Vodafone. Comunicação interna: Um aliado em alturas de mudança

Novos modelos de trabalho híbrido e uma Comunicação Interna que promova a coesão entre os colaboradores são parte da estratégia da Vodafone para um regresso aos espaços de trabalho.

 

A Vodafone Portugal tem um propósito que a define enquanto empresa: «proporcionar a existência de uma sociedade digital inclusiva e sustentável, a melhoria de vida a mil milhões de pessoas e a redução do seu impacto ambiental para metade até 2025». Para Susana Ferreira, manager de Internal Comms da Vodafone Portugal, este propósito tem de ser vivido, internamente, em primeiro lugar.

 

Tendo em conta a nova realidade do trabalho, quais os objectivos da Comunicação Interna da Vodafone Portugal? Os objectivos da Comunicação Interna não se alteraram com a nova realidade do trabalho e estão alinhados com objectivos dos Recursos Humanos, área de que faz parte, especificamente:

  • Contribuir para que todos os colaboradores conheçam a estratégia e as prioridades do negócio;
  • Contribuir para que os colaboradores se liguem emocionalmente à Vodafone;
  • Contribuir para que os colaboradores sejam verdadeiros embaixadores dos produtos e serviços Vodafone.

 

De que forma os novos modelos de trabalho estão a alterar ou já alteraram as práticas de Comunicação Interna da Vodafone Portugal?
Necessariamente, após algo tão transformador quanto uma pandemia, a Comunicação Interna teve e continua a adaptar-se, caminho que, aliás, já estava a fazer com a transformação digital.

Durante os períodos de confinamento que a pandemia impôs, 96% dos colaboradores da Vodafone Portugal alteraram o seu local de trabalho para as suas casas, o que significou repensar a regularidade das comunicações, os canais utilizados e a disponibilidade dos colaboradores, que, em muitos casos, tiveram de conjugar as responsabilidades profissionais e familiares no mesmo espaço. O objectivo foi e é continuar a informar os colaboradores de forma a manter a ligação com a empresa, respeitando uma fase de grande mudança, incerteza e alguma sobrecarga.

Do mesmo modo, a estratégia e práticas de comunicação interna voltarão novamente a adaptar-se ao modelo de trabalho híbrido que se inicia, no caso da Vodafone, em Setembro. Teremos de ter em conta que, para além da alteração do local de trabalho dos colaboradores, vamos assistir a uma mudança significativa na forma de trabalhar com alterações importantes na dinâmica das equipas e no papel desempenhado pelas chefias. Neste enquadramento, há que repensar toda a estratégia de conteúdos, momentos de comunicação e canais internos (por exemplo, do Workplace e do Teams).

 

Considera que este engagement foi afectado positiva ou negativamente pela experiência vivida no último ano e meio?
A Vodafone Portugal é historicamente um dos mercados do Grupo Vodafone com níveis de engagement mais altos.

Neste último ano e meio foram vários os desafios colocados pelo trabalho remoto mas a verdade é que, fruto de um trabalho permanente e consistente desenvolvido por toda a equipa de Recursos Humanos e que incluiu também a Comunicação Interna, foi possível continuar a manter níveis de engagement muito positivos. O sentimento de pertença e o orgulho em trabalhar na Vodafone mantiveram-se muito elevados provando que conseguimos contrariar o ditado “o que os olhos não vêem, o coração não sente”.

 

A cultura da Vodafone Portugal e a forma como ela é comunicada aos colaboradores saem intactas desta pandemia?
Na Vodafone vestimos a camisola (só não digo “literalmente”, porque recentemente oferecemos a todos os colaboradores um casaco e não uma camisola, mas o objectivo era justamente “estar sempre próximos” das nossas pessoas, quer seja no seu espaço de trabalho em casa, quer seja nos escritórios ou lojas).

A pandemia, que obrigou a uma mudança repentina e não planeada para um modelo de trabalho remoto colocou diversos desafios quer às pessoas (na adaptação à mudança, na necessidade de convívio, nas ferramentas de trabalho que passam a utilizar mais, no corte com rotinas estabelecidas e, no início, as dificuldades de toda a gestão familiar), quer à organização (que se materializou na preocupação com a segurança das pessoas e em manter a qualidade do serviço ao cliente). Estes desafios trouxeram algumas alterações na forma e no foco da comunicação, mas não alteraram os pilares da nossa cultura Vodafone.

 

Quais as estratégias da Comunicação Interna da Vodafone Portugal numa altura em que se perspectiva o regresso de alguns profissionais aos escritórios, mesmo que de forma híbrida, depois de meses de ausência?
No caso da Vodafone não se trata apenas de um simples regresso às instalações, mas sim de um regresso num modelo de trabalho híbrido que vai trazer alterações à nossa forma de trabalhar. A estratégia passa por criar uma comunicação clara que facilite o processo de adaptação e iniciativas que proporcionem uma excelente experiência, de forma a que os colaboradores se sintam informados e envolvidos e, fundamentalmente, que se sintam bem e entusiasmados com o futuro.

