CEO do Montepio alerta para a falta de produtividade de Portugal e chairman do Millenium BCP evidencia o preconceito de que “ser pequenino é bom e ser grande é mau”

Human Resources com Lusa
8 de Novembro 2021 | 12:00
CEO do Montepio alerta para a falta de produtividade de Portugal e chairman do Millenium BCP evidencia o preconceito de que “ser pequenino é bom e ser grande é mau”

A reforma do sistema fiscal português e da administração pública foram debatidas por banqueiros e economistas no congresso da SEDES, no Porto.

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«Cada vez mais a política económica e financeira tem de ser vista como um todo, até porque corremos o risco de que muitas políticas acabem por ser inconsistentes entre si», defendeu o presidente executivo (CEO) do Montepio, Carlos Tavares.

O banqueiro lembrou que há normas que contrariam outras, antes de ressalvar que, «talvez a maior inconsistência nem seja nacional, seja supranacional».

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«Por exemplo, entre a política monetária e política de regulação, ou supervisão, do Banco Central Europeu, que faz uma política monetária com taxas de juro, a meu ver excessivamente baixas, para incentivar a injeção de meios financeiros na economia, e ao mesmo tempo uma política regulatória com níveis e rácios de liquidez e capital cada vez mais exigentes, que impedem que essa mesma canalização», concretizou.

Carlos Tavares confessou que concorda «mais com a regulatória, do que com a monetária» e evidenciou a falta de produtividade de Portugal, destacando ainda que o volume das exportações aumentou, mas o valor dessas exportações não.

Sobre o sistema fiscal, o CEO do Montepio criticou que este trate «melhor a dívida do que os capitais próprios» e a «dupla tributação» a que as empresas estão sujeitas.

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O banqueiro considera «pouco útil a discussão sobre a taxa de IRC» e defendeu que «a política fiscal devia ser estável».

Destacou ainda que há «reformas estruturais que ficaram por fazer do tempo da troika», nomeadamente «a reforma da administração pública».

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Sobre esse assunto, José Azevedo Pereira, professor do ISEG, concordou com a necessidade de uma restruturação que instalasse um «sistema de autoridade e responsabilidade na administração pública».

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«Sou um daqueles que advoga uma completa racionalização da administração pública, que não pode ser só burocracia», prosseguiu.

Já sobre o sistema fiscal, afirmou que «quem paga impostos em Portugal é a classe média e são os mais pobres, ao contrário do que foi dito».

Em relação ao IRC, realçou que, «em termos médios, as empresas já pagam menos» do que os 15% e que essa taxa, «em Portugal e no estrangeiro, a continuar por este andar, vai morrer».

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Também o professor Carlos Alves, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, disse que o país tem uma «carga fiscal insustentável, que não é competitiva em nenhum plano, e tem necessariamente de ser reduzida».

No entanto, «se baixarmos o nível de fiscalidade com o actual nível de dívida pública, isso não vai ser credível», disse.

Por outro lado, «conter o défice por falta de investimento público não é sustentável», acrescentou.

O chairman do Millenium BCP, Nuno Amado, focou-se na relação do sector bancário com a economia e com o Estado, adiantando que os bancos estão hoje «melhor preparados, mais sólidos» do que na última crise.

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Ainda assim, defendeu que «é importante para o país o sistema bancário manter uma estrutura competitiva (…), diversificada – maioritariamente privada mas com componente pública – e uma origem geográfica diversificada».

«A banca, de certa forma, é um reflexo do país. É importante que alteremos os paradigmas e preconceitos que existem, de que tudo o que Estado faz e privado é mau, que ser pequenino é bom e ser grande é mau», advogou.

Sem proferir diretamente uma recomendação a nível fiscal, mencionou o tema quando lembrou que a diferença do custo da taxa de juro para empresas não financeiras em Portugal comparada com a realidade europeia é 0,35%, mas que esse diferencial aumenta para 15 ou 20% depois da carga fiscal.

Nuno Amado frisou que deve haver uma «orientação clara para os fundos estruturais» que têm «de vir a ser estruturalmente para o sector privado, para o crescimento, para a produção de bens e serviços».

«Acho que o país tem todas as condições para crescer de forma rápida e intensa. Temos de mudar algumas políticas, e isso vai criar desconforto, para criar conforto futuro. Não sei se temos coragem para criar esse desconforto para benefício do futuro», rematou.

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