Pedro Fontes Falcão, gestor: As empresas e a questão da felicidade

Human Resources
2 de Fevereiro 2023 | 14:00
Pedro Fontes Falcão, gestor: As empresas e a questão da felicidade

Nos últimos anos, a Finlândia tem sido considerada o país mais feliz do mundo. Sendo noite durante a maior parte do Inverno, com temperaturas muito frias, como pode a sua população ser a mais feliz? Será interessante perceber e, daí, tirar ilações para as empresas. Uma nota: Portugal ocupa o penúltimo lugar na União Europeia no World Happiness Report.

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Por Pedro Fontes Falcão, gestor e professor universitário

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A World Happiness Report é uma publicação da Sustainable Development Solutions Network (SDSN), uma iniciativa desenvolvida para as Nações Unidas, e é baseada em dados da Gallup World Poll. Os seus patrocinadores institucionais incluem entidades de elevada reputação. Ou seja, não é um relatório com pouca credibilidade, embora se possam sempre discutir alguns pressupostos de qualquer estudo.

O Relatório Mundial da Felicidade caminha para a sua 11.ª edição, e os países do norte da Europa destacam-se dos outros como os mais felizes há largos anos. A Finlândia tem sido a número um nos últimos anos.

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De acordo com o referido estudo, muito do crescente interesse internacional pela felicidade existe graças ao Butão, que, em 2011, levou as Nações Unidas a convidar os governos nacionais a “dar mais importância à felicidade e ao bem-estar, ao determinar como alcançar e medir o desenvolvimento social e económico”.

Em 2012, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 20 de Março como o Dia Internacional da Felicidade, a ser observado anualmente, sendo o Relatório Mundial da Felicidade lançado todos os anos por volta dessa data.

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Após esta longa, mas creio que necessária, introdução, é interessante tentar perceber como é que um país em que é noite durante a maior parte do inverno, com temperaturas muito frias, pode ter uma população muito feliz (assim como muitos outros países igualmente frios do norte da Europa).

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Achei interessante um artigo de um psicólogo finlandês no site da CNBC a falar sobre o que os finlandeses não fazem e que contribui para a sua qualidade de vida e felicidade.

Primeiro, não se comparam com os seus vizinhos. Há uma frase famosa de um poeta finlandês – “Não se compare ou se gabe de sua felicidade” – que a generalidade dos finlandeses interioriza muito bem, especialmente quando se trata de coisas materiais e demonstrações públicas de riqueza. Muitos dos finlandeses ricos têm um estilo de vida pouco “exuberante”.

Segundo, não desvalorizam o contacto com a natureza, procurando o campo, florestas e parques sempre que possível. Terceiro, eles não quebram o “círculo da confiança”. Vários estudos demonstram que quanto mais altos os níveis de confiança dentro de um país, mais felizes são os seus cidadãos. Os finlandeses tendem a confiar uns nos outros e valorizam a honestidade.

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Portugal ocupa o lugar 56, no ranking de 2019-21, o penúltimo da União Europeia. As dicas finlandesas parecem ser úteis a Portugal. Primeiro, a frequente inveja na sociedade portuguesa é causa de infelicidade, o que passa muito pela comparação com os outros. Não se esqueçam que, excluindo para o Bernard Arnault [director executivo da LVMH e actualmente a pessoa mais rica do mundo], há sempre alguém mais rico do que cada um dos habitantes do mundo. Uma cultura em que as pessoas se foquem em melhorar para atingir os seus padrões pessoais e não os dos outros é útil.

O ponto que foi referido sobre a importância do contacto das pessoas com a natureza pode ser visto pelas empresas na perspectiva de estas possibilitarem um verdadeiro work-life balance, que dê tempo às pessoas para relaxarem e desfrutarem de outros prazeres, e de um maior convívio.

E a existência de confiança entre as pessoas tem de passar por uma cultura organizacional forte, mas difícil de implementar, pois o português, por razões históricas (segundo alguns estudos), tende a confiar na família, mas não nos outros. Esta característica de colaboração e de win-win é muito falada, mas não muito aplicada. Mas creio que começa a mudar…

 

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Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 145)  da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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