Já foi (ou é) vítima de “stalking” digital? É mais comum em Portugal do que imagina. Veja os números (e saiba como evitá-lo)

Margarida Lopes
13 de Fevereiro 2024 | 14:00

Cerca de 21% dos portugueses já foram ou suspeitam ter sido vítimas de “stalking” digital. A conclusão é de um estudo da Kaspersky, baseado em entrevistas a 21 mil pessoas em 21 países, Portugal incluído, e que mostra que os relacionamentos online apresentam fragilidades.

 

No nosso país, 14% dos inquiridos portugueses afirmam ter sofrido alguma forma de perseguição online por parte da pessoa com quem iniciaram uma relação recente. Além disso, os dados mostram que as pessoas continuam vulneráveis ao aumento alarmante do fenómeno do stalking digital, devido aos riscos colocados pelas definições de localização, pela privacidade dos dados e, de um modo mais geral, pela partilha excessiva.

Os tipos de abuso são variados, sendo que mais de um quarto (26%) dos inquiridos portugueses relataram alguma forma de violência ou abuso digital por parte de um parceiro actual ou anterior. Destes, 11% receberam emails ou mensagens indesejadas e, talvez o mais preocupante, 6% foram filmados ou fotografados sem o seu consentimento. Outros 5% admitiram que a sua localização foi rastreada, 10% que as suas contas nas redes sociais ou os seus e-mails foram pirateados e, o que é preocupante, 3% tiveram stalkerware instalado nos seus dispositivos sem o seu consentimento.

Proporcionalmente, mais mulheres inquiridas sofreram alguma forma de violência ou abuso do que homens (36% contra 23%). É preocupante o facto de mais pessoas que namoram actualmente terem sofrido violência ou abuso do que as que têm uma relação mais duradoura (29% contra 25%).

Continue a ler após a publicidade

Algo que ficou patente nas respostas dos portugueses é que existe uma preocupação crescente com o assédio ou a perseguição digital. De facto, 40% dos inquiridos afirmaram estar preocupados com a possibilidade de serem vítimas de stalking virtual, estando as mulheres um pouco mais preocupadas com essa possibilidade do que os homens (44% das mulheres em comparação com 35% dos homens).

A situação também difere a nível mundial, com mais pessoas a sofrerem alguma forma de assédio online a serem oriundas de partes da América do Sul e Central e da Ásia – 42% dos inquiridos na Índia relataram alguma forma de perseguição digital, tal como 38% no México e 36% na Argentina.

A este propósito, a Kaspersky oferece aos utilizadores algumas dicas sobre como podem manter-se seguros enquanto se relacionam no mundo digital:

Continue a ler após a publicidade
  • Guarde as suas passwords para si próprio e certifique-se de que são complexas e únicas;
  • Se parece demasiado bom para ser verdade, é porque pode ser mesmo – em caso de dúvida, verifique;
  • Reserve um momento para cuidar da sua própria privacidade digital;
  • Pense antes de partilhar – a Internet tem uma memória longa e partilhar demasiado, demasiado cedo, pode deixá-lo vulnerável;
  • Criar um “plano de segurança” se a sua relação amorosa passar do mundo digital para o mundo real · Considere a possibilidade de utilizar uma solução abrangente de cibersegurança ou VPN para se proteger.

 

A Arlington Research, em nome da Kaspersky, conduziu 21 mil entrevistas online, 1000 em cada um dos seguintes países: Reino Unido, Alemanha, Espanha, Sérvia, Portugal, Países Baixos, Itália, França e Grécia, EUA, Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia e México, Ásia-Pacífico: China, Singapura, Rússia, Índia e Malásia.

Os inquiridos tinham idade igual ou superior a 16 anos. Todos se encontravam numa relação duradoura (62% da amostra), namoravam com alguém (16%) ou não namoravam nem mantinham uma relação, mas já o tinham feito no passado (21%). O trabalho de campo decorreu entre 3 e 17 de Janeiro de 2024.

Partilhar


Mais Notícias