A crise trazida pela pandemia continua a trazer perspectivas mais sombrias para um dos lados do mercado de trabalho, o mais jovem, com as oportunidades a ficarem visíveis em 2021 para os mais velhos, com mais de 44 anos, os grandes beneficiários da recuperação do emprego em 2021, com estes trabalhadores a subirem 6,5% face ao ano anterior, revelou o Dinheiro Vivo.
Do lado das gerações mais novas, porém, o emprego regrediu ainda em 0,8%, enquanto os números do desemprego mantiveram a subida também no último ano, com a taxa de desemprego jovem (dos 16 aos 24 anos) a atingir 23,4%, agravada, e a representar já 3,5 vezes a taxa de desemprego da população total.
De acordo com a publicação, face a 2014, primeiro ano de recuperação de emprego após a última crise, os números do desemprego são hoje muito mais favoráveis. Mas, neste indicador está-se pior do que à saída dessa crise, mais longa, mais dura, mais transversal, quando a taxa de desemprego jovem representava 2,5 vezes a da população total. O desemprego jovem caía há oito anos, agora não. As explicações serão várias.
Paulo Marques, coordenador do Observatório do Emprego Jovem, revela em declarações ao Dinheiro Vivo que «tem havido um agravamento progressivo na relação entre as taxas de desemprego jovem e a taxa que cobre o conjunto da população que merece reflexão. É importante, até porque isso não tem acontecido na União Europeia. Em Portugal tem havido esta desigualdade entre os jovens e a população adulta».
Também Renato Miguel do Carmo, coordenador do Observatório da Desigualdade, entende que os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, publicados na quinta-feira, indicam que «pessoas que conheceram o desemprego nessa primeira vaga da pandemia estão com dificuldades em regressar». E as perdas de emprego foram sobretudo perdas para os jovens.














