Pedro Amorim, Enterprise Sales director do ManpowerGroup para Portugal e Região Mediterrânea e Leste da Europa, identificou três tendências que vão marcar o mundo do trabalho e da Gestão de Pessoas em 2025.
O novo ano vem reforçar algumas tendências, começando pela saúde mental, que deverá continuar a ser uma das prioridades empresariais, impulsionada pela nova hierarquia de valores dos trabalhadores, em particular da Geração Z. Ambientes de trabalho psicologicamente seguros e flexíveis terão mais probabilidade de atrair e reter talento, especialmente quando 49% dos trabalhadores afirmam sofrer stress diário no trabalho, segundo o Global Talent Barometer do ManpowerGroup, e quando, a nível global, problemas como a depressão resultam na perda de 12 mil milhões de dias de trabalho por ano, de acordo com Organização Mundial de Saúde.
Num momento em que 38% dos trabalhadores não utilizam ou desconhecem os recursos disponíveis de apoio psicológico, esta deverá tornar-se uma preocupação central das empresas. Programas preventivos, como dias de saúde mental, ou acesso a terapia, são alguns benefícios que os líderes devem incentivar, bem como sensibilizar e formar colaboradores e lideranças, para normalizar conversas sobre bem-estar e identificar sinais de alerta. Neste âmbito, os líderes de Recursos Humanos terão um papel crítico, identificando as necessidades reais da força de trabalho e garantindo que os seus investimentos têm um impacto positivo na saúde, produtividade e envolvimento das equipas.
Em 2025, devemos continuar a assistir a um número crescente de empresas que impõem mais dias de trabalho no escritório ou até mesmo um regresso aos modelos 100% presenciais. Apesar desta tendência, os trabalhadores já deixaram claro que valorizam a flexibilidade e não estão dispostos a abdicar dela, pelo que os modelos 100% presenciais impostos acarretam importantes riscos que as empresas devem ponderar.
Assim, e apesar do ruído à volta das instruções de regresso ao escritório, é expectável que os modelos híbridos continuem a dominar o mundo do trabalho, conjugando flexibilidade com reforço no alinhamento das equipas e na cultura organizacional, e servindo como pilares na retenção e no envolvimento do talento. Em 2025, o trabalho híbrido deverá continuar a transformar os escritórios em espaços de colaboração, trazendo benefícios ao nível da saúde mental, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e gestão do stress.
Por fim, a Inteligência Artificial (IA) continuará a destacar-se. De acordo com um estudo da Microsoft, o mercado de IA ultrapassou já os 241 mil milhões de dólares e espera-se que atinja os 738 mil milhões até 2030. O uso de ferramentas que recorrem a esta tecnologia acelerou significativamente, remodelando o trabalho, desde a automatização de tarefas de rotina à melhoria de processos como o recrutamento, formação e desenvolvimento de competências. Em 2025, esta tecnologia continuará em evolução acelerada, nomeadamente na transição para uma lógica ainda mais colaborativa, com recurso a agentes digitais que nos ajudam a programar e realizar um conjunto de tarefas do nosso dia-a-dia.
Em Portugal, mais de quatro em cada dez empresas já utilizam ferramentas de IA e, num horizonte de três anos, 80% planeiam integrá-las nas suas operações, segundo um estudo da Experis. O impacto destas transformações poderá impulsionar a produtividade e a eficiência, mas traz também importantes desafios ao nível da capacitação do talento, da ética e dos mecanismos de governação dentro das organizações. Neste contexto, os RH têm um papel significativo a desempenhar na capacitação das equipas, dotando-as das competências – técnicas e humanas – que lhes permitam a retirar o máximo proveito dos benefícios da IA. De facto, num contexto de crescente automação, o factor humano ganhará cada vez mais relevância e serão as competências humanas, como empatia, criatividade e inteligência emocional, que se tornarão os verdadeiros factores diferenciais na criação de valor através da inovação, raciocínio crítico e tomada de decisões.














