Viver no futuro

Carlos Lacerda era director-geral da Microsoft na Malásia quando decidiu regressar a Portugal para liderar a SAP. Deixaria a empresa para assumir outro grande desafio, o de CEO da ANA Aeroportos de Portugal, mas voltaria, agora para um cargo internacional. Porque, na SAP, sente que vive no futuro.

 

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Em Julho passado, Carlos Lacerda assumiu o cargo de vice-presidente executivo da SAP e a liderança do negócio de plataformas e gestão de dados para a região do Sul da Europa, Médio Oriente e África (EMEA), que inclui os mercados de África, Espanha, Grécia, Israel, Itália, Médio Oriente, Portugal e Turquia, e a ajuda a clientes de 25 indústrias na transformação digital e inovação.

Regressou assim à SAP, por onde já havia passado de 2015 a 2017, enquanto director-geral da SAP Portugal, transitando da ANA – Aeroportos de Portugal, onde ocupava o cargo de chief executive officer (CEO). Mantem no entanto a ligação à empresa aeroportuária, enquanto membro do board não executivo.

Antes da SAP, Carlos Lacerda tinha ocupado a direcção-geral da Microsoft na Malásia, em Kuala Lumpur, onde, durante dois anos, liderou a estratégia de negócio e inovação da empresa. Integrou a multinacional norte-americana em 1992, como director de Grandes Clientes, assumiu posteriormente o cargo de director de Marketing, seguindo-se a direcção de Gestão de Negócio e Operações em Portugal, até iniciar uma carreira internacional em 2007, como responsável máximo pela Gestão de Negócio do Microsoft Office na Europa. Ainda durante a sua estada em Portugal, acumulou durante um ano a direcção de Marketing e Gestão de Negócio da Microsoft Itália.

Foi também CEO da Farminveste, holding empresarial do grupo ANF, função que desempenhou em acumulação com outros cargos de conselhos consultivos e de administração de diversas organizações nos sectores da Saúde, Tecnologias de Informação e Académico.

Apesar deste percurso profissional, a formação de Carlos Lacerda é em engenharia mecânica, pelo Instituto Superior Técnico (IST), com especialização em termodinâmica, porque sempre adorou automóveis. Começou por desenvolver software de engenharia termodinâmica, programou, mas, num dos projectos em que esteve envolvido, para um grande banco nacional, teve que negociar sistemas operativos com a Microsoft e acabaria por ser convidado para integrar a equipa em Portugal.

Mas a sua primeira experiência internacional foi antes, em 1988, com o programa Frontiers, tendo sido selecionado para fazer parte de um grupo muito restrito onde estavam apenas dois portugueses, para estudar tecnologias de informação. «Vivemos todos juntos, primeiro em Inglaterra, depois em Itália, tendo criado uma forte network», recorda.

A internacionalização, ainda que não tenha sido um objectivo pré-definido, acabaria por marcar a carreira de Carlos Lacerda e por proporcionar várias aprendizagens. «Ter trabalhado em países diversificados, em particular na Malásia, foi muito enriquecedor, porque é muito diferente da Europa Ocidental», salienta. «Deu-me elasticidade e agilidade, obrigando-me a adaptar o meu estilo de gestão a diferentes audiências. Por exemplo, como a educação no sudoeste asiático é muito hierárquica, se não tivesse o cuidado de criar um ambiente de muita confiança, ninguém daria a sua opinião numa reunião. E quando ia a uma reunião, só podia falar quando me davam autorização. Outra diferença para o mundo ocidental é o uso as mãos enquanto se fala. Estou a falar consigo e estou a gesticular, mas na Malásia isso seria mal-entendido.»

 

Nem tudo é sucesso

Carlos Lacerda reconhece que teve alguma dificuldade em ganhar a confiança da equipa por ser ocidental, mas, o «reverso da medalha é que, ultrapassada essa barreira, o elo que se cria é muito forte e muito mais próximo do que no mundo ocidental. Quando saí da Malásia houve um choro colectivo», partilha.

Por outro lado, admite que a adaptação não é fácil. «Ao mudar da Europa para a Ásia, perdi as minhas referências: as religiões, os hábitos, tudo era diferente.». Faz notar que, «ao contrário do que às vezes é a nossa percepção, temos uma qualidade de vida relativa elevada em Portugal», e partilha. «Um dos meus primeiros projectos foi um projecto de utilização de tecnologia para o ensino e pensámos por ecrãs, mas a parede não aguentava e nem sequer havia comunicações. É um mundo completamente diferente do que existe na Europa. A Malásia é um país riquíssimo, com muitos recursos naturais, mas há uma grande disparidade entre Kuala Lumpur, por exemplo, e o interior. Nas grandes cidades existem todas as condições, mas é fora que temos que investir.»

Leia o artigo na íntegra na edição de Novembro da Human Resources, nas bancas.

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