Os empregos que vão desaparecer mais rapidamente, os que vão ganhar relevância e as skills fundamentais. Conheça as previsões do Fórum Económico Mundial até 2030

Human Resources
13 de Janeiro 2025 | 09:40

O “Future of Jobs Report” do Fórum Económico Mundial (FEM), divulgado na semana passada, traça o cenário do mundo do trabalho até 2030: desde os empregos em declínio às profissões emergentes, passando pelas competências. 

No total, o FEM estima que «a criação de novos empregos e a substituição de empregos» atingirão 22% do total dos empregos actuais, sendo que serão criados 170 milhões de empregos, o equivalente a 14% do emprego actual. Prevê-se que este crescimento seja compensado pela perda de 92 milhões de empregos, resultando num crescimento líquido de 78 milhões de empregos até 2030.

O relatório baseia-se em dados de mais de mil empregadores globais, que representam 14 milhões de trabalhadores em mais de 20 sectores em 55 economias globais. Os dados analisaram como as macrotendências impactam os empregos e as competências, e que estratégias os empregadores planeiam implementar para atender ao cenário emergente de emprego em 2030.

De acordo com o relatório, os avanços tecnológicos, as mudanças demográficas, as tensões geoeconómicas, a incerteza económica e a transição verde são os principais impulsionadores destas mudanças e prevê-se que redefinam os sectores e as profissões em todo o mundo.

 

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Empregos em declínio

Espera-se que os trabalhadores administrativos e de secretariado, incluindo operadores de caixa, de atendimento ao público e assistentes administrativos, vejam o maior declínio em números absolutos. O mesmo acontecerá nas funções relacionadas com serviços postais, caixas de banco e trabalhadores de introdução de dados.

 

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Empregos em ascensão

Prevê-se que as funções de primeira linha apresentem o maior crescimento em termos de volume absoluto, incluindo: trabalhadores agrícolas, motoristas de entrega, trabalhadores da construção civil, vendedores, e trabalhadores de processamento de alimentos. Espera-se também que os empregos na área da saúde e cuidados, como enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas e auxiliares de cuidados pessoais, cresçam significativamente nos próximos cinco anos, juntamente com os professores do ensino superior e secundário.

As funções relacionadas com a tecnologia são as que mais estão a crescer em termos de percentagem e incluem: especialistas em Big Data, engenheiros fintech, especialistas em IA e machine learning e programadores de software e aplicações. As funções de transição energética e verde, incluindo especialistas em veículos autónomos e eléctricos, engenheiros ambientais e engenheiros de energias renováveis, também estão entre as funções de crescimento mais rápido.

 

Competências mais procuradas

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O relatório revela ainda que as principais competências e áreas de crescimento mais procuradas estão na tecnologia, nomeadamente IA, big data e cibersegurança, e 41% dos empregadores pretendem reduzir o tamanho da equipa, uma vez que a IA automatiza as tarefas existentes.

Mas as competências humanas como o pensamento crítico e criativo, incluindo resiliência, flexibilidade e agilidade, continuam a ser muito procuradas. Na verdade, o pensamento analítico é a competência essencial mais procurada pelos empregadores, sendo que 7 em cada 10 empresas a consideram essencial.

Em média, os trabalhadores podem esperar que 39% dos seus conjuntos de competências existentes sejam transformados ou fiquem desactualizados nos próximos cinco anos. No entanto, a “instabilidade de competências” abrandou de 44% em 2023, e de 57% em 2020, após a pandemia. Isto deve-se provavelmente ao facto de os trabalhadores estarem a apostar no upskilling e reskilling ou a receber formação adicional.

Dadas estas exigências de competências, a escala de upskilling e reskilling que se espera ser necessária continua a ser significativa: se a força de trabalho mundial fosse composta por 100 pessoas, 59 necessitariam de formação até 2030. Destas, os empregadores prevêem que 29 poderão ser requalificadas nas suas áreas de trabalho. No entanto, 11 provavelmente não receberiam a requalificação ou actualização necessária, deixando as suas perspectivas de emprego cada vez mais em risco.

As lacunas de qualificação são categoricamente consideradas a maior barreira à transformação empresarial pelos inquiridos do relatório, com 63% dos empregadores a identificá-las como uma grande barreira no período de 2025 a 2030.

Assim, 85% dos empregadores inquiridos planeiam priorizar o upskilling da sua força de trabalho, com 70% dos empregadores a esperarem contratar profissionais com novas competências, 40% a planear reduzir o pessoal à medida que as suas competências se tornam menos relevantes e 50% a planear a transição de colaboradores de funções em declínio para funções emergentes.

Prevê-se que o apoio à saúde e ao bem-estar dos colaboradores seja um dos principais focos para a atracção de talento, estratégia essencial para 64% dos inquiridos. Iniciativas eficazes de upskilling e reskilling, juntamente com a melhoria da progressão e promoção de talentos, são também vistas como tendo um elevado potencial para a atracção de talentos. Financiar e disponibilizar a requalificação e actualização de competências são vistas como as duas melhores políticas públicas para aumentar o talento disponível.

O Future of Jobs Report revela ainda que a adopção de iniciativas de diversidade, equidade e inclusão continua a aumentar. O potencial do alargamento de talento disponível através do aproveitamento de diversos grupos é destacado por quatro vezes mais empregadores (47%) do que há dois anos (10%). As iniciativas de diversidade, equidade e inclusão tornaram-se mais predominantes (83% dos empregadores), em comparação com 67% em 2023.

Até 2030, pouco mais de metade dos empregadores (52%) prevê alocar uma maior fatia dos seus orçamentos aos salários, sendo que apenas 7% esperam que essa parcela diminua. As estratégias salariais são impulsionadas principalmente por objectivos de alinhamento dos salários com a produtividade e o desempenho dos trabalhadores e de competição pela retenção de talentos e competências.

Por último, metade dos empregadores planeia reorientar os seus negócios em resposta à IA, dois terços planeiam contratar talentos com competências específicas de IA, enquanto 40% prevêem reduzir a sua força de trabalho onde a IA pode automatizar tarefas.

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