Zühlke: Guerra pelo talento? A resposta está na diferenciação e valorização

A suíça Zühlke abriu um novo centro tecnológico no Porto e a escolha encontra justificação simples: «o acesso privilegiado a talento com excelente formação nas áreas técnicas». Mas com a procura de profissionais superior à oferta, a general manager no nosso país sabe ser fundamental criar condições diferenciadoras para atrair e fidelizar talento.

 

Por Tânia Reis

 

A Zühlke, empresa suíça fundada em 1968, está actualmente presente em 10 países e conta com mais de 1600 especialistas. Empresa de consultoria e prestação de serviços na área tecnológica, desenvolve em Portugal as suas actividades na área da engenharia, com equipas internacionais que criam «soluções e projectos inovadores, com impacto a nível internacional», nos sectores da banca, saúde ou telecomunicações, para clientes da Áustria, Reino Unido, Suíça e Alemanha.

Num investimento de 1,5 milhões de euros, a Zühlke abriu recentemente um novo centro tecnológico no Porto. Mariana Salvaterra, general manager da empresa em Portugal, constata que o nosso país está, cada vez mais, na mira de grandes tecnológicas internacionais, justificando a aposta e escolha do Grupo. «No Porto encontrámos uma série de factores muito atractivos, desde logo o acesso privilegiado a talento com excelente formação nas áreas técnicas que procuramos para fazer evoluir os nossos projectos de engenharia. » Além da excelente qualidade de vida, que se assume como factor atractivo para trazer colaboradores do estrangeiro para Portugal, Mariana Salvaterra destaca ainda o forte espírito de inovação em toda a comunidade tecnológica.

Apesar de os mercados suíço e português terem algumas semelhanças, já que ambos são constituídos por uma grande maioria de pequenas e médias empresas, há algo que os distingue – o nível de digitalização e inovação, já que a economia suíça é das mais competitivas do mundo, principalmente no sector dos serviços. A general manager considera que o mercado nacional está a tornar-se cada vez mais estratégico para alguns dos clientes e parceiros e a empresa está sempre atenta a «possibilidades apelativas, seja em termos de inovação, que possam ser convertidas em referências importantes, ou outras oportunidades que surjam de decisões estratégicas dos nossos clientes internacionais».

A cultura da Zühlke em Portugal é um «equilíbrio de todas as experiências e know-how do grupo a nível internacional », acrescenta. Da cultura suíça foi importada a aposta na qualidade do trabalho e dos profissionais que o desenvolvem, assim como a melhoria contínua de cada colaborador e de processos da empresa. Além disso, houve um forte investimento na optimização dos benefícios oferecidos, como por exemplo uma grande abertura à flexibilidade na gestão da carga horária e dias de trabalho, e também a possibilidade de desenvolvimento do trabalho em regime híbrido, com a inclusão dos respectivos apoios para teletrabalho.

 

Uma estratégia de recrutamento com várias vertentes
A verdade é que o Porto está a revelar-se uma boa aposta, que levou à abertura do terceiro Centro Global de Engenharia. «Queremos criar um hub que leve a inovação mais longe, contando com o precioso contributo de todos os colaboradores que nos escolhem para evoluírem na sua carreira», realça a Mariana Salvaterra. Até final do ano, a empresa pretende duplicar a equipa de 30 pessoas e vai apostar nos benefícios oferecidos, formação de qualidade e instalações nos próximos dois anos.

Com um investimento na contratação de talento, a responsável revela que a procura continua a exceder os profissionais disponíveis e o desafio passa por perceber e criar as condições mais atractivas para captar este talento. «Neste momento, o foco está em contratar colaboradores mais sénior em Embedded e Software Engineering, com destaque para conhecimentos de Java, .Net, React e Angular», concretiza, acrescentando que há abertura constante para receber candidatos interessados em desenvolver a sua carreira numa multinacional com o know-how em tecnologia que o grupo Zühlke tem desenvolvido.

