Vêm aí “limpezas de balneário”​ nas empresas? Parece certo que sim (e nos níveis de gestão)

 

Por Pedro Rocha e Silva, CEO da Neves de Almeida HR Consulting

 

Vivemos tempos curiosos no mercado de recrutamento e mobilidade de executivos.

Por um lado, temos o contexto de incerteza, de insegurança e de indefinição, que levam à indecisão e ao protelar de decisões de investimento (em pessoas, como noutras áreas), que colocam um travão forte às contratações e à mobilidade de executivos. Vivemos em muitas organizações o conceito de “wait and see”.

Por outro lado, a grande maioria dos sectores de actividade e das empresas no nosso país vivem momentos exigentes, que levam a um ambiente de maior tensão nas organizações, nomeadamente ao nível da gestão de topo.

Quando tudo corre bem e os resultados aparecem, é normal que exista maior tolerância, maior compreensão, maior complacência para com situações de menor entrega, menor produtividade, desajustamento de perfis ou desalinhamento organizacional. Tende-se a relativizar porque o “bem maior” está garantido.

Em contextos de maior pressão, como é a fase que vivemos, os níveis de exigência crescem brutalmente, nomeadamente em determinadas áreas e as relações entre accionista e administração e entre administração e directores tendem claramente a tornar-se mais tensas e a corda tende a partir mais vezes do que parte em contextos de “velocidade de cruzeiro”.

Momentos de crise são, por regra, momentos de selecção, seja nos diferentes sectores de actividade, em que sobreviverão e proliferarão as empresas mais bem preparadas, mais sólidas e com maior capacidade de adaptação e reinvenção, seja dentro das empresas, em que ganharão força e relevância aqueles que se mostrarem mais capazes de dar resposta aos novos desafios.

Neste contexto, e pelo que vou observando e ouvindo, perspectivam-se mudanças nos níveis de gestão, seja porque são absolutamente essenciais para a “luta” que as empresas necessitam travar face a este contexto adverso, seja porque sob o pretexto de todo este contexto, e quando já se vislumbrar uma luz ao fundo do túnel, muitas organizações irão aproveitar (e bem) esta fase para fazer a chamada “limpeza de balneário”, substituindo aqueles em que este contexto serviu para tornar transparentes algumas fragilidades.

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