Apoio ao financiamento de PME não são especialmente relevantes no actual contexto, conclui estudo

Human Resources com Lusa
6 de Junho 2022 | 12:00
Apoio ao financiamento de PME não são especialmente relevantes no actual contexto, conclui estudo

O apoio a pequenas e médias empresas com bons indicadores financeiros é importante durante períodos de crise, mas o benefício é “menos expressivo” durante a recuperação económica, conclui um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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«Apoiar um conjunto de pequenas e médias empresas [PME] promissoras tem efeitos positivos, sobretudo durante períodos de crise», aponta o trabalho, segundo o qual «através da concessão de empréstimos com garantia pública foi possível ultrapassar restrições no acesso a crédito num período de instabilidade para o sistema financeiro, assegurando o acesso a financiamento, a custos razoáveis, às empresas mais competitivas».

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Segundo o estudo – que, partindo do programa PME Líder, analisa o financiamento das PME em Portugal entre 2008 e 2018 – «tal permitiu que estas empresas apresentassem uma trajectória de investimento mais positiva do que as restantes, evitando também a destruição de emprego».

«Além disso, a componente de certificação financeira inerente a um programa que reconhece apenas as melhores empresas também promove o seu acesso a novos clientes e a mercados internos e externos», acrescenta.

Em contrapartida, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) conclui que, «durante a recuperação económica, quando as restrições no acesso ao crédito desaparecem e os bancos concorrem entre si para financiar as melhores empresas da economia, os benefícios deste tipo de apoios não são tão claros».

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«Por outras palavras, os apoios ao financiamento das empresas não são especialmente relevantes neste contexto», conclui o trabalho, intitulado «O financiamento das PME portuguesas: a crise e a recuperação entre 2008 e 2018».

No entanto, destaca, «mecanismos de certificação que permitam a clientes, fornecedores e investidores identificar quem são as melhores empresas num determinado setor ou região podem ter efeitos importantes no crescimento destas empresas» durante períodos de retoma.

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Da análise feita à evolução do endividamento e dos custos de financiamento das PME desde 2007 resulta que estes diminuíram ao longo da última década, com os empréstimos bancários a destacarem-se como «a principal fonte de financiamento destas empresas», mas a sua importância relativa a diminuir (de 67,6% do total de financiamentos obtidos em 2007 para 48,1 % em 2018).

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Em 2018, quase 90% dos empréstimos concedidos a PME tinham colateral ou garantias associadas, representando os empréstimos com garantias públicas 10,5% do financiamento bancário a PME.

Quanto aos custos de financiamento, em 2008 o rácio entre os gastos de financiamento e os financiamentos obtidos pelas pequenas e médias empresas era de 5,15%, mas, a partir de 2013, os custos médios de financiamento «diminuíram de forma sustentada, atingindo um valor mínimo de 3,04% em 2018».

Relativamente à iniciativa PME Líder, o estudo refere que «permitiu às empresas elegíveis aumentar o acesso a financiamento bancário e diminuir os custos de financiamento, tendo as empresas participantes crescido e atingindo melhores indicadores de desempenho».

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«Contudo, estes efeitos positivos não são transversais a todo o período analisado. Os efeitos são visíveis sobretudo durante os períodos de crise, tornando‑se, na sua maioria, inexpressivos durante o período de recuperação económica», nota.

Deste modo, conclui-se que as políticas públicas de apoio ao financiamento de PME «têm um efeito multiplicador importante em períodos de restrições no acesso a crédito, mas não parecem ser diferenciadoras quando a oferta de crédito é abundante».

«Em suma, estando amplamente documentadas falhas de mercado que dificultam o crescimento de pequenas e médias empresas e sendo a prevalência de empresas muito pequenas um dos desafios ao crescimento e competitividade da economia portuguesa, programas que apoiem empresas viáveis e promissoras, para corrigir tais falhas, podem ter efeitos agregados positivos, com custos contidos», resume.

«Contudo – acrescenta – existem desafios relevantes subjacentes ao desenho destes programas, como por exemplo: Que empresas devem ser apoiadas? Que tipo de apoio apresenta maiores efeitos multiplicadores? Como evitar que as empresas fiquem dependentes de tais apoios? Como assegurar que programas direcionados a pequenas e médias empresas não têm o efeito perverso de as desincentivar a tornarem‑se grandes empresas?».

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Segundo a FFMS, «estas questões não têm respostas simples e inequívocas e merecem mais investigação».

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