Vanda de Jesus, Portugal Digital: «Num índice que lidera a sociedade digital, onde Portugal aparece pior classificado é no capital humano»

Vanda de Jesus, directora executiva do Portugal Digital, foi oradora da 20.ª edição da Conferência da Human Resoures e destacou a importância da transição de Portugal de uma startup nation para uma digital nation.

Por Margarida Lopes | Foto: Nuno Carrancho, NC Produções

 

«Esta transição – começou por salientar – não implica transformar tudo em digital, não podemos ter tudo digital, mas é necessário preparar a nossa economia para a capacidade de resiliência que o digital traz. Está provado que as empresas que são mais digitais ficam mais resilientes.»

E transformar para Portugal numa nação digital, «as pessoas que gerem talento são essenciais», afirmou Vanda de Jesus. «Num índice que lidera a sociedade digital, que é medido por cinco componentes – conectividade, gestão de talento/capital humano, utilização de serviços de internet, integração da tecnologia pelas empresas e serviços digitais -, onde Portugal aparece pior classificado é no capital humano e por isso é que precisamos tanto das pessoas que trabalham o capital humano e dos nossos líderes», reiterou.

De acordo com dados recentes citados pela responsável, em 2019, 22% da população portuguesa era infoexcluída da vida digital porque não tinha acesso à internet, sendo que este número baixou para 19% durante a pandemia.

Nas empresas também se vê mais presença digital: passaram de 40% para 60%, mas, apesar de ser um aumento positivo, para a directora executiva do Portugal Digital não chega. E explica: «Há uma maior sensibilidade para o digital mas ainda não tem impacto estratégico na empresa, uma vez que só 25% das empresas é que fazem algum tipo de integração entre a loja física e a loja digital. E só 27% tem uma estratégia digital que envolva todas as áreas áreas da organização. Ou seja, fala-se muito de como a pandemia veio acelerar o digital, mas diria que mais do que acelerar, veio sensibilizar, porque o trabalho ainda está por fazer. Gostava de desafiar todos os líderes das empresas a fazê-lo porque Portugal já é visto como um destino prioritário de investimento. Temos de aproveitar este momento para trazer mais turistas e mais investimento para Portugal», sublinhou.

Vanda de Jesus destacou três características que devem ser usadas para vender a imagem de Portugal:

  • Infraestruturas;
  • Conectividade
  • Talento

Esta última – o talento – é, na sua opinião, um dos critérios mais importantes para atrair investimento. «Tudo o que pudermos fazer para capacitar a nossa economia, as nossas empresas e as pessoas que lá trabalham para esta economia digital vai posicionar-nos de forma completamente diferente no futuro

Por outro lado, o digital veio eliminar completamente o conceito de barreiras e da periferia. «Portugal já não tem de ser o cantinho da Europa. Com a COVID-19, ficou provado que se pode trabalhar em qualquer parte do mundo, e quem diz Portugal no mundo, diz também a coesão territorial. Há pessoas que já saíram de Lisboa e foram para o interior porque perceberam que podiam trabalhar lá. Se fizermos isto, vamos ser um país efectivamente mais forte e mais coeso. Há um conjunto de medidas no terreno e temos de fazer esta aposta.»

 

Propósito
Vanda de Jesus partilhou ainda que «o propósito do Portugal Digital é acelerar Portugal, projectar o país no mundo, sem deixar ninguém para trás, orquestrando todas estas medidas da área digital que estão a ser tomadas no país». E enunciou os seis princípios orientadores, que regem actividade do Portugal Digital:

1. A ambição de tornar Portugal um país referência na área digital;

2. O pragmatismo: Capitalizar os diversos programas e estratégias já existentes;

3. O envolvimento de agentes públicos e privados no programa;

4. Comunicação e promoção da estratégia em Portugal e a nível internacional,

5. Monotorização e responsabilização dos diversos owners através da definição e implementação de um modelo transparente,

6. Foco transversal, a estratégia integrada com foco no cidadão nas empresas e no Estado.

 

A responsável identificou ainda dos três pilares que norteiam o plano de acção de transição digital aprovado pelo Portugal Digital e que está agora a ser implementado:

  • Capacitação e inclusão digital das pessoas
  • Transformação digital do tecido empresarial
  • Digitalização do Estado.

Não terminou sem deixar uma mensagem para todos: «Estamos todos convocados, temos de resolver este problema colectivamente, os líderes, os colaboradores, os parceiros sociais, o Governo e todas as pessoas que trabalham as organizações são essenciais.»

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