A redução das horas de trabalho em Espanha pode ter uma consequência: o fim do teletrabalho

Human Resources
6 de Fevereiro 2025 | 21:00
A redução das horas de trabalho em Espanha pode ter uma consequência: o fim do teletrabalho

Em Espanha, 2024 terminou com uma média anual de 3,2 milhões de pessoas a trabalhar em casa, o número mais elevado no indicador de referência do teletrabalho, reporta o El Economista. Acontece que a recente reforma do horário de trabalho com a redução para 37,5 horas pode tornar ambas incompatíveis.

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Ainda que corresponda apenas a 14,4% do emprego total, os trabalhadores por conta de outrem contribuem com 10,1 pontos percentuais para a taxa e 2,2 milhões para o total. Esse foi o grupo afectado pela Lei do Trabalho Remoto e será agora igualmente afectado pela reforma do horário de trabalho com a redução para 37,5 horas. Acontece que ambas as regras são incompatíveis para cada vez mais empresas, que estão a fazer as contas e a inclinar-se para regressar ao modelo 100% presencial.

O custo de pagar o mesmo salário (ou até mais elevado para os trabalhadores a tempo parcial) significa que muitas empresas estão a considerar como compensar. Além disso, ao reduzir o número de horas de trabalho, diminui também o limite de 30% a partir do qual a empresa deve pagar as despesas de teletrabalho incorridas pelo trabalhador. Assim, estas menos 2,5 horas de trabalho por semana não só encarecem o teletrabalho como reduzem a flexibilidade com que as empresas concedem esta modalidade aos seus trabalhadores. Embora eliminá-lo subitamente possa abrir uma frente jurídica inesperada para muitos dos que tomam esta decisão.

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Hoje, 70% dos trabalhadores por conta de outrem encontra-se em regime de teletrabalho, e 50,1% que trabalham remotamente fazem-no regularmente, ou seja, mais de metade dos dias. Um retrocesso dos 72,3% registados em 2020, devido à Lei do Teletrabalho de finais desse ano, a primeira regulamentação espanhola específica para o teletrabalho.

Mas também aumentou substancialmente o custo do teletrabalho e deu rigidez à sua aplicação, estabelecendo um limite de 30% do horário médio de trabalho, após o qual o empregador tem de pagar despesas como a electricidade, a internet, além de fornecer equipamento e mobiliário adequados.

Ao mesmo tempo, muitos departamentos de RH enfrentaram o problema de ter forças de trabalho “híbridas”. Ou seja, enquanto a gestão e os trabalhadores de escritório podiam trabalhar a partir de casa e usufruir das vantagens do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, os trabalhadores de outros departamentos tinham tarefas que eram impossíveis de realizar em casa. Somado aos custos, isto significa que muitos empregadores preferem evitar estas complicações com os seus colaboradores.

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Redução legal do horário de trabalho

Neste cenário, a redução do horário de trabalho é outra dor de cabeça que fará pender a balança a favor do trabalho presencial. É nisso que acreditam os advogados de direito do trabalho consultados pelo El Economista, que explicam que muitas empresas «estão a fazer simulações de calendário e a repensar as suas políticas de flexibilidade».

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Ainda que os efeitos da alteração legal possam não ser aplicados antes de 2026, o que dá aos empregadores alguma margem para se adaptarem, o resultado será o mesmo: as empresas terão de produzir a mesma quantidade com menos horas de trabalho.

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Por isso, a tendência aponta para uma intenção de «recuperação do trabalho presencial», para se tornarem «mais eficientes e produtivos nos novos horários» e não pagarem os custos associados ao teletrabalho é «uma forma de compensar os custos após a redução do horário de trabalho».

Um especialista em lei laboral destaca a «incerteza» sobre se a redução do horário de trabalho afectará os dias ou o tempo despendido em teletrabalho. «Isto é importante para não ultrapassar a percentagem exigida pela regulamentação do teletrabalho, regra que implica rigidez e custos para as empresas», sublinha.

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