Portugal é o terceiro país da União Europeia onde as PME têm mais dificuldade em recrutar trabalhadores habilitados

Portugal é o terceiro país da União Europeia (UE) onde as pequenas e médias empresas (PME) mais dizem ter dificuldade em recrutar trabalhadores com as competências necessárias e entre os que mais recorre à contratação estrangeira, apesar de se manter minoritária.

Margarida Lopes
2 de Junho 2026 | 09:40
Portugal é o terceiro país da União Europeia onde as PME têm mais dificuldade em recrutar trabalhadores habilitados

De acordo com um Eurobarómetro divulgado, 35% das PME inquiridas em Portugal dizem ter “muita dificuldade” em recrutar pessoas com as competências necessárias, a terceira taxa mais elevada em toda a UE, igual à do Luxemburgo, e apenas ultrapassada por Malta (38%) e Chipre (39%).

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Para tentar mitigar essa dificuldade, 15% das empresas portuguesas dizem ter tentado recrutar mão-de-obra fora da UE nos últimos dois anos, e outras 18% dentro da UE, ambas entre as taxas mais elevadas do bloco, apesar de a grande maioria (71%) afirmar que não tenta contratar trabalhadores fora do país.

Entre as empresas portuguesas que não contratam trabalhadores de fora da UE, 55% dizem não o fazer por não terem essa necessidade, 8% consideram que os procedimentos administrativos e de imigração são “demasiado complexos” e outros 8% dizem não ter a informação necessária para o conseguirem fazer.

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Já entre as empresas que contratam fora da UE, 18% dizem procurar trabalhadores na área da construção, 12% engenheiros industriais ou mecânicos e 9% trabalhadores informáticos.

Nesse grupo de empresas, 44% afirmam que as experiências de pessoas de fora da UE foram “relativamente fáceis”, enquanto 28% as consideraram “muito difíceis” e 21% “difíceis”.

A maioria (46%) diz não ter encontrado “nenhum obstáculo particular” à contratação de mão-de-obra de fora da UE, enquanto 23% indica que a principal dificuldade foi a de encontrar candidatos adequados e outros 18% afirmam não ter pessoal de recursos humanos suficiente para gerir esse tipo de processos.

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No geral, cerca de uma em sete PME da UE tentou contratar trabalhadores fora da UE nos últimos dois anos (14%) e a grande maioria (85% a 90%) opta por gerir sozinha esses processos de recrutamento, apesar de estar “pouco sensibilizada” para o fazer.

Cerca de 31% das empresas inquiridas na UE consideram que a contratação de trabalhadores fora da UE poderia ser melhorada com mais apoio financeiro, 25% pedem mais informação e orientação e outros 23% uma maior assistência na procura de candidatos.

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Citada num comunicado divulgado em conjunto com este Eurobarómetro, a vice-presidente da Comissão Europeia, Roxana Mînzatu, com a pasta dos Direitos Sociais, Competências, Emprego de Qualidade e Preparação, afirma que as “PME são vitais para a economia da UE” e precisam de “encontrar pessoas com as competências adequadas”.

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«Ao capacitar as PME com os canais de informação e apoio adequados, podemos facilitar a contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados para atenuar a escassez de mão-de-obra e de competências na UE», defende.

Este Eurobarómetro baseou-se em inquéritos feitos por telefone, entre 1 e 17 de Dezembro de 2025, a 12.900 pequenas e médias empresas da União Europeia, com até 249 empregados. Em Portugal, foram entrevistadas 500 empresas.

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