Um estudo publicado na revista científica Environment International constatou que o excesso de trabalho é o maior factor de risco para doenças ocupacionais, sendo responsável por cerca de um terço da carga total de doenças relacionadas com o trabalho, avança a BBC.
Num artigo publicado a 17 de Maio, os autores, de instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirmam que, a cada ano, 750 mil pessoas morrem de doenças cardíacas devido às longas jornadas de trabalho (definidas como 55 horas ou mais por semana).
Por outras outras palavras, morre mais gente por excesso de trabalho do que de malária.
Há duas maneiras principais através das quais o excesso de trabalho pode reduzir a saúde e a longevidade. Uma delas é o impacto biológico do stress crónico que provoca à pressão arterial e colesterol elevados.
Em seguida, vêm as mudanças de comportamento, as longas jornadas de trabalho que podem significar dormir pouco, não fazer exercício, consumir alimentos que não são saudáveis e fumar e beber para lidar com a situação.
E há motivos específicos para nos preocuparmos com o excesso de trabalho, tanto durante a pandemia COVID-19 quanto na vida que teremos depois.
De acordo com os dados do artigo, 9% da população mundial, número que inclui crianças, têm longas jornadas de trabalho. E, desde 2000, o número de pessoas que trabalham em excesso está a aumentar.
O estudo indica ainda que o excesso de trabalho afecta diferentes grupos de trabalhadores de maneiras distintas. Os homens trabalham mais horas do que as mulheres em todas as faixas etárias.
O excesso de trabalho atinge o seu pico no início da meia-idade, embora os efeitos sobre a saúde se possam manifestar mais tarde.
Os dados também mostram que as pessoas no sudeste asiático parecem ter as jornadas mais longas; e na Europa, as mais curtas.
Mas mesmo em alguns países europeus, especialmente fora da França e dos países escandinavos, tem havido uma proporção crescente de trabalhadores altamente qualificados que trabalham longas jornadas desde 1990 (após o auge do sindicalismo e das protecções relacionadas aos empregados).














