Este é considerado o emprego mais aborrecido nos EUA (e por isso corre o risco de entrar em extinção)

Human Resources
29 de Agosto 2024 | 09:40

São há muito considerados perfeccionistas, aborrecidos e demasiado sérios, e este estereótipo parece desencorajar a Geração Z mais do que qualquer geração anterior. Esta percepção, aliada aos actuais obstáculos da área, agravaram-se nos últimos anos, criando uma escassez de profissionais nos Estados Unidos, avança o Business Insider. Adivinha qual é a profissão?

 

O Instituto Norte-Americano de Contabilistas Certificados (CPA) afirma que cerca de 65 mil estudantes concluíram o bacharelato ou mestrado em contabilidade no ano lectivo de 2021-22, menos 18% do que uma década antes. Dos que estudam contabilidade, apenas uma parte se torna contabilista certificado. Cerca de 30 mil pessoas realizaram o exame oficial da CPA em 2022, em comparação com quase 50 mil pessoas em 2010.

Entretanto, o número de contabilistas de longa data está a diminuir rapidamente: em 2019, três quartos dos contabilistas nos EUA estavam prestes a reformar-se ou perto da reforma.

Não é difícil imaginar as consequências da falta destes profissionais. Os contabilistas tornaram-se uma espécie em vias de extinção e isso está a pôr em perigo o ecossistema financeiro. Mas inverter a situação não é tarefa fácil. «O salário é péssimo, as horas são longas e o trabalho é duro», conta Richard Rampell, contabilista reformado da Florida.

Continue a ler após a publicidade

Embora os contabilistas certificados possam fazer muito com as suas competências – desde trabalhar no FBI ou numa empresa da Fortune 500  – o estereótipo parece inabalável. «A verdade é que não há muito glamour na contabilidade», revela Richard Rampell. «Pode ter clientes bons e interessantes, mas vai demorar cinco ou dez anos até ter experiência suficiente para chegar a esse ponto.»

A contabilidade nunca foi atractiva, mas os jovens também nunca se sentiram tão desanimados com carreiras pouco apelativas.

Um emprego costumava ser tão bom quanto a segurança a longo prazo que  garantia. Agora, muitos membros da Geração Z hesitam em procurar empregos que os seus pares consideram excessivamente seguros ou previsíveis.

Continue a ler após a publicidade

Num inquérito recente da Deloitte, 86% dos inquiridos da Geração Z afirmam que ter um sentido de propósito é importante para a sua satisfação e bem-estar geral no trabalho. O relatório da Deloitte descreve-os ainda como «cada vez mais dispostos a rejeitar projectos ou empregadores que não estejam alinhados com os seus valores».

A Geração Z é também, notavelmente, a primeira geração que cresceu com as redes sociais. Passaram a infância a observar as vidas dos outros e muitos convenceram-se de que são muito melhores do que as suas. As redes sociais incentivaram-nos a concentrarem-se em fazer coisas que os seus pares consideram interessantes ou excitantes. E a contabilidade não é uma delas.

Depois, há o duplo problema de se tornar contabilista. Um candidato à CPA precisa geralmente de obter um mestrado em contabilidade para cumprir o requisito de 150 horas. Depois, segue-se o exame CPA: quatro testes de quatro horas que devem ser aprovados em 18 meses. E antes de poderem obter oficialmente o título, precisam de passar um ano a trabalhar sob um CPA acreditado.

É opinião generalizada de que a primeira coisa a fazer para conseguir mais contabilistas é pagar-lhes mais. «Enquanto houver procura de serviços de contabilidade, preparação de impostos e demonstrações financeiras e auditorias, haverá necessidade destes profissionais e as empresas terão de pagar para satisfazer a procura», defende Richard Rampell.

Rampell teme que, se os salários não aumentarem, a escassez possa tornar-se um «círculo vicioso»: menos contabilistas significa maior carga de trabalho para os que já exercem e estes profissionais têm maior probabilidade de se despedir por causa das longas horas de trabalho e dos baixos salários.

Continue a ler após a publicidade

Enquanto gestor de uma empresa de contabilidade durante décadas, Rampell reconhece que pagar mais aos colaboradores do que aos seus concorrentes compensava o custo. «Consegui pessoas mais produtivas, mais inteligentes e mais ambiciosas, por oposição a pessoas que só queriam trabalhar das 9 às 6.»

Partilhar


Mais Notícias