O verdadeiro luxo na Hotelaria começa dentro de portas

Human Resources
30 de Abril 2025 | 11:00

Por Noélia Reis, assessora de Administração da Savoy Signature, responsável pela área de Recursos Humanos

 

Na hotelaria, o cliente é, e continuará a ser, o centro de tudo. É para ele que se afinam os detalhes, se criam experiências únicas e se dá o melhor todos os dias. Há, porém, uma verdade que hoje é impossível ignorar: a experiência do cliente depende, directamente, da experiência de quem o atende.

Por isso, o velho ditado “em casa de ferreiro espeto de pau” pode afigurar-se perigoso. Se queremos ser os melhores para quem nos visita, temos também de ser os melhores para quem cá está todos os dias.

O turismo representa cerca de 20% do PIB em Portugal. É um sector vital, cheio de talento, de energia e de histórias. E é também um sector muito exigente, feito de ritmos acelerados e atenção constante ao detalhe. Cuidar de quem cuida é, mais do que nunca, uma responsabilidade, mas também uma enorme oportunidade já que temos de ser capazes de atrair talento para o mundo da hospitalidade.

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A boa notícia? Já se faz muito. Há equipas de Recursos Humanos dedicadas, líderes atentos, chefias que valorizam e inspiram. Há programas de formação e mentoria a acontecer, oportunidades de crescimento, pequenas mudanças que já estão a fazer grandes diferenças.

Há ainda muito caminho para andar e todos podemos fazer parte.

Elevar a experiência do colaborador ao nível da experiência do cliente é uma realidade possível. Passa por escutar quem está no terreno, perguntar o que precisa, mas também por criar ambientes de trabalho saudáveis, bem organizados, com pausas respeitadas e horários equilibrados. Passa por apostar na formação certa, na altura certa. Por reconhecer o esforço. Dar espaço para crescer. Passa, ainda, por envolver as equipas nas decisões que as afectam. Por dar visibilidade ao talento interno. Por celebrar vitórias, por mais pequenas que pareçam.

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São estes pequenos gestos, repetidos e consistentes, que constroem uma cultura forte. A cultura sente-se, não se escreve apenas em manuais ou cartazes bonitos. Recentemente ouvi uma definição de cultura de empresa que se tornou na minha favorita: “Cultura: é aquilo que se conta ao amigo quando saímos do trabalho”.

A área de Recursos Humanos deve estar onde tudo acontece: próxima, disponível, com um olhar estratégico e um coração humano, sabendo que o maior activo do nosso sector são as pessoas. O verdadeiro luxo começa dentro de portas.

É tempo de olharmos para a experiência de trabalho como parte essencial da experiência da marca. É tempo de cuidarmos de quem cuida, com o mesmo detalhe com que preparamos um quarto, um prato ou um sorriso de boas-vindas.

Porque em casa de ferreiro, o espeto não tem de ser de pau. Pode, e deve, ser de qualidade, de respeito, de orgulho, de brio e de tantos outros ingredientes que trazem pouco ou nenhum segredo.

E assim, com pequenos e consistentes passos, tornamo-nos também uma marca empregadora de referência no mundo da hospitalidade. Trata-se de acolher bem quem nos visita e, igualmente, na mesma medida aos que escolhem fazer parte.

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Deixo a reflexão, “Em casa de ferreiro espeto de pau”: ditado popular, crença ou a necessidade de abraçar uma nova realidade?

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