Para além da flexibilidade, o trabalho remoto trouxe outra grande mudança nas organizações. E tem a ver com os despedimentos…

Human Resources
3 de Junho 2025 | 09:40

Os trabalhadores que foram despedidos recentemente não receberam a notícia pessoalmente, uma tendência que se está a tornar mais comum nos EUA com o trabalho remoto, reporta o The Business Journals.

 

Uma sondagem da Zety a mais de 1.000 trabalhadores que foram despedidos nos últimos dois anos, como parte do Layoff Experience Report de 2025 da empresa, constatou que apenas 30% foram informados da demissão numa reunião presencial. Outros 29% foram notificados por e-mail e 28% por telefone.

Enquanto isso, 6% dos trabalhadores despedidos disseram que souberam da sua própria demissão através de rumores da empresa e 5% receberam a notícia por videochamada. Apenas 2% descobriram após perderem o acesso aos sistemas internos.

Os motivos mais referidos para o despedimento foram o corte de custos, o downsizing, a reestruturação e o baixo desempenho financeiro. A maioria dos trabalhadores não se culpou, pois 53% afirmou que o despedimento se deveu a desafios da empresa. Cerca de 42% disse que o seu desempenho contribuiu para o despedimento, mas não foi o principal motivo, enquanto para 5% o seu desempenho foi a causa principal.

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A pesquisa descobriu ainda que:

  • 21% dos trabalhadores disseram ter ficado completamente surpreendidos com o despedimento, enquanto 43% suspeitava que esse momento estava a chegar e 36% sabia que seriam despedidos.
  • 74% afirmou ter recebido uma indemnização “generosa”, enquanto 22% recebeu uma indemnização inadequada, já 4% não recebeu qualquer indemnização.
  • Cerca de 89% dos despedidos disseram sentir que o seu empregador lidou com a situação de forma justa, enquanto 90% disseram que considerariam regressar ao seu antigo empregador.

Embora o mercado de trabalho continue morno — e francamente frustrante para muitos, dependendo do sector —, os despedimentos têm sido baixos em relação aos padrões históricos no último ano. Em Março de 2025, a taxa de despedimentos foi de 1%, de acordo com o U.S. Bureau of Labor Statistics, inalterada face à taxa de 1% registada em Março de 2024.

As vagas de emprego totalizaram 7,2 milhões em Março, abaixo dos 7,4 milhões de Fevereiro e dos 8 milhões de Março de 2024.

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Para Alari Aho, especialista em carreiras e CEO da empresa de software de recrutamento Toggl Hire, os despedimentos não definem uma pessoa, mas sim a forma como reage a eles.

«Este é um momento único para fazer uma pausa, recomeçar e mostrar do que se é realmente feito. Com a mentalidade e a estratégia certas, muitos profissionais saem dos despedimentos mais fortes, mais focados e melhor posicionados para o sucesso a longo prazo.»

O especialista partilhou cinco estratégias para lidar com uma perda repentina de emprego:

Domine a narrativa: seja no LinkedIn, em entrevistas ou em eventos de networking, posicione o despedimento como uma decisão de negócio, e não pessoal. Concentre-se no que foi aprendido e no que está a ser procurado agora. Ao assumir o sucedido, um trabalhador despedido pode não só recuperar a confiança, mas também remodelar a forma como os outros percebem o seu potencial no futuro.

Faça um rebrand à sua marca como um profissional: trate o período pós-despedimento como uma oportunidade. Actualize os títulos, biografias e currículos do LinkedIn. Mesmo uma publicação curta e atenciosa que partilhe disponibilidade e conquistas recentes pode gerar ligações inesperadas.

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Active a rede profissional estrategicamente: não se limite a “caçar emprego” — faça networking com propósito. Após um despedimento, a rede de contactos de uma pessoa torna-se o seu bem mais valioso. Contacte ex-colegas, mentores e clientes com uma mensagem clara e específica sobre o que procura, disse Aho.

Utilize o tempo de inactividade para melhorar as suas competências: os despedimentos oferecem um raro momento de aprendizagem. Seja a fazer um curso sobre ferramentas de inteligência artificial, a obter um certificado em marketing digital ou a melhorar um discurso pessoal, o aperfeiçoamento profissional direccionado pode melhorar a vantagem competitiva de uma pessoa.

Mantenha-se visível e relevante: partilhe insights, comente as tendências do sector ou até documente online a sua caminhada de regresso. A visibilidade gera credibilidade — e ajuda os recrutadores a encontrar potenciais colaboradores. Ser activo não significa ser chamativo; consistência e autenticidade são mais poderosas do que a perfeição, garantiu Aho.

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