E se fosse recrutado para um trabalho remoto… falso? Foi isso que aconteceu ao actual director de Marketing da Defined.ai

Human Resources
13 de Junho 2023 | 21:00

Há uns meses, Gustavo Miller, Digital Marketing manager e actual head of Marketing da Defined.ai, partilhou na sua conta de LinkedIn uma situação insólita – tinha começado um (falso) novo trabalho, tinha passado por um (falso) onboarding e até tinha conhecido (falsos) colegas.

 

Há quem esteja a fazer-se passar por falso recrutador e a rastrear pessoas da indústria de tecnologia que foram recentemente despedidas. No caso de Gustavo, entraram em contacto através do seu perfil AngelList. «Recebi um e-mail de um recrutador da Coinbase. A mensagem foi enviada via BambooHR. Eu conheço essa plataforma de RH, por isso parecia legítima», escreveu Gustavo e conta como decorreu todo o processo.

«A abordagem foi muito directa. No dia seguinte fiz uma entrevista online e recebi uma oferta de emprego. Era um cargo remoto como prestador de serviços, algo com o qual estou bastante familiarizado. O salário era bom, mas pedi alguns dias para pensar.»

Primeiro, verificou o background (falso) do recrutador – tinha oito mil conexões no LinkedIn, nove recomendações e trabalhara anteriormente no Airbnb, Workday e Meta. Conversou com uma amiga da Binance que referiu que o mundo cripto é algo obscuro e novo, pelo que receber uma oferta de emprego em 24 horas não é estranho. Também encontrou um profissional da equipa de marketing da Coinbase com conexões em comum que recomendou a empresa e esclareceu algumas dúvidas.

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E por isso assinou o contrato. Um dia depois, recebeu um e-mail de boas-vindas e um link para a Bitrix24. «Todo o onboarding estava lá e conheceu uma pessoa de RH online. Explicou que eu faria uma formação remunerada de 10 dias», e até recebeu tutoriais em vídeo.

O primeiro dia foi normal, o segundo dia nem tanto, descreve Gustavo. «Tive de instalar o Paxful e analisar um concorrente da Coinbase. A determinado momento pediram-me para comprar 200 dólares em Bitcoins.» Depois de criar a sua carteira, devia transferir as Bitcoins para uma conta de formação da Coinbase.

Um alarme soou mentalmente e Gustavo pediu um chat de vídeo com o (falso) recrutador. A pessoa responsável pelo onboarding percebeu que ele não estava confortável e explicou calmamante que, entretanto, deveria encomendar o seu equipamento remoto. Direccionou-o para uma página (falsa) da Insight, onde Gustavo tinha de escolher alguns itens: um MacBook Pro, headphones especiais, etc. «Cerca de 10 minutos depois, recebi um e-mail de alguém da Insight com uma factura de 3200 dólares», conta Gustavo.

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O profissional garante que prestou atenção ao e-mail, procurou erros gramaticais e também notou mudanças muito subtis no e-mail e no site da empresa. «Foi aí que tive certeza de que estava a ser enganado!» Enviou mensagens para todas as empresas envolvidas, incluindo o LinkedIn e «A resposta deles, não estou a brincar, foi quase um emoji de encolher os ombros». Mais tarde encontrou alguns artigos sobre esse “scam” e descobriu que as transações com criptomoedas não são reversíveis.

«Estes scammers sabem como escolher e enganar pessoas vulneráveis.» Gustavo Miller confessa que se sentiu «muito estúpido e ingénuo» quando descobriu, mas tem noção que essas pessoas são profissionais, conhecem muito bem as condições-padrão de primeiros empregos remotos e a cultura de contratação do sectro tech.

Gustavo termina a sua história com um apelo geral à partilha de episódios semelhantes para espalhar a palavra e sensibilizar para scammers online. O post teve mais de 131 mil reacções no LinkedIn.

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