Pandemia agravou sentimento de solidão e os jovens são os mais afectados

Margarida Lopes
2 de Julho 2021 | 10:30

As “dores” da solidão já eram sentidas antes da pandemia COVID-19, mas foram agravadas devido ao isolamento forçado. Em média, seis em cada 10 pessoas sentem-se infelizes ao fazerem coisas sozinhas, cenário mais preocupante nas camadas jovens (16-25 anos), em que esse sentimento sobe para 7 em 10 pessoas. A conclusão é do estudo do Rep.Circle – The Reputation Platform, organização representada em Portugal para Lift Consulting na área da Reputação Corporativa, em parceria com o consultor e escritor brasileiro Celso Grecco.

O estudo mostra que quando os portugueses inquiridos são colocados perante o factor “inadequação”: metade dizem sentir que ninguém os entende; quatro em cada dez declaram que não sentem pertencer aos ambientes nos quais convivem e um terço tem dificuldade em falar com outras pessoas à sua volta e em fazer amizades. Também aqui, a faixa dos mais jovens apresentou resultados ligeiramente piores.

Quanto ao factor “irrelevância”, por exemplo, um terço dos inquiridos declarou sentir-se excluído por outras pessoas, manifestando a percepção de que as relações podem ser meramente utilitárias. O que torna indiferentes o lugar e a pessoa com quem se está. Novamente, o sentimento na faixa 16-25 anos sobe para 41%.

O estudo demonstra igualmente alguma dependência das plataformas digitais, com metade dos entrevistados a reconhecer sentir ansiedade por respostas a mensagens enviadas. Na faixa etária mais jovem, esse número sobe para 60%.

Os sinais de alarme em relação à solidão e à depressão já existiam, mais silenciosos, mas a pandemia veio tornar tudo mais claro e alertar para a gravidade da situação. Por isso, em jeito de conclusão, o trabalho coordenado pelo Rep.Circle estima que estejamos a testemunhar a chegada de um outro tempo, no qual as empresas precisam de olhar para os seus colaboradores a partir de uma nova perspetiva. Onde a área de Recursos Humanos invista numa garantia de mais humanismo nas relações internas, permitindo mais espaço para o erro e mais segurança psicológica para a vulnerabilidade.

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Os trabalhos de campo deste estudo foram realizados entre 3 e 5 de Março e estiveram a cargo da Youzz, empresa do universo do Grupo Lift. Foram inquiridas com 2273 pessoas em todo o país.

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