Mais de 100 empresários e executivos de grandes empresas globais subscreveram uma carta aberta dirigida a governos, reguladores e decisores políticos com propostas de acção climática para antecipar temas da agenda da COP28.
Todos os subscritores do documento – entre os quais se incluem a EDP, Enel, Engie, Naturgy, Iberdrola, Orsted, entre outras – partilham objectivos comuns no sentido de acelerar a descarbonização e atingir metas de neutralidade carbónica nos próximos anos.
No entanto, há ainda vários problemas e desafios que podem comprometer o êxito desses planos e que precisam da acção urgente dos governos e de políticas públicas mais eficazes para serem ultrapassados.
A Aliança dos Líderes Empresariais Climáticos (Alliance of CEO Climate Leaders) – promovida pelo Fórum Económico Mundial e que reúne empresas globais de diferentes sectores que representam cerca de 12 milhões de colaboradores e um volume de negócios na ordem dos quatro biliões de dólares – procura assim, com este apelo público, antecipar temas críticos que irão marcar a agenda da COP28, a Conferência do Clima das Nações Unidas, que se realiza no final do ano.
«Como CEO de uma empresa que lidera a transição energética e que está empenhada em garantir um futuro melhor para todos, é com orgulho que subscrevo a carta aberta da Alliance of CEO Climate Leaders», afirma Miguel Stilwell d’Andrade, presidente executivo da EDP.
«Em conjunto com mais de 100 membros desta aliança, acredito que as mudanças políticas propostas na carta aberta podem ter um impacto enorme e estou entusiasmado por poder apresentar essas ideias aos decisores políticos, tanto na COP28, onde a EDP planeia ter mais uma vez um papel activo rumo às metas net zero e a um planeta mais sustentável», acrescenta.
Para as quatro grandes dificuldades identificadas na carta (burocracia e regulação complexa; falta de infraestruturas; restrições tecnológicas; e interoperabilidade limitada), os líderes empresariais apresentam uma proposta de medidas de acção imediatas.
- Aumentar o investimento em energias renováveis e redes eléctricas e simplificar processos de autorização e regulamentação
Embora o investimento global em energias renováveis tenha atingido um recorde de 0,5 biliões de dólares em 2022, este valor é ainda inferior a um terço do investimento anual necessário até 2030. Por isso, os governos devem aumentar rapidamente a escala das energias renováveis e investir nas infraestruturas de rede necessárias, incluindo armazenamento de energia e cadeias de abastecimento de apoio, também para aumentar o capital do sector privado e incentivar o sector privado a melhorar a sua eficiência energética.
Além disso, os pesados processos de licenciamento estão a atrasar os esforços de descarbonização. As estimativas mais recentes mostram que o tempo de construção de projectos solares e eólicos à escala dos serviços públicos varia entre quatro e dez ou mais anos, dependendo da localização geográfica. É necessária uma mudança de política para acelerar os projectos e as infraestruturas de energias renováveis, respeitando simultaneamente uma transição justa, as comunidades locais e as normas ambientais.
- Dar o exemplo nas práticas de contratação pública
Os contratos públicos representam uma parte significativa do PIB; 14% só na União Europeia. A escala deste poder de compra pode exercer uma influência considerável na redução das emissões. Se 14% de uma economia adoptar práticas de contratação com baixo teor de emissões, isso enviará um forte sinal ao mercado para que os fornecedores melhorem os seus produtos e serviços e pode facilitar a adopção de soluções inovadoras.
- Acelerar as reduções de carbono baseadas na natureza e na tecnologia
Embora nunca possa substituir os esforços de mitigação, os investimentos em tecnologia e redução de carbono baseada na natureza também devem ser acelerados, dado o risco crescente de se ultrapassar os 1,5°C. Os governos devem, por isso, fixar objectivos exigentes, incluí-los nos seus planos nacionais e nas estratégias e planos de acção para a biodiversidade e desenvolver regulamentação de apoio à conservação e regeneração dos sumidouros de carbono existentes. Além disso, devem incentivar os investimentos das empresas através de um ambiente regulador e mercados de carbono. Isto inclui créditos de alta qualidade e uma abordagem de fixação de preços do carbono que reflicta os verdadeiros custos das alterações climáticas.
- Simplificar e harmonizar os padrões de divulgação e medição do clima
Contar com regras harmonizadas de divulgação e de medição climática é essencial para fornecer informações transparentes e de alta qualidade, assegurando ao mesmo tempo eficiência. Um apelo que é dirigido a todos os organismos de normalização, incluindo o International Sustainability Standards Board (ISSB), a Comissão Europeia e a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA, bem como a outras entidades reguladoras, para que continuem a harmonizar os requisitos de comunicação e a garantir a interoperabilidade e a reciprocidade.