A auscultação regular aos colaboradores ao longo do último ano e meio fez parte da estratégia dos Recursos Humanos e os insights recolhidos serviram de input também para a Comunicação Interna.

 

Como se prepara a Vodafone Portugal para este regresso e como o comunica aos seus colaboradores?
Neste momento, preparamo-nos para trabalhar em regime híbrido, o que envolve, entre outros, um desafio enorme ao nível da reorganização e recapacitação dos espaços, da capacitação dos líderes e equipas e da informação regular e actualizada.

Existe um site interno dedicado ao tema e comunicações regulares (como e-mails, vídeos, eventos digitais) de forma a manter os colaboradores esclarecidos e envolvidos.

 

Qual o papel da Comunicação Interna no onboarding de novos colaboradores nestes novos modelos de trabalho? A estratégia da Comunicação Interna na adesão aos novos modelos de trabalho de novos colaboradores tem de se focar na criação de envolvimento e sentimento de pertença desde o início, pois é mais espontâneo e simples criar relação entre os novos colaboradores e as empresas quando existe convívio e momentos informais, que mais facilmente acontecem no formato totalmente presencial.

Adicionalmente, é necessário garantir que a informação é regular e clara, em diferentes canais, designadamente digitais, para permitir que os novos colaboradores consigam rapidamente sentir-se integrados e com toda a informação de que necessitam para fazer o seu trabalho.

 

E como é que se relaciona a Comunicação Interna de hoje com a retenção dos melhores talentos?
Os colaboradores da Vodafone Portugal são a base do nosso sucesso e, por isso, captar e reter talento continua a ser uma prioridade. Trabalhamos diariamente para recrutar os melhores profissionais e garantir que encontram depois na empresa uma cultura e um ambiente onde possam crescer e desenvolver-se, onde se sintam bem.

Esta estratégia envolve diferentes áreas da organização, sendo a Comunicação Interna uma delas. Ao promover o envolvimento dos colaboradores com a empresa, através das iniciativas que leva a cabo e do diálogo que promove com os colaboradores, a Comunicação Interna contribui para o alinhamento de todos com a cultura da empresa, o que influencia a vontade de os colaboradores quererem permanecer connosco. Com as novas formas de trabalhar, este continuará a ser um ponto prioritário para a empresa e, necessariamente, para a Comunicação Interna.

 

Parte da Comunicação Interna consiste em ouvir os colaboradores. De que forma o fazem?
Auscultar os colaboradores e adaptar a forma como desenvolvemos as iniciativas de Comunicação Interna sempre foi uma prática na Vodafone, quer através de inquéritos estruturados sobre as iniciativas desenvolvidas quer num formato mais informal. Trata-se de uma prática que é levada muito a sério e que nos fez, por exemplo, alterar formatos de transmissão dos nossos eventos internos ou até mesmo criar formatos e canais específicos de comunicação com os colaboradores.

No último ano e meio, tal como já falamos, a auscultação regular aos colaboradores permitiu implementar várias alterações em várias dimensões dos Recursos Humanos e a Comunicação Interna não foi uma excepção. Adaptámos conteúdos, formatos e canais para dar resposta aos insights recolhidos.

 

Antes da pandemia de COVID-19, a Comunicação Interna da Vodafone Portugal já estava fortemente digitalizada. De que forma evoluiu essa digitalização neste último ano e meio?
Com efeito, muitas das nossas actividades já estavam digitalizadas, pela maior facilidade de chegar a mais colaboradores, independentemente da sua função ou localização. Neste ano e meio, obviamente que repensámos a nossa forma de comunicar, tendo sempre em conta, conforme já referido, que o trabalho remoto, sobretudo durante o confinamento, pode significar alguma sobrecarga se não houver uma boa gestão do tempo, e, por isso, conscientemente decidimos reduzir o número de comunicações e de iniciativas.

As principais alterações foram a realização do nosso evento anual para colaboradores em formato 100% digital, a passagem da comunicação mensal do CEO do nosso canal de transmissão interno para o Workplace, para permitir maior interacção, mais comunicações da equipa de Liderança, a criação de sites internos com informação específica sobre temas-chave, por exemplo, no caso da COVID-19, a maior utilização de vídeos e a utilização do Teams enquanto meio-chave para manter comunicações regulares ou gerir projectos.

 

Tratando-se de uma multinacional, que boas práticas a Vodafone Portugal importa para o nosso país?
Somos uma só Vodafone e, portanto, o sucesso de um mercado é o sucesso de todos. Costumamos usar a máxima “copy with pride”, como forma de nos ajudarmos mutuamente e a verdade é que o grupo de Comunicação Interna global na rede social interna é profícuo em entreajuda e criatividade!

De qualquer forma, posso referir que a primeira reunião anual digital se baseou num evento que Espanha tinha realizado uns meses antes, ou por exemplo algumas activações internas de lançamentos de produtos e serviços que já existiam noutros mercados servem sempre de inspiração. Temos a sorte de fazer parte de um grande grupo, o que nos permite o contacto com a experiência, mas também a cultura de outros países.

 

Esta entrevista faz parte do Caderno Especial “Comunicação Interna” na edição de Setembro (n.º 129) da Human Resources nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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