Líderes de opinião e especialistas como Gouveia e Melo e António Ramalho reuniram-se para reflectir sobre inovação, produtividade, competitividade e liderança

Margarida Lopes
15 de Maio 2025 | 16:40
Líderes de opinião e especialistas como Gouveia e Melo e António Ramalho reuniram-se para reflectir sobre inovação, produtividade, competitividade e liderança

A primeira Convenção da Rede Doutor Finanças, promovida pelo Doutor Finanças, reuniu nos dias 6 e 7 de Maio, em Vila Nova de Gaia, especialistas e líderes de opinião para debater temas que moldam o panorama económico e financeiro actual. Paulo Portas, o Almirante Gouveia e Melo, a ex-ministra da Habitação Marina Gonçalves e o gestor António Ramalho foram alguns dos convidados.

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Durante dois dias, foram abordadas questões como literacia financeira, inovação, inteligência artificial, habitação, seguros e liderança, promovendo a partilha de insights e propostas de soluções concretas para uma audiência de 300 pessoas.

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No painel dedicado à intermediação de crédito, destacou-se a urgência de combater a falta de literacia financeira em Portugal, qualificada como um “calvário”. Foi recordado que o país ocupa o penúltimo lugar neste ranking entre os 27 Estados-Membros da União Europeia, apenas à frente da Roménia. Este défice representa um obstáculo significativo à autonomia financeira das famílias, exigindo a implementação de estratégias eficazes de educação financeira que capacitem os cidadãos nas suas decisões económicas.

A discussão sobre seguros centrou-se na necessidade de tornar os produtos mais simples e compreensíveis. Os especialistas sublinharam que a complexidade dos produtos atualmente disponíveis pode afastar os consumidores, sendo fundamental oferecer soluções mais acessíveis e ajustadas às reais necessidades dos clientes.

No primeiro dia da Convenção, Paulo Portas, ex-vice-Primeiro Ministro, abordou os principais desafios da Europa, com destaque para a inovação, a demografia e a competitividade. Sublinhou que Portugal ocupa “a terceira posição no mundo ocidental com maior envelhecimento populacional, depois do Japão e da Itália”. Defendeu que será necessário “um mínimo de consenso entre quem pode governar hoje e quem pode governar amanhã” para reverter o défice demográfico, e que se deverá “abrir um pilar de capitalização na Segurança Social”, uma vez que “os PPR parecem uma lenda do passado, mas vão inevitavelmente ter de voltar”.

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Ainda no campo da produtividade, Portas alertou para um duplo desafio: “A Europa tem 80% da produtividade por hora trabalhada face aos EUA. E Portugal tem 75% da produtividade da média europeia”.

Já Rogério Canhoto, ex-administrador da PHC, abordou o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Contrariando a ideia de que a IA irá substituir empregos, defendeu que será uma excelente ferramenta para os profissionais que souberem usá-la de forma eficaz. Sublinhou, por isso, a importância da adaptação constante e da aprendizagem contínua.

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No segundo dia, o painel sobre habitação juntou Marina Gonçalves, deputada e ex-ministra da Habitação e António Ramalho, gestor e ex-CEO do Novo Banco. A conversa centrou-se nas várias dimensões da crise habitacional em Portugal, com destaque para a escassez de oferta, o aumento dos preços e a urgência de políticas públicas eficazes que garantam o acesso à habitação a todas as faixas da população.

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O dia contou ainda com Alexandre Monteiro, autor do livro ‘Decifrar e conquistar clientes’, numa palestra que se debruçou sobre a importância da “boa comunicação” quer em equipa, quer com clientes.

O encerramento da Convenção ficou a cargo do Almirante Gouveia e Melo, que deixou uma reflexão contundente sobre a actual “crise de liderança mundial” e os seus reflexos nas lideranças nacionais. Apontou exemplos como as eleições romenas ou a instabilidade política nos Estados Unidos, anteriormente líderes incontestados das democracias ocidentais. Alertou para o risco de promessas vãs, afirmando que se deve “desconfiar sempre das lideranças que dizem que amanhã o problema está resolvido” e sublinhou que “uma boa ou má liderança avalia-se pelos resultados”. Entre as qualidades de um bom líder, destacou a coragem, a responsabilidade, a resiliência e a capacidade de comunicação.

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