Presença dos partidos e candidatos nas redes sociais já não chega para mobilizar os jovens

Margarida Lopes
10 de Janeiro 2026 | 16:00
Presença dos partidos e candidatos nas redes sociais já não chega para mobilizar os jovens

A simples presença dos partidos e candidatos nas redes sociais já não é suficiente para mobilizar os jovens eleitores, revela um estudo realizado pelo IPAM Porto junto do público jovem. A qualidade da comunicação política digital, como a clareza e a transparência das mensagens, é hoje mais determinante para o envolvimento cívico do que a frequência ou a visibilidade online.

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Com dados recolhidos em 2024 e replicados em 2025, em períodos próximos de actos eleitorais, o estudo mostra que 67,2% dos jovens consideram a informação política digital essencial para o seu envolvimento cívico. No entanto, apenas 27,6% afirmam confiar na informação política que circula nas plataformas digitais, evidenciando um fosso crescente entre exposição e credibilidade.

A percepção de desinformação é generalizada: 58,5% dos jovens reconhecem que as plataformas digitais contribuem para a disseminação de conteúdo pouco credível. Ainda assim, esta consciência não afasta os jovens da política. Pelo contrário, a análise do IPAM conclui que os jovens demonstram uma maturidade crítica crescente, distinguindo cada vez mais entre estar exposto à comunicação política e sentir-se verdadeiramente envolvido.

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Outro dado relevante do estudo prende-se com a clareza da comunicação dos programas eleitorais. Apenas 35 % dos jovens consideram que os partidos comunicam os seus programas de forma clara. Contudo, entre este grupo, observa-se um aumento significativo da confiança na informação política, o que vem reforçar a ideia de que mensagens bem estruturadas têm impacto directo no envolvimento cívico.

A transparência surge como outro factor decisivo. Mais de metade dos jovens (51,1%) concorda que a comunicação política digital aumenta a transparência, e esta perceção está fortemente associada a níveis mais elevados de participação e interesse político, tanto em 2024, como em 2025, indicando uma tendência consistente ao longo do tempo.

Apesar do olhar crítico sobre a comunicação digital, os dados indicam uma forte predisposição para a participação eleitoral: 88,9% dos jovens inquiridos afirmam ter votado nas últimas eleições legislativas. Para os autores do estudo, este resultado demosntra a ideia de apatia juvenil.

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O estudo académico realizado pelo IPAM Porto que analisou a relação entre comunicação política digital e o envolvimento cívico dos jovens, com base em inquéritos aplicados a 323 indivíduos entre os 18 e os 24 anos. Os dados foram recolhidos em 2024 e novamente em 2025, em momentos próximos de actos eleitorais, quando a comunicação política digital se encontrava particularmente activa, permitindo captar as percepções dos jovens em contextos reais de campanha.

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