A estratégia de recrutamento de talento passa pela criação de parcerias com escolas e universidades locais, de modo a chegarem a perfis mais júnior com oportunidades para integrar este mercado de tecnologia. Ao mesmo tempo, apostam numa oferta diferenciadora para atrair e reter talento com mais experiência, seja ao nível das tecnologias com que trabalham, seja pelos benefícios e flexibilidade que promovem para todos os colaboradores. Faz parte da cultura e estratégia do grupo incentivar o talento a ter outras experiências além-fronteiras e por isso também disponibilizam apoio aos profissionais que queiram vir do estrangeiro para o hub em Portugal. Neste momento, por exemplo, «cerca de 25% da equipa do Porto veio do estrangeiro para trabalhar e viver naquela cidade».

Mariana Salvaterra confessa que, numa fase inicial o desafio passa por se darem «a conhecer num mercado tão dinâmico como o da tecnologia». Ainda assim, há factores a favor como o facto de a Zühlke pertencer a um grupo internacional com mais de 50 anos de experiência, o que «faz do Centro de Engenharia no Porto um hub bastante atractivo para crescer profissionalmente». Há uma aposta real na evolução de cada um dos colaboradores, com percursos formativos, processos de feedback construtivo e oportunidades para crescerem na sua carreira. «O investimento nos nossos colaboradores é fundamental para levar os nossos resultados mais longe, criar uma excelente empresa para trabalhar e valorizar cada profissional que escolhe a Zühlke para construir a sua carreira tecnológica», reitera.

A formação é essencial nesse processo, para garantir que todos os colaboradores estão a par das ferramentas e tecnologias mais actuais e relevantes para a função, sendo que «10% do turnover da Zühlke é investido precisamente em formação», explica a general manager. Ao mesmo tempo, a empresa cria oportunidades de aprendizagem a nível interno ao envolver os colaboradores em projectos com outros papéis e responsabilidades, mas também alinhando esses projectos com as ambições de aprendizagem sobre determinadas tecnologias ou áreas emergentes.

 

Promover a felicidade organizacional
A organização recebeu recentemente a acreditação Happiness Works – e no seu primeiro ano de actividade em Portugal –, distinção «muito gratificante e, no que toca à felicidade organizacional, coloca a fasquia num patamar mais elevado para o futuro», admite Mariana Salvaterra.

Além da valorização dos colaboradores, a Zühlke Portugal foca a sua cultura interna também na construção de um bom ambiente de trabalho. Esse processo contínuo passa por um pacote de benefícios que é melhorado para responder às necessidades dos colaboradores em cada momento e há um investimento em processos de feedback para melhorar essas respostas. Além disso, promovem de forma regular interacções e partilhas entre a equipa, seja de conhecimento, team buildings ou algo mais informal, para fomentar o espírito de equipa e a aprendizagem transversal.

Mariana Salvaterra considera que a oportunidade de trabalhar com tecnologias actuais, num bom ambiente de trabalho e com um bom work-life balance é uma combinação valiosa para a atracção e retenção de talento. «Criamos espaço para aprenderem mais com profissionais experientes e disponíveis para ajudar, seja com abordagens e melhores práticas na tecnologia em que trabalham ou noutras áreas de engenharia de software e desenho de soluções. Em simultâneo, promovemos flexibilidade para trazer esse equilíbrio entre vida pessoal e trabalho», completa.

No que diz respeito a tendências futuras no mercado de trabalho, a responsável acredita que a escassez de talento na área tecnológica irá manter-se como uma constante para as empresas. Aliada à rápida velocidade com que o mercado se transforma, à digitalização dos sectores e à facilidade de trabalhar remotamente, «o cenário é altamente desafiante para as tecnológicas ». Por isso mesmo, considera que a resposta está na valorização do talento e dos candidatos e o investimento das empresas deve orientar-se cada vez mais para as suas equipas para elevar os resultados.

O futuro das empresas passará por «criar propostas individualizadas no que toca a modelos de trabalho e compensação, permitindo que cada colaborador escolha o que funciona melhor para si em termos de horário, carga semanal, componentes do pacote salarial e benefícios mais valiosos», conclui Mariana Salvaterra.

 

Este artigo foi publicado na edição de Julho (n.º 139) da Human Resources.

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