Put your laptops down… e uma boas férias!

Por Luís Roberto, Managing Partner da Comunicatorium, Vice-Presidente da APECOM e Professor convidado do ISCSP-ULisboa

 

PUT YOUR LAPTOPS DOWN, poderia ser o claim de uma campanha interna, de uma qualquer empresa preocupada com o bem estar e o tempo de descanso das suas pessoas.

Ora vejamos.

Passamos o ano inteiro a dizer que precisamos de férias, que estamos exaustos e que não vemos a hora de desligar. E depois chegamos às férias, e passamos grande parte do tempo a olhar para o e-mail, a responder a mensagens no whatsapp, e ao telefone horas a fio como se fôssemos insubstituíveis.

Apesar de todas as recomendações e das boas práticas de gestão do tempo, é um facto que estamos a trabalhar mais horas. E trabalhar mais horas (como todos sabemos), não significa maior produtividade.

Segundo o Eurostat, Portugal registou a maior subida no número de horas trabalhadas no ano de 2021, ocupando a 6ª posição do ranking dos países da União Europeia que mais horas trabalham por semana.

O teletrabalho e os hábitos criados durante os sucessivos confinamentos não vieram ajudar a forma como gerirmos o nosso tempo de descanso.

Habituámo-nos a estar “on” quase a 100% e desligar do trabalho durante as férias parece quase uma tarefa impossível.

Desde há alguns anos que tenho o privilégio de o meu período de férias ser no mínimo de 3 semanas seguidas. É algo que prometi a mim mesmo e felizmente tem sido possível manter este meu plano. Como é possível?

Delegar, delegar e delegar é fundamental.

Delegar para assegurar que tudo o que é verdadeiramente essencial e prioritário continuará a ser feito sem a nossa presença. Mas não pensemos que a delegação de funções ou de responsabilidades pode ser feita no dia anterior à partida para férias.

Ela deve ser planeada com a devida antecipação e criadas as condições para que, quem venha a sentar-se na nossa “cadeira” durante a nossa ausência, se sinta confortável e conhecedor das matérias que terá em mãos.

A delegação é uma tarefa sua, que deverá repetir ano após ano.

Sempre fui um grande entusiasta das aplicações mobile e das plataformas de colaboração, até ao dia em que os scrolls, os send e os accept passaram a fazer parte do meu menu de refeição e a serem consumidos enquanto sentado à mesa do restaurante.

Por isso decidi “pôr em silêncio” no meu telefone as aplicações que uso normalmente para trabalhar, fazendo o reload no meu ultimo dia de férias.

E o que ganho em não estar disponível?

Estar sempre disponível é prejudicial para o bem-estar físico e mental de qualquer pessoa e, se hoje debatemos o well-being das nossas pessoas e a forma como o implementamos, é por aqui que devemos começar.

O tempo de descanso é fundamental para restabelecer as energias e recuperar do stress do trabalho. Não estar 100% “on” é, por isso, fundamental.

O Out of Office continua a ser uma forma de reduzir as mensagens do meu inbox às quais não vou responder durante o período em que estou ausente.

É também uma forma de baixar as expectativas a quem me pede algo e a não deixá-lo sem uma resposta se, paralelamente, o conduzir para um contacto alternativo em caso de urgência.

Porque estar de férias é não deixar que a nossa vida seja condicionada pelo ritmo acelerado do trabalho. Estarmos de férias é também prepararmo-nos para o regresso ao trabalho, com mais força, com mais vontade e certamente, com mais energia.

Por isso, Put your laptops down… e umas boas férias.

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