Vários estudos europeus sugerem uma relação positiva entre a elevação dos níveis de escolaridade e de qualificação profissional e aumentos salariais.
No “Guia para adultos: como aprender ao longo da vida?” da Fundação José Neves ressalva-se que o aumento da escolaridade pode variar, e os efeitos da educação e da formação nas remunerações são significativamente influenciados pela situação laboral do indivíduo, se está ou não está empregado, se tem contrato a termo certo ou se está nos quadros da sua entidade empregadora.
No entanto, há competências que, apesar das variações, estão consistentemente associadas a aumentos salariais ao longo da vida — por exemplo, melhorar a literacia matemática pode levar a aumentos salariais ao longo da vida de, em média, 18%.
Todos estes efeitos apontam para que a educação e a aprendizagem ao longo da vida estejam associadas à melhoria de situações profissionais. Isto não é apenas relevante no imediato, seja para obter oportunidades de emprego, seja para atingir aumentos salariais.
O estudo mostra que isto é igualmente significativo a longo termo. Por exemplo, as reformas antecipadas estão frequentemente associadas ao desalinhamento entre as qualificações dos trabalhadores e as exigências do mercado de trabalho. Ora, ao contribuir para prevenir esse desalinhamento, a aprendizagem ao longo da vida pode promover a extensão da vida activa.
As pessoas são diferentes e os países também o são, tanto culturalmente como nas características da sua economia e do seu mercado de trabalho. Quando se procuram respostas a todas as perguntas acima, isso conta. As características da população adulta (idade, sexo, qualificações de base, situação de emprego/desemprego) e os seus contextos (país, área profissional) condicionam o impacto da educação e da formação na possibilidade de inserção no mercado de trabalho e nos rendimentos desta população, levando a que, por vezes, em alguns países, os efeitos sejam mais fracos ou os estudos sejam inconclusivos.
O impacto real e causal das várias ofertas de educação e formação na empregabilidade e nas remunerações é complexo de medir com precisão. Há formações de diferentes tipos, em áreas diversas e com qualidade variável, e tudo isto pode afectar o impacto que têm.
De acordo com a OCDE, Portugal é um dos países onde os adultos mais reportam a utilidade das acções de formação para o seu desenvolvimento profissional, apenas superado no contexto europeu pela Hungria. Isto indica que há receptividade e uma percepção positiva dos portugueses sobre o impacto da educação e formação nas suas vidas profissionais.














