Para combater a falta de mão-de-obra, a estratégia da Vialsil passa pela contratação de trabalhadores estrangeiros, com um plano de acolhimento concertado. Apesar dos desafios, as mais-valias são irrefutáveis, garante Paula Carvalho, responsável do departamento de Recursos Humanos.
Por Tânia Reis
A Vialsil opera há 30 anos no ramo da construção e conservação de vias de comunicação e infra-estruturas, abrangendo desde de barreiras acústicas e sinalização temporária a estruturas metálicas e controlo de vegetação.
Sediada em Baião, no distrito do Porto, emprega cerca de 150 colaboradores, e Paula Carvalho, que lidera a área de Recursos Humanos, reconhece que a actual estratégia de Gestão de Pessoas está totalmente centrada no desenvolvimento humano. «Hoje, reconhecemos o papel fundamental que os nossos colaboradores têm no sucesso da empresa e investimos activamente na sua valorização, bem-estar e capacitação.» A profissionalização da área de Recursos Humanos, a integração de novas tecnologias e a crescente diversidade são alguns dos marcos que moldaram essa evolução.
Com base em quatro pilares fundamentais: valorização das pessoas; formação e desenvolvimento; bem-estar e inclusão; e diversidade, trabalham diariamente para «proporcionar um ambiente de trabalho seguro e saudável» aos seus profissionais.
Contudo, a responsável aponta alguns desafios. Desde logo, e primeiramente, a geografia. Num município com pouco mais de 17 mil habitantes, «atrair talento é, de facto, um desafio». A principal solução passa por alargar o recrutamento não só a outras zonas da região, mas também a outros países. «Uma parte significativa dos colaboradores é natural de Baião e dos concelhos vizinhos», sublinha, acrescentando que a prioridade sempre foi a contratação local, pois essa proximidade contribui para uma «maior coesão da equipa e um envolvimento mais profundo» com a cultura organizacional. No entanto, em resposta à crescente dificuldade em encontrar mão-de-obra local, há cerca de seis anos a empresa começou a contratar trabalhadores estrangeiros.
Uma integração estruturada
Paula Carvalho garante que a cooperação de entidades como o Alto Comissariado para as Migrações e de associações representativas das comunidades estrangeiras em Portugal «contribuiu de forma significativa para o sucesso da integração dos colaboradores e para a eficácia desta iniciativa».
Actualmente, cerca de 20% dos colaboradores são oriundos de outros países, sendo os principais representados o Vietname, Timor-Leste, Senegal, Índia, Brasil, Angola e, mais recentemente, Nepal. E esta diversidade tem vindo a crescer «de forma gradual e sustentada».
A integração é feita de forma estruturada e acompanhada, através de um plano de acolhimento específico, que inclui apoio na regularização documental, formação em segurança e cultura organizacional, bem como acompanhamento próximo durante o período de integração, conta.
«Nos primeiros seis meses, disponibilizamos alojamento gratuito, de forma a facilitar a adaptação inicial e garantir estabilidade.» Após esse período, os colaboradores são incentivados a desenvolver a sua autonomia, sendo o objectivo «que consigam encontrar e manter o seu próprio alojamento, como parte do processo de integração e inserção na comunidade». A empresa procura também promover a inclusão social, incentivando a proximidade com as comunidades locais.
Em todo o processo, o principal desafio sentido foi a adaptação cultural e linguística, tanto para os novos colaboradores como para as equipas já existentes. «Enfrentámos essa realidade com formação interna, sessões de sensibilização e, sobretudo, com uma postura de abertura, diálogo e aprendizagem mútua», partilha a responsável de Recursos Humanos.
A Vialsil providenciou igualmente aulas de aprendizagem da língua portuguesa, «essenciais para facilitar a comunicação e a integração no ambiente de trabalho». Paralelamente adoptou a utilização de materiais informativos em inglês e português, numa linguagem clara e acessível. «Acreditamos que a diversidade é uma riqueza, mas requer investimento na gestão da convivência, e esse tem sido um compromisso claro da nossa parte.»
E reconhece que tem valido a pena. «A contratação de colaboradores estrangeiros tem-nos permitido diversificar competências, preencher lacunas e aumentar a nossa resiliência organizacional.» Além disso, trouxe novas perspectivas, experiências e formas de pensar e trabalhar, que enriquecem a cultura interna, estimulam a inovação, melhoram a capacidade de resolução de problemas e fortalecem o espírito de equipa. «Tem sido, sem dúvida, uma oportunidade de crescimento e, acima de tudo, tem-nos permitido continuar a dar resposta às exigências dos nossos clientes, mantendo os níveis de qualidade e cumprimento de prazos que nos caracterizam.»
Toda a gestão da diversidade é feita com base no respeito, na equidade e na comunicação, garante Paula Carvalho. «Promovemos uma cultura organizacional assente em valores sólidos, que são partilhados com todos os colaboradores, independentemente da sua origem.» Além da garantia de que todos se sintam parte da equipa, valorizados e ouvidos, asseguram igualdade de oportunidades a todos os colaboradores, até porque «o crescimento na empresa baseia- se exclusivamente no desempenho, no compromisso e na evolução profissional de cada um, não obstante a sua nacionalidade».
A liderança tem um «papel fundamental neste processo de mediação e integração», garantindo «coerência e justiça» em todo o percurso dos colaboradores, salienta.
Leia o artigo na íntegra na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources, nas bancas.
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