Quando a minha equipa resiste à mudança

Human Resources
21 de Fevereiro 2022 | 11:00
Quando a minha equipa resiste à mudança

Por Diogo Alarcão, Gestor

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Quantas vezes já nos deparámos com equipas que resistem à mudança, desconfiam, fazem contracorrente e ruído, criam entropias e mal-estar; em resumo, que não colaboram com o seu líder? Seguramente, mais vezes do que gostaríamos.

As perguntas que nos devemos colocar são, pois: Como ultrapassar essas resistências? O que fazer para que as nossas equipas colaborem connosco? As respostas não são fáceis nem de simples implementação. Haverá certamente diferentes estratégias e soluções que terão maior ou menor eficácia consoante o contexto e as pessoas envolvidas. Procurarei partilhar como tenho tentado ultrapassar essas resistências e promover maior colaboração em equipa.

A resistência à mudança é habitual e compreensiva pelo que procuro sempre lidar com ela com paciência e perseverança. É verdade que por vezes exaspero e penso que o melhor é “resolver a coisa à bruta”. No entanto, procuro resistir porque acredito, sinceramente, que a solução do “ou vai ou racha” não é uma boa solução. Pode, obviamente, trazer resultados a curto prazo e desbloquear impasses e resistências (passivas e ativas) mas acredito que deixa marcas a médio e longo prazo que não são boas nem para as pessoas nem para as organizações. O recurso à “força e autoridade” para impor a mudança levam amiúde ao surgimento de novas resistências e novos impasses, para além de minarem a confiança e a segurança psicológica que são fatores críticos de sucesso para uma sã liderança. Pelo contrário, acredito que diplomacia e subtileza podem trazer melhores resultados.

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O que entendo por “diplomacia e subtileza” em contexto de gestão? Desde logo, a capacidade para ouvir. Por outro lado, uma aposta clara na qualidade em detrimento da quantidade. Por vezes, é preferível fazer opções deixando cair algumas propostas de mudança para assegurar que as que ficam são apoiadas pela equipa com entusiasmo e compromisso. A diplomacia significa também gerir o tempo, respeitando momentos para propor, para refletir, para ouvir e contrapropor, para aproximações e afastamentos, para concessões e compromissos. Uma liderança que sabe esperar, ouvir e ceder é uma liderança que acredita que a mudança não se faz por decreto ou pela força, mas que deve ser negociada. Quando me coloco no lugar do outro e consigo ver através do seu olhar, torno-me mais forte porque consigo elevar-me para além do meu ego e ajudar o outro a fazer o mesmo. Desta forma, criamos condições para que a mudança que EU planeei se transforme na mudança que NÓS queremos implementar. Claro que muitas vezes isto exige concessões de ambas as partes o que não é sinal de fraqueza, mas de maturidade e respeito mútuo.

Ao promover uma gestão da mudança recorrendo a este tipo de estratégias, tenho constatado que se consegue também promover maior colaboração entre a equipa e o líder. Porquê? Porque se constroem as bases necessárias para uma colaboração verdadeira e duradora. Que bases são essas? São acima de tudo a Confiança e o Respeito. Equipas que confiam no seu líder e que se sentem respeitadas estarão muito mais recetivas e prontas a abraçar os desafios e a enfrentar os receios que qualquer mudança acarreta.

Podem as contracorrentes das nossas equipas ser resposta à forma como impomos os nossos projetos de mudança?

Pode o ruído causado pelas nossas equipas resultar da nossa dificuldade em ouvir os outros?

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Podem as entropias que nos impedem de avançar ser resultado de não respeitarmos os tempos das nossas equipas?

Pode o mal-estar das nossas equipas ser reflexo de estarmos demasiado centrados nas nossas agendas e interesses?

Vale a pena pensar nisto…

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