Vítor Silva, InterContinental Lisbon. A dificuldade das empresas na atracção de talento

Vítor Silva, Area director of Human Resources Portugal do InterContinental Lisbon, realça uma mudança estrutural no mercado de trabalho e a centralidade da proposta de valor ao colaborador.

Human Resources
11 de Maio 2026 | 13:20

«Os resultados deste 64.º Barómetro reforçam uma evidência cada vez mais clara na Gestão de Pessoas: a
atracção de talento deixou de ser um tema exclusivamente operacional para assumir um papel estratégico nas organizações. O facto de a maioria das respostas se concentrar entre os níveis “moderado” e “elevado” demonstra que, embora as empresas consigam ainda responder às suas necessidades, o esforço necessário para o fazer é hoje significativamente maior. Este contexto reflecte uma mudança estrutural no mercado de trabalho, onde os profissionais assumem uma posição mais exigente e selectiva. A proposta de valor ao colaborador ganha, assim, centralidade não apenas ao nível da compensação, mas também em dimensões como flexibilidade, propósito, desenvolvimento de carreira e bem-estar. As organizações que continuam a apostar exclusivamente em abordagens tradicionais de recrutamento tenderão a enfrentar maiores dificuldades.

Por outro lado, o facto de 12% das empresas referirem desafios apenas em perfis muito específicos evidencia um desalinhamento crescente entre as competências disponíveis e as necessidades do negócio, sobretudo em áreas mais técnicas e especializadas. Este ponto reforça a importância de estratégias integradas de reskilling e upskilling, bem como de uma maior proximidade entre empresas e ecossistemas de talento. Importa também destacar que a relativa baixa expressão do nível “muito elevado” (7%) pode indicar uma maior maturidade das organizações na forma como gerem o talento, nomeadamente através do reforço da marca empregadora e de práticas mais ágeis e personalizadas de atracção.

Neste enquadramento, a Gestão de Pessoas é chamada a assumir um papel cada vez mais holístico: não basta atrair, é fundamental criar experiências consistentes e diferenciadoras ao longo de todo o ciclo de vida do colaborador. A retenção, o engagement e o desenvolvimento interno tornam-se, assim, pilares indissociáveis de uma estratégia eficaz, num mercado em rápida evolução e onde o talento continua a ser um dos principais factores de vantagem competitiva.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Abril (nº. 184) da Human Resources, no âmbito do seu LXIV Barómetro.

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