor superior a 500 milhões de euros registaram um aumento de 52%, de acordo com a mesma fonte.
O relatório considera também que «a realidade portuguesa do mercado de M&A está alinhada com a tendência mundial», e que «embora subsistam dúvidas quanto à sustentabilidade do crescimento do valor total de transacções, Portugal está a melhorar o seu posicionamento no meio empresarial internacional».
O documento destaca que durante o ano em análise, Portugal «entrou no top 10 dos países mais atractivos para o Investimento Directo Estrangeiro (IDE)».
«As perturbações e incertezas causadas pela pandemia em 2020 fizeram com que a atratividade do IDE nos países europeus diminuísse 13% em comparação com o ano anterior. No entanto, de acordo com a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), em Portugal, foram anunciados 154 projectos de IDE, o que representa apenas um ligeiro decréscimo face aos 158 registados no ano anterior», reforça o relatório.
Entre os países estrangeiros com mais transações realizadas no primeiro ano de COVID-19 estão Espanha (32), França (26) e Reino Unido (22).
Os sectores da Saúde e da Tecnologia foram considerados os mais resilientes, tendo as suas transacções caído, respectivamente, 7% e 17% face a 2019, tendo este último crescido em termos de valor total, com um aumento de 40%, para 4.370,13 milhões de euros.














