Ainda precisamos de falar de ergonomia?

Opinião de Marta Dias, CEO & Senior ergonomist | PRAXISD

Human Resources
27 de Agosto 2026 | 11:00
Ainda precisamos de falar de ergonomia?

Por Marta Dias, CEO & Senior ergonomist | PRAXISD

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Ao longo dos últimos vinte anos visitei centenas de empresas. E continuo a ficar surpreendida quando sinto que ainda precisamos de falar de ergonomia. Não é que tenha perdido importância. Pelo contrário. É porque, para mim, a ergonomia já devia estar em todo o lado. De forma quase invisível. Integrada na forma como pensamos, desenhamos e trabalhamos.

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A ergonomia não é só uma cadeira melhor ou um posto de trabalho ajustado. É produtividade. É saúde. É melhoria contínua. É qualidade. É resultados. E é precisamente por isso que continuo a perguntar-me como é possível desenhar um produto pensando apenas na sua função ou na sua estética, esquecendo quem o vai produzir.

Se um produto for mais simples de fabricar, mais intuitivo de utilizar ou mais fácil de manter, todos ganham. Ganham as empresas. Ganham os trabalhadores. E, no fim, ganha também quem o compra.

Na verdade, muitas vezes nem estamos a falar de grandes investimentos ou programas de bem-estar. Estamos a falar do essencial. Daquilo que deveria fazer parte de qualquer decisão desde o primeiro momento.

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Há um exercício que gosto de fazer e que hoje deixo também a quem está a ler. Quando pegarem num objecto do vosso dia-a-dia, parem por um instante.

Perguntem-se: Como terá sido produzido? Quantas pessoas participaram? Quantas máquinas? Quantos movimentos? Como foi transportado? Por quantas mãos passou até chegar às nossas mãos?

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É nesse percurso que a ergonomia também vive.

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E agora que entramos numa era marcada pela Inteligência Artificial, muitos perguntam-me onde fica a ergonomia. A minha resposta é simples. Enquanto houver pessoas, haverá ergonomia. Mesmo quando trabalharmos cada vez mais com sistemas inteligentes, continuaremos a desenhar interfaces, processos e experiências para seres humanos. Continuaremos a ter de compreender as nossas capacidades. Mas também os nossos limites.

Por isso, talvez a verdadeira pergunta não seja: “Ainda precisamos de falar de ergonomia?”, talvez seja: “Quando é que ela deixará de ser um tema… para passar a fazer parte da forma como pensamos?”.

Porque, para mim, esse sempre foi o verdadeiro objectivo: que a ergonomia deixe de ser uma especialidade. E passe simplesmente a fazer parte da forma como desenhamos o trabalho.

